quarta-feira, 4 de março de 2009

“Bem-Estaristas” pelos Direitos Animais: Uma Antítese

por Joan Dunayer


Revista Satya

Março de 2005


Tradução: Coletivo Madu


“Sufoquem as galinhas!” Um grito de guerra imaginário, repugnante demais para ser real. No entanto, alguns grupos de proteção animal, como o PETA e o United Poultry Concerns, vêm pedindo que matadouros sufoquem as galinhas até a morte em suas gaiolas de transporte ao invés de deixá-las conscientes enquanto elas são acorrentadas, paralisadas eletricamente, e têm suas gargantas cortadas. O assassinato em massa das galinhas é desnecessário, injusto, e invariavelmente cruel. Pedir que as galinhas sejam sufocadas sugere o contrário. Sugere que o problema é como elas são mortas. Uma campanha por um assassinato menos cruel propõe uma nova forma de cometer assassinato em massa. Tal campanha é “bem-estarista”.


Campanhas “bem-estaristas” estimulam a noção de que animais escravizados e assassinados podem ter bem-estar. Bem-estar genuíno é incompatível com a escravidão, o assassinato e outros abusos, então eu coloco aspas ao redor de bem-estar quando o contexto é malefício especista. Campanhas “bem-estaristas” são contra os direitos. Elas advogam maneiras diferentes de violar os direitos morais dos animais não-humanos. Campanhas denominadas de abate humanitário advogam uma maneira diferente de violar o direito dos animais não-humanos à vida. Campanhas por confinamento menos severo advogam uma maneira diferente de violar o direito dos animais não-humanos à vida.


O PETA pressionou o McDonald's, o Burger King e o Wendy's a exigirem que seus fornecedores de ovos e carne confinem os animais não-humanos menos cruelmente. Estes restaurantes agora especificaram, entre outras coisas, que seus fornecedores de ovos devem aumentar o espaço designado a uma galinha poedeira enjaulada de 48 polegadas quadradas a pelo menos 67. Uma galinha tem o direito moral de não ser confinada nem a 48 nem a 67 polegadas quadradas. Muitas e muitos ativista gritaram “O que nós queremos? Direitos animais! Quando os queremos? Agora!” Com boa razão, nenhuma ou nenhum ativista já gritou “O que queremos? Jaulas um pouco maiores! Quando as queremos? Quando o McDonald's ou outro abusador em massa exigir que seus fornecedores os usem!” Qualquer tentativa de trabalhar com, ao invés de contra, indústrias de abuso animal deve levantar uma grande bandeira vermelha. É moralmente errado explorar um animal não-humano em qualquer quantidade de espaço, dentro ou fora de uma jaula. Essa é a mensagem que protetoras e protetores animais deveriam defender.


Nós não precisamos comer partes dos corpos de galinhas mortas por asfixia ou qualquer outro método. Nós não precisamos comer ovos de galinhas poedeiras cativas em jaulas ou de qualquer outra forma. Nós não precisamos comer alimentos de quaisquer animais não-humanos. Ao invés de clamar por assassinato ou confinamento menos cruel, nós deveríamos promover o veganismo. Simplesmente publicitar a realidade da exploração animal pode levar muitas pessoas a se tornarem veganas. Persuadir as pessoas a adotarem um estilo de vida vegano reduz o número de animais não-humanos que sofrem e morrem. Isso também diminui o apoio público à indústria da carne, da vivissecção e de outras formas de exploração animal, aproximando o dia em que elas sejam banidas.


Algumas e alguns ativistas defendem tanto o “bem-estarismo” quanto o veganismo. Seu “bem-estarismo” impede a difusão do veganismo por insinuar que a exploração animal é inevitável e, portanto, aceitável, enquanto “humana”. Nossa mensagem ao público deve ser clara e consistente: nós não precisamos explorar outros animais; explorá-los é injusto e sempre causa sofrimento. Assim como modelos do veganismo devem aderir ao veganismo em seu estilo de vida, porta-vozes do veganismo devem aderir ao veganismo em seu ativismo. Não faria sentido defender o veganismo em um minuto e defender a produção de carne ou ovos supostamente mais palatável no próximo. Para ter poder total, nossa oposição à exploração animal deve ser consistente.


Nós devemos persistentemente advogar os direitos dos animais não-humanos – ou seja, sua emancipação. “Bem-estaristas” que se chamam de ativistas pelos “direitos animais” destroem o conceito de direitos animais. Elas e eles confundem o público a pensar que o aprisionamento, o assasinato e outros abusos especistas podem ser consistentes com os direitos animais. “Bem-estaristas” substituem o direitos dos animais não-humanos à vida com um “direito” de serem assassinados em menos terror e dor. Elas e eles diminuem o direitos dos animais não-humanos à liberdade a um “direito” a serem injustamente aprisionados em mais espaço. Na verdade, alguém que não possui os direitos mais básicos – à vida e à liberdade – não possuem nenhum direito.


Enquanto advogarmos a emancipação total, nós podemos conquistar emancipações parciais, através de proibições abolicionistas (emancipacionistas). Todas as proibições abolicionistas protegem pelo menos alguns animais de alguma forma de exploração. Eles previnem que os animais entrem na situação exploratória e podem também remover vítimas atuais daquela situação. Por exemplo, uma proibição a elefantes em “apresentações com animais” emancipam os elefantes de circos e outras situações de performance. Uma proibição à caça de ursos previne os ursos de serem machucados ou mortos: previne, ao invés de modifica, seu abuso. Ativistas podem trabalhar por qualquer número de proibições, incluindo proibições a produtos de pelt, fígados gordurosos de aves, a clonagem de animais de estimação e mamíferos marinhos em prisões aquáticas. Por enquanto, proibições abolicionistas não vão emancipar a maioria dos animais não-humanos, mas elas irão emancipar alguns e nos mover na direção correta. Nós não podemos proibir os produtos especistas mais populares (como a carne de peixes, leite de vacas e ovos de galinhas) até que construamos oposição pública a estes produtos.


Enquanto não pudermos alcançar proibições abolicionistas, nós podemos nos engajar em boicotes abolicionistas. Apesar deles não terem a força da lei, boicotes podem ser altamente eficientes. Uma campanha “Boicote aos Ovos” avançaria a emancipação das galinhas. Ao convencer mais pessoas a parar de comprar ovos, diminuiria o número de galinhas que sofrem enquanto aumentaria a oposição à inteira indústria de ovos. Similarmente, um boicote a produtos de cuidado corporal que não são livres de crueldade reduziria a vivissecção e aumentaria a demanda por produtos livres de crueldade. Em adição ao boicote a produtos em particular, ativistas podem boicotar instituições especistas em particular como corrida de cavalos e zoológicos.


“Bem-estaristas” comumente dizem “Eu apóio tudo que reduz o sofrimento animal”. A longo prazo, medidas “bem-estaristas” aumentam o sofrimento porque elas perpetuam a exploração. Considere a Lei de Métodos Humanos de Abate (LMHA). Se você está informada ou informado sobre o que ocorre em matadouros, você sabe que o LMHA falha profundamente em proteger os animais não-humanos. Primariamente, ela aumenta o apoio público ao assassinato ao legitimar a indústria da carne e passar a falsa impressão de que as vítimas são mortas “humanamente”. Medidas “bem-estaristas” são largamente fúteis porque elas deixam os animais nas mãos de seus opressores. Somente medidas emancipativas, que honram os direitos morais dos animais, podem proteger adequadamente os animais não-humanos. Genuíno bem-estar animal requer a liberdade da exploração.


Joan Dunayer é a autora de Animal Equality: Language and Liberation (2001) e o recém lançado Speciesism (2005), ambos da Ryce Publishing.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

50 Consequências Fatais da Experimentação Em Animais

(ou, Porque a Experimentação Animal deve Acabar)


01) Pensava-se que fumar não provocava câncer, porque câncer relacionado ao fumo é difícil de ser reproduzido em animais de laboratório. As pessoas continuam fumando e morrendo de câncer. (2)

02) Embora haja evidências clínicas e epidemiológicas de que a exposição à benzina causa leucemia em humanos, a substância não foi retida como produto químico industrial. Tudo porque testes apoiados pelos fabricantes para reproduzir leucemia em camundongos a partir da exposição à benzina falharam. (1)

03) Experimentos em ratos, hamsters, porquinhos-da-índia e macacos não revelaram relação entre fibra de vidro e câncer. Não até 1991, quando, após estudos em humanos, a OSHA - Occupational, Safety and Health Administration - os rotulou de cancerígenos (1)

04) Apesar de o arsênico ter sido reconhecido como substância cancerígena para humanos por várias décadas, cientistas encontraram poucas evidências em animais. Só em 1977 o risco para humanos foi estabelecido (6), após o câncer ter sido reproduzido em animais de laboratório. (7) (8) (9)

05) Muitas pessoas expostas ao amianto morreram, porque cientistas não conseguiram produzir câncer pela exposição da substância em animais de laboratório.

06) Marca-passos e válvulas para o coração tiveram seu desenvolvimento adiado, devido a diferenças fisiológicas entre humanos e os animais para os quais os aparelhos haviam sido desenhados.

07) Modelos animais de doenças cardíacas falharam em mostrar que colesterol elevado e dieta rica em gorduras aumentam o risco de doenças coronárias. Em vez de mudar hábitos alimentares para prevenir a doença, as pessoas mantiveram seus estilos de vida com falsa sensação de segurança.

08) Pacientes receberam medicamentos inócuos ou prejudiciais à saúde, por causa dos resultados de modelos de derrame em animais.

09) Erroneamente, estudos em animais atestaram que os Bloqueadores Beta não diminuiriam a pressão arterial em humanos, o que evitou o desenvolvimento da substância (10) (11) (12). Até mesmo os vivisseccionistas admitiram que os modelos de hipertensão em animais falharam nesse ponto. Enquanto isso, milhares de pessoas foram vítimas de derrame.

10) Cirurgiões pensaram que haviam aperfeiçoado a Keratotomia Radial (cirurgia para melhorar a visão) em coelhos, mas o procedimento cegou os primeiros pacientes humanos. Isso porque a córnea do coelho tem capacidade de se regenerar internamente, enquanto a córnea humana se regenera apenas superficialmente. Atualmente, a cirurgia é feita apenas na superfície da córnea humana.

11) Transplantes combinados de coração e pulmão também foram "aperfeiçoados" em animais, mas os primeiros três pacientes morreram nos 23 dias subseqüentes à cirurgia (13). De 28 pacientes operados entre 1981 e 1985, 8 morreram logo após a cirurgia, e 10 desenvolveram Bronquiolite Obliterante , uma complicação pulmonar que os cães submetidos aos experimentos não contraíram. Dos 10, 4 morreram e 3 nunca mais conseguiram viver sem o auxílio de um respirador artificial. Bronquiolite obliterante passou a ser o maior risco da operação (14)

12) Ciclosporin A inibe a rejeição de órgãos e seu desenvolvimento foi um marco no sucesso dos transplantes. Se as evidências irrefutáveis em humanos não tivessem derrubado as frágeis provas obtidas com testes em animais, a droga jamais teria sido liberada. (15)

13) Experimentos em animais falharam em prever toxidade nos rins do anestésico geral metoxyflurano. Muitas pessoas que receberam o medicamento perderam todas as suas funções renais.

14) Testes em animais atrasaram o início da utilização de relaxantes musculares durante anestesia geral.

15) Pesquisas em animais não revelaram que algumas bactérias causam úlceras, o que atrasou o tratamento da doença com antibióticos.

16) Mais da metade dos 198 medicamentos lançados entre 1976 e 1985 foram retirados do mercado ou passaram a trazer nas bulas efeitos colaterais, que variam de severos a imprevisíveis (16). Esses efeitos incluem complicações como disritmias letais, ataques cardíacos, falência renal, convulsões, parada respiratória, insuficiência hepática e derrame, entre outros.

17) Flosin (Indoprofeno), medicamento para artrite, testado em ratos, macacos e cães, que o toleraram bem. Algumas pessoas morreram após tomar a droga.

18) Zelmid, um antidepressivo, foi testado sem incidentes em ratos e cães. A droga provocou sérios problemas neurológicos em humanos.

19) Nomifensina, um outro antidepressivo, foi associado a insuficiência renal e hepática, anemia e morte em humanos. Testes realizados em animais não apontaram efeitos colaterais.

20) Amrinone, medicamento para insuficiência cardíaca, foi testado em inúmeros animais e lançado sem restrições. Humanos desenvolveram trombocitopenia, ou seja, ausência de células necessárias para coagulação.

21) Fialuridina, uma medicação antiviral, causou danos no fígado de 7 entre 15 pessoas. Cinco acabaram morrendo e as outras duas necessitaram de transplante de fígado. (17) A droga funcionou bem em marmotas. (18) (19)

22) Clioquinol, um antidiarréico, passou em testes com ratos, gatos, cães e coelhos. Em 1982 foi retirado das prateleiras em todo o mundo após a descoberta de que causa paralisia e cegueira em humanos.

23) A medicação para a doença do coração Eraldin provocou 23 mortes e casos de cegueira em humanos, apesar de nenhum efeito colateral ter sido observado em animais. Quando lançado, os cientistas afirmaram que houve estudos intensivos de toxidade em testes com cobaias. Após as mortes e os casos de cegueira, os cientistas tentaram sem sucesso desenvolver em animais efeitos similares aos das vítimas. (20)

24) Opren, uma droga para artrite, matou 61 pessoas. Mais de 3500 casos de reações graves têm sido documentados. Opren foi testado sem problemas em macacos e outros animais.

25) Zomax, outro medicamento para artrite, matou 14 pessoas e causou sofrimento a muitas.

26) A dose indicada de isoproterenol, medicamento usado para o tratamento de asma, funcionou em animais. Infelizmente, foi tóxico demais para humanos, provocando na Grã-Bretanha a morte de 3500 asmáticos por overdose. Os cientistas ainda encontram dificuldades de reproduzir resultados semelhantes em animais. (21) (22) (23) (24) (25) (26)

27) Metisergide, medicamento usado para tratar dor de cabeça, provoca fibrose retroperitonial ou severa obstrução do coração, rins e veias do abdômen. (27) Cientistas não estão conseguindo reproduzir os mesmos efeitos em animais. (28)

28) Suprofen, uma droga para artrite, foi retirada do mercado quando pacientes sofreram intoxicação renal. Antes do lançamento da droga, os pesquisadores asseguraram que os testes tiveram (29) (30) "perfil de segurança excelente, sem efeitos cardíacos, renais ou no SNC (Sistema Nervoso Central) em nenhuma espécie".

29) Surgam, outra droga para artrite, foi designada como tendo fator protetor para o estômago, prevenindo úlceras, efeito colateral comum de muitos medicamentos contra artrite. Apesar dos resultados em testes feitos em animais, úlceras foram verificadas em humanos (31) (32).

30) O diurético Selacryn foi intensivamente testado em animais. Em 1979, o medicamento foi retirado do mercado depois que 24 pessoas morrerem por insuficiência hepática causada pela droga. (33) (34)

31) Perexilina, medicamento para o coração, foi retirado do mercado quando produziu insuficiência hepática não foi prognosticada em estudos com animais. Mesmo sabendo que se tratava de um tipo de insuficiência hepática específica, os cientistas não conseguiram induzi-la em animais. (35)

32) Domperidone, droga para o tratamento de náusea e vômito, provocou batimentos cardíacos irregulares em humanos e teve que ser retirada do mercado. Cientistas não conseguiram produzir o mesmo efeito em cães, mesmo usando uma dosagem 70 vezes maior. (36) (37)

33) Mitoxantrone, usado em um tratamento para câncer, produziu insuficiência cardíaca em humanos. Foi testado extensivamente em cães, que não manifestaram os mesmos sintomas. (38) (39)

34) A droga Carbenoxalone deveria prevenir a formação de úlceras gástricas, mas causou retenção de água a ponto de causar insuficiência cardíaca em alguns pacientes. Depois de saber os efeitos da droga em humanos, os cientistas a testaram em ratos, camundongos, macacos e coelhos, sem conseguirem reproduzir os mesmos sintomas. (40) (41)

35) O antibiótico Clindamicyn é responsável por uma condição intestinal em humanos chamada colite pseudomembranosa. O medicamento foi testado em ratos e cães, diariamente, durante um ano. As cobaias toleraram doses 10 vezes maiores que os seres humanos. (42) (43) (44)

36) Experiências em animais não comprovaram a eficácia de drogas como o valium, durante ou depois de seu desenvolvimento (45) (46)

37) A companhia farmacêutica Pharmacia & Upjohn descontinuou testes clínicos dos comprimidos de Linomide (roquinimex) para o tratamento de esclerose múltipla, após oito dos 1200 pacientes sofrerem ataques cardíacos em conseq¸ência da medicação. Experimentos em animais não previram esse risco.

38) Cylert (pemoline), um medicamento usado no tratamento de Déficit de Atenção/Hiperatividade, causou insuficiência hepática em 13 crianças. Onze delas ou morreram ou precisaram de transplante de fígado.

39) Foi comprovado que o Eldepryl (selegilina), medicamento usado no tratamento de Doença de Parkinson, induziu um grande aumento da pressão arterial dos pacientes. Esse efeito colateral não foi observado em animais, durante o tratamento de demência senil e desordens endócrinas.

40) A combinação das drogas para dieta fenfluramina e dexfenfluramina - ligadas a anormalidades na válvula do coração humano - foram retiradas do mercado, apesar de estudos em animais nunca terem revelado tais anormalidades. (47)

41) O medicamento para diabetes troglitazone, mais conhecido como Rezulin, foi testado em animais sem indicar problemas significativos, mas causou lesão de fígado em humanos. O laboratório admitiu que ao menos um paciente morreu e outro teve que ser submetido a um transplante de fígado. (48)

42) Há séculos a planta Digitalis tem sido usada no tratamento de problemas do coração. Entretanto, tentativas clínicas de uso da droga derivada da Digitalis foram adiadas porque a mesma causava pressão alta em animais. Evidências da eficácia do medicamento em humanos acabaram invalidando a pesquisa em cobaias. Como resultado, a digoxina, um análogo da Digitalis, tem salvo inúmeras vidas. Muitas outras pessoas poderiam ter sobrevivido se a droga tivesse sido lançada antes. (49) (50) (51) (52)

43) FK506, hoje chamado Tacrolimus, é um agente anti-rejeição que quase ficou engavetado antes de estudos clínicos, por ser extremamente tóxico para animais. (53) (54) Estudos em cobaias sugeriram que a combinação de FK506 com cyclosporin potencializaria o produto. (55) Em humanos ocorreu exatamente o oposto. (56)

44) Experimentos em animais sugeriram que os corticosteróides ajudariam em casos de choque séptico, uma severa infecção sang¸ínea causada por bactérias. (57) (58). Em humanos, a reação foi diferente, tendo o tratamento com corticosteróides aumentado o índice de mortes em casos de choque séptico. (59)

45) Apesar da ineficácia da penicilina em coelhos, Alexander Fleming usou o antibiótico em um paciente muito doente, uma vez que ele não tinha outra forma de experimentar. Se os testes iniciais tivessem sido realizados em porquinhos-da-índia ou em hamsters, as cobaias teriam morrido e talvez a humanidade nunca tivesse se beneficiado da penicilina. Howard Florey, ganhador do Premio Nobel da Paz, como co-descobridor e fabricante da penicilina, afirmou: "Felizmente não tínhamos testes em animais nos anos 40. Caso contrário, talvez nunca tivéssemos conseguido uma licença para o uso da penicilina e, possivelmente, outros antibióticos jamais tivessem sido desenvolvidos.

46) No início de seu desenvolvimento, o flúor ficou retido como preventivo de cáries, porque causou câncer em ratos. (60) (61) (62)

47) As perigosas drogas Talidomida e DES foram lançadas no mercado depois de serem testadas em animais. Dezenas de milhares de pessoas sofreram com o resultado (*nota do tradutor: A Talidomina foi desenvolvida em 1954 destinada a controlar ansiedade, tensão e náuseas. Em 1957 passou a ser comercializada e em 1960 foram descobertos os efeitos teratogênicos provocados pela droga, quando consumida por gestantes: durante os 3 primeiros meses de gestação interfere na formação do feto, provocando a focomelia que é o encurtamento dos membros junto ao tronco, tornando-os semelhantes aos de focas.)

48) Pesquisas em animais produziram dados equivocados sobre a rapidez com que o vírus HIV se reproduz. Por causa do erro de informação, pacientes não receberam tratamento imediato e tiveram suas vidas abreviadas.

49) De acordo com o Dr. Albert Sabin, pesquisas em animais prejudicaram o desenvolvimento da vacina contra o pólio. A primeira vacina contra pólio e contra raiva funcionou bem em animais, mas matou as pessoas que receberam a aplicação.

50) Muitos pesquisadores que trabalham com animais ficam doentes ou morrem devido à exposição a microorganismos e agentes infecciosos inofensivos para animais, mas que podem ser fatais para humanos, como por exemplo o vírus da Hepatite B.

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Tempo, dinheiro e recursos humanos devotados aos experimentos com animais poderiam ter sido investidos em pesquisas com base em humanos. Estudos clínicos, pesquisas in-vitro, autópsias, acompanhamento da droga após o lançamento no mercado, modelos computadorizados e pesquisas em genética e epidemiologia não apresentam perigo para os seres humanos e propiciam resultados precisos. Importante salientar que experiências em animais têm exaurido recursos que poderiam ter sido dedicados à educação do público sobre perigos para a saúde e como preservá-la, diminuindo assim a incidência de doenças que requerem tratamento. Experimentação Animal não faz sentido. A prevenção de doenças e o lançamento de terapias eficazes para seres humanos está na ciência que tem como base os seres humanos.

Fonte: PEA - Projeto Esperança Animal

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

O Caderno de Saramago - Susi

Texto de José Saramago contra animais em circo:
http://caderno.josesaramago.org/2009/02/19/susi/

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Os gladiadores romanos eram vegetarianos gordos

Os gladiadores romanos eram vegetarianos com sobrepeso e não os homens repletos de músculos retratados por atores como Russel Crowe, antropólogos dizem. Cientistas austríacos analisaram os esqueletos de dois tipos diferentes de gladiadores, os myrmillos e os retiariae, achados no sítio antigo de Ephesus, perto de Selsuk, na Turquia.

(...)

Os paleoantropólogos austríacos confiaram em um método conhecido como microanálise elemental que permite que cientistas determinem o que um ser humano comeu durante sua vida. Com a ajuda de um sonar, ele puderam estabelecer a concentração química dentro das células em amostras de osso retiradas dos esqueletos em Ephesus. A partir disto, eles puderam determinar o quanto de carne, peixe, grãos e frutas fazia parte da dieta das máquinas de luta romana.

Uma dieta balanceada de carne e vegetais deixa iguais quantidades de zinco e estrôncio nas células, enquanto uma dieta primariamente vegetariana deixa altos níveis de estrôncio e pouco zinco, disse Grossschmidt.

Fabian Kanz, do departamento de química analítica da universidade, disse que a densidade dos ossos dos gladiadores nos dá pistas sobre como eles viveram. "A densidade dos ossos era bem maior que o normal, como é o caso com os atletas modernos", ele disse.

http://www.abc.net.au/science/articles/2004/04/05/1081439.htm

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Na reunião de abril da Associação Americana de Atropólogos Físicos, uma equipe de pesquisa apresentou dados concluindo que gladiadores consumiam uma dieta consistindo primariamente de feijões, cevada e frutas secas junto com uma bebida rica em minerais.


Os antropólogos da Universidade Médica de Viena Fabian Kaz e Karl Grossschmidth analisaram esqueletos de gladiadores desenterrados perto de um antigo estádio de Ephesus onde hoje se encontra a Turquia. Os pesquisadores encontraram altos níveis do elemento traço estrôncio, associado com dietas baseadas em plantas, nos ossos dos atletas.

http://dsc.discovery.com/news/2007/06/26/gladiator_arc.html?category=animals&guid=20070626100030

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Tribo vegana no Himalaia





There are about 1,000 descendants of the Aryan tribes and they live scattered around Gilgit, Hunza, Kargil and Leh. Being nature worshippers, they celebrate the Bononah (nature) festival and are strict vegans, which means they are not only strictly vegetarian but also don't consume milk or milk products.
http://www.thehindubusinessline.com/life/2005/01/07/stories/2005010700080200.htm

Pecuária: Escravidão e Destruição de Florestas


Amazônia concentra maior parte de casos de trabalho escravo no Brasil
Atividades econômicas que destroem floresta estão ligadas ao crime.
Pará, Mato Grosso e Maranhão são estados mais afetados pelo problema.
De acordo com dados levantados pela Comissão Pastoral da Terra (CPT), 51% dos casos de trabalho escravo ocorridos em 2008 estavam ligados à pecuária.
http://www.globoamazonia.com/Amazonia/0,,MUL949648-16052,00-AMAZONIA+CONCENTRA+MAIOR+PARTE+DE+CASOS+DE+TRABALHO+ESCRAVO+NO+BRASIL.html


domingo, 21 de dezembro de 2008

Espaço Autônomo Alvorada

ALVORADAda foi um espaço autônomo temporário dedicado a contra- kultura e a vivências e praticas AnarcoPunk-Squatter, foram 40 dias de subversão e anti-arte contra a propriedade privada no mais puro principio D.I.Y. – Faça Você Mesmo.
Vejam que linda ocupação anarco-vegana:
http://alvoradada.blogspot.com/

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Carol Adams - Livros Gratuitos!!


Pessoal, o google books está disponibilizando dois dos livros mais importantes da carreira de Carol Adams. The Sexual Politics of Meat e The Pornography of Meat tratam das ligações entre sexismo e especismo, tornando explícita a forte conexão entre a objetificação de animais não-humanos e a objetificação de mulheres humanas, atribuindo ao Patriarcado uma grande responsabilidade na opressão animal.

The Sexual Politics of Meat
(As Políticas Sexuais da Carne)

http://books.google.com/books?hl=pt-BR&lr=&id=AwrwRKNavtAC&oi=fnd&pg=PA12&dq=meat+hierarchy&ots=C8LqzgqPHJ&sig=ED2-D0RqWxDrFMp54GE_OWEmJY0#PPA3,M1

The Pornography of Meat
(A Pornografia da Carne)

http://books.google.com/books?hl=pt-BR&lr=&id=PE5bszpVat4C&oi=fnd&pg=PA11&dq=%22carol+adams%22&ots=oBXJj88cb0&sig=go6mMr-mGQwsLSiYiA3fhHwDiMo#PPA7,M1

Infelizmente ainda não há tradução para português (nem mesmo comercialmente), mas estou vendo com uma amiga se pegamos pra traduzir. Voluntári@s?

Entrevista com Carol Adams

Muito Vegetariana

Entrevista com Carol Adams


Nervy Girl: A Revista da Mulher Pensante

Novembro/Dezembro de 2002, 36-37, 50-51


Entrevista por Leah Bobal

www.nervygirlmagazine.com


O inovador primeiro livro de Carol Adams, As Políticas Sexuais da Carne, publicado em 1990, determinou as fundações da teoria feminista-vegetariana ao reconhecer o relacionamento entre o tratamento dos animais e o tratamento das mulheres. Desde então, ela foi autora e editora de livros e artigos sobre eco-feminismo, violência doméstica, vegetarianismo e advocacia animal.


Nos anos 1970, Adas começou a trabalhar como uma ativista anti-violência, em adição a lutar contra o racismo, a pobreza e o sexismo. Ela começou uma hotline para mulheres agredidas na Nova Iorque rural depois de terminar seu mestrado na Yale Divinity School em 1976. Adams também serviu como representante do comitê da Comissão sobre a Violência Doméstica do governo de Nova Iorque (1984-87). Ela atualmente vive no Texas, onde ela pratica yoga, meditação e criar refeições veganas.


Além de falar sobre assuntos vegetarianos e feministas, Adams exibiu a apresentação Políticas Sexuais da Carne em universidades ao longo do país. O trabalho de Adams é também apresentado em Uma Vaca na Minha Mesa, um documentário premiado sobre nosso relacionamento com animais não-humanos pela cineasta de Vancouver Jennifer Abbott. Adams está atualmente trabalhando em seu novo livro, A Pornografia da Carne. Uma mulher bondosa e poderosamente cerebral, Adams fala aqui com Nervy Girl! sobre o passado, o presente e o futuro do vegetarianismo.


Porque você se tornou vegetariana?


A filósofa feminista Sandra Barky observou que “feministas não vêem coisas diferentes que as outras pessoas, elas vêem as mesmas coisas de forma diferente.” Eu me tornei vegetariana porque comecei a ver as mesmas coisas de forma diferente. Especificamente, a morte do meu pônei me levou a enxergar de forma diferente. No fim do meu primeiro ano na Yale Divinity School, eu retornei para Forestville, Nova Iorque, a pequena cidade de interior onde eu cresci. Enquanto eu estava desfazendo a mala, eu ouvi uma batida furiosa na porta. Nosso vizinho me cumprimentou quando eu abri a porta. Ele exclamou, “Alguém acabou de atirar no seu pônei!” Eu corri, com meu vizinho, até o pasto dos fundos atrás de nosso celeiro, e encontrei o cadáver do pônei que eu havia amado. Aqueles passos descalços entre os espinhos e os restos de uma velha macieira me deixou cara a cara com a morte de um animal não-humano. Naquela noite, enquanto eu mordia um hambúrguer, distraída com a morte do meu pônei, eu parei na metade. Eu estava pensando em um animal morto mas comia outro animal morto. Qual era a diferença entre esta vaca morta e o pônei morto que eu estaria enterrando no outro dia? Eu não podia invocar nenhuma defesa ética para um favoritismo que excluiria a vaca da minha preocupação porque eu não a tinha conhecido. Agora eu via a mesma coisa de forma diferente.


Como você se sente sobre o uso geral do termo “vegetariana”? É importante se ater a definições ou há lugar para flexibilidade? Qual a sua definição de vegetariana?


Eu gosto do termo vegetariana. É um caso de “auto-nomeação”. As próprias vegetarianas e vegetarianos escolheram o termo, não de “vegetal”, mas do latin vegethus, que é vigoroso. Mas a palavra vegetariana está ameaçada porque onívoros que não comem animais de quatro patas acham que são vegetarianos ou vegetarianas. Isto acontece, eu acho, porque “carne” é geralmente igualada com carne “vermelha”. Então as pessoas acham que há seres “polo-vegetarianos” ou “pesco-vegetarianos”. Isso também acontece porque muitas pessoas pensam que é mais saudável não comer carne de animais de quatro patas, mas que é saudável comer carne de galinhas mortas ou peixes mortos.


Muitas vegetarianas e vegetarianos tiveram a experiência de descobrir que este “pseudo-vegetarianismo” se antecipou a elas e eles em um restaurante e, se chamando de “vegetarianos”, pediram galinha ou peixe. Isto ensina a todo mundo com quem interage que o vegetarianismo aceita animais mortos. Quando uma verdadeira vegetariana entra no mesmo restaurante, ou come com as mesmas amigas ou amigos expostos ao falso vegetarianismo, é a nós que podem oferecer comida de alguém com um rosto.


Como estão relacionados o tratamento dos animais e o tratamento das mulheres em nossa cultura?


Nós vivemos em um mundo patriarcal e racista no qual homens ainda têm poder considerável sobre as mulheres, tanto na esfera pública (emprego, política) e na esfera privada (no lar, onde os resultados da violência contra a mulher resulta na morte de quatro mulheres por dia neste país). Gênero não tem a ver com diferença, tem a ver com dominância. A maneira como o gênero está estruturado em nosso mundo – a maneira como os homens têm poder sobre a mulher – está relacionado a como nós vemos os animais, especialmente animais que são consumidos.


Por bastante tempo o que era ser humano era na verdade o macho branco. Masculinidade significa “nem mulher nem animal”, e a mulher não estava incluída em masculinidade porque ela é tanto mulher quanto animal. Nós tivemos movimentos que tentaram expandir a definição de ser humano porque a verdade é que quando algo é definido como não-humano ele não precisa ser levado a sério – pode ser abusado, pode ser maltratado.


A opressão requer violência e implementos de violência. Esta violência normalmente envolve três coisas: objetificação de um ser até que ele é visto como um objeto ao invés de um ser vivo, que respira e sofre; fragmentação, ou esquartejamento, até que a existência do ser como um ser completo é destruída; e então consumo – tanto o consumo literal do animal não-humano ou o consumo da mulher fragmentada através da pornografia, através da prostituição, através do estupro, através do espancamento.


Rapidamente delineie o coração da teoria feminista-vegetariana que você originalmente delineou em As Políticas Sexuais da Carne.


As Políticas Sexuais da Carne significam que o que, ou mais precisamente, quem nós comemos é determinado pela política patriarcal de nossa cultura, e que os significados associados ao ato de comer carne inclui significados relacionados à virilidade. As Políticas Sexuais da Carne argumenta que o maneira com que a política de gênero está estruturada em nosso mundo está relacionada a como nós vemos animais, especialmente animais que são consumidos. O Patriarcado é um sistema de gênero que está implícito em nossas relações ser humano/animais. Além disso, a construção de gênero inclui instruções sobre as comidas apropriadas. Ser um homem em nossa cultura está ligado a identidades que eles possuem ou não possuem – o que homens “de verdade” fazem e o que não fazem. Não é somente uma questão de privilégio, é uma questão de simbolismo. A masculinidade é construída em nossa cultura, em parte, pelo acesso ao consumo de carne e o controle de nossos corpos.


Todo mundo é afetado pelas políticas sexuais da carne. Nós podemos jantar em um restaurante em Chicago e encontrar este item especial do cardápio: “Peitos de Peru Tamanho GG. Este sanduíche é ENORME.” Através das políticas sexuais da carne, imagens de consumo como esta provém uma maneira de nossa cultura falar abertamente e fazer piadas sobre a objetificação de mulheres sem ter que reconhecê-lo. As políticas sexuais da carne também trabalham em outro nível: a superstição persistente de que carne dá força e que homens precisam de carne. Tem havido um ressurgimento da “febre do bife” no qual a carne está associada com a masculinidade.


Isto está ligado a um mito sobre a força – homens precisam de força, e eles a conseguem da carne – é claro, vários esportistas vegetarianos refutam este mito, mas mitos são difíceis de serem derrubados. Está também ligado à associação histórica de classe da carne como uma comida da classe superior, especialmente na Europa nos últimos séculos (os únicos com acesso a grande quantidade de carne todos os dias). Uma cultura sexista irá recriar o sistema de classe nos relacionamentos entre homens e mulheres – os homens têm acesso ao que as mulheres não podem ter. Então se acreditou que homens merecem, ou têm o direito à carne em uma família. Foi a prerrogativa masculina.


Finalmente, há uma idéia de que a carne irá fazer os homens felizes com você – sua parceira. Ao longo dos anos, tem havido artigos dizendo às mulheres como preparar carne de modo que o homem delas fique feliz. Um exemplo dos anos 90 é um artigo ridículo em uma revista feminina (escrita por uma antiga colunista do New York Times!) que começava “O que os homens querem? Na minha experiência, a resposta é ótimo sexo e um grande filé, não necessariamente nesta ordem”.


Agora, eu tenho que dizer, que essa é uma visão bem limitada dos homens também. Porque acreditar em presunções sobre papéis limitantes como estes?


Em As Políticas Sexuais da Carne, eu argumentei que as mulheres se tornam vegetarianas por várias razões. À medida em que entramos em contato com nossos corpos, nós aprendemos a ouví-los, e percebemos que nos sentimos melhor depois de ficar sem carne. Além disso, muitas mulheres, por causa da maneira com que somos criadas, possuem uma ética que não tem a ver com direitos (quem tem direitos e porquê) mas com cuidado (que precisa de nossa ajuda e porquê). Isto acontece simplesmente com alguém olhando para seu prato e dizendo “Eu estou comendo um animal morto. Como este animal morreu? Como esse animal morreu? Porque estou participando nisto?”


Você tem um novo livro sendo publicado, como ele colabora com o apontado pelas Políticas Sexuais?


A Pornografia da Carne examina a maneira com que a cultura popular, a publicidade e a pornografia juntas criam um ambiente hostil e degradante para as mulheres e os animais que é retratado como “divertido”. Ela mostra como os animais são sexualidados/feminilizados e as mulheres são animalizadas. Ela introduz a idéia de “antropornografia” – retratando animais como prostitutas, e dando exemplo de propagandas que fazem isso. Examinando a “fêmea da espécie”, eu mostro como as mulheres se tornam portadoras da “identidade de espécie”, e os animais de fazenda perderam valor em nossa cultura por causa da necessidade de controlar a fêmea da espécie para assegurar a representação dos animais para que eles se tornem carne. Então espécie se torna uma categoria que está associada com “fêmea”.


Depois de mais de 20 anos como uma feminista vegetariana, você vê alguma mudança no modo como tratamos animais e/ou mulheres?


Eu queria poder dizer que sim... Mas o governo incentiva as indústrias da carne e do leite. Matadouros aceleraram a linha de assassinato, até o ponto em que os trabalhadores deve manipular (matar e desmembrar) os animais em um ritmo assustadoramente rápido. Quando eu escrevi As Políticas Sexuais da Carne, em 1990, uma estimativa de 6 bilhões de animais terrestres morriam por ano para onívoros nos Estados Unidos. Na época em que a edição de aniversário de 10 anos de As Políticas Sexuais da Carne foi publicada, o número estava em 9 bilhões e subindo.


Além disso, a pornografia cresceu incrivelmente pela Internet. A pornografia torna sensual a desigualdade feminina. A boa notícia é que mais e mais ativistas estão fazendo as conexões entre uma visão de mundo patriarcal e o modo como nós tratamos os outros animais e a Terra. O fato é que o vegetarianismo está bastante presente na consciência popular nestes dias – grandes companhias nos Estados Unidos estão comprando companhias de comida saudável e produtoras de soja por todos os cantos.


Muitos onívoros alegam que é “natural” para seres humanos comerem carne. Qual sua abordagem a respeito deste argumento?


Há duas coisas que precisamos responder quando o consumo de carne é “naturalizado”. Um é que, supostamente, nós seres humanos podemos comer carne porque somos diferentes dos outros animais – e então de repente a justificativa para comer estes animais não-humanos é que outros animais o fazem. Nos tornamos inconsistentes. Segundo – e eu acredito que isto seja parte da cultura patriarcal – nós não apenas valorizamos simbolicamente os carnívoros em nossa cultura, nós valorizamos aqueles que são chamados os carnívoros de topo carnívoros que na verdade comem outros carnívoros. A maioria dos carnívoros comem herbívoros. Seres humanos são um bom exemplo – nós comemos vacas, ovelhas, etc. No entanto, nós valorizamos leões e águias em uma mitologia cultural – seres carnívoros que na verdade são mais carnívoros do que somos. O fato é que menos de seis por cento dos animais realmente são carnívoros.


Eu acho que o que realmente está acontecendo com este argumento é que as pessoas estão construindo defesas ao redor de seu consumo de carne porque elas já estão desconfortáveis com o fato de que elas estão comendo animais mortos. Elas simplesmente usam estes argumentos que não são muito lógicos para evitarem refletir sobre seu próprio relacionamento com o vegetarianismo.


Em Nem Homem Nem Fera, você discute o privilégio. Parece agora que grãos/verduras etc. - comidas que foram uma vez consideradas somente para cidadãos e cidadãs de segunda classe (pessoas ricas comiam carne) – são agora produtos de luxo nos E.U.A. Especificamente, estou me referindo à produção de orgânicos e alternativas à carne vendidas em lojas de comida saudável. Como podemos tornar estas alternativas saudáveis mais baratas?


Primeiro, o governo fornece subsídios à indústria da carne e do leite. Se não tivéssemos um relacionamento governamental socializado com estas indústrias os hambúrgueres custariam $35. Rapidamente o veganismo seria visto pelo que é: uma maneira barata de comer. Segundo, foi sugerido que pudéssemos colocar nossas despesas de saúde e alimentação juntas – então o custo de uma dieta vegana iria ser visto como incrivelmente baixo. Nos Estados Unidos, seis das dez doenças mais mortais foram relacionadas à dieta com alta gordura e alto colesterol da carne e do leite. Terceiro, a razão pela qual a maior parte do mundo existia primariamente em uma dieta vegetariana era porque grãos, legumes e feijões são baratos.


Como o vegetarianismo é uma prática espiritual para você? Como ser vegetariana mudou sua vida?


Eu decidi mudar e me tornar vegetariana e então, ao mudar, eu comecei a experimentar o mundo de uma forma mais positiva. Eu aprendi a como fazer um compromisso através do vegetarianismo, e então eu aprendi a como manter um compromisso. Qualquer pessoa que deseja mudar o mundo ou a si mesma pode aprender isto também. Vegetarianismo oferece isso para todo mundo.


Eu acredito que nós seres humanos frequentemente falhamos em reconhecer que somos animais, que nós na verdade somos uma parte da natureza, e que estamos todos interconectados e inter-relacionados. Viver uma vida espiritual, para mim, significa honrar esses inter-relacionamentos.


Para mim, fazer o menor mal possível é um caminho muito espiritual e um caminho com integridade. As pessoas acham que vão causar mal a si mesmas ao largar a carne – há alguma natureza protetora que as impede de ligar os pontos entre o ambiente e o bem-estar e a saúde humana. Vegetarianismo surge de um desejo de tornar completo. É uma prática espiritual que nos liga ao resto da natureza e ao resto de nossa própria natureza. Ele reconhece a interconectividade de todos os seres e gera compaixão em relação a eles. É um ahimsa vivo, a ausência de violência.


Ser vegetariana é ser uma testemunha: eu farei o menor mal possível. Ser vegetariana é celebrar boa comida da terra. Ser vegetariana é experimentar graça, e nesta graça eu me alimento. Uma vida espiritual é uma vida de abundância, mas quando se trata de comer carne, as pessoas acham que vão experimentar escassez. A coisa mais importante que veganas e veganos podem fazer é viver uma vida de abundância.


No prefácio de Nem Homem Nem Fera, você relata que seu comprometimento principal foi o movimento feminista. Por quê? Sua perspectiva mudou ao longo dos anos para, digamos, passar a se comprometer ao movimento de direitos animais?


Quando eu digo que o meu primeiro comprometimento é o movimento feminista, eu não estou dizendo que não tenho comprometimento com o movimento de direitos animais. Eu não vejo o primeiro comprometimento como eliminando outros comprometimentos. Eu quero dizer que meu ativismo pelos animais é feito a partir de uma perspectiva feminista e mantém conexões entre a opressão dos animais e das mulheres. Por exemplo, a questão da violência contra as mulheres inclui a questão da violência contra animais pelos agressores. Até que reconheçamos um agressor, sua parceira e quaisquer animais que vivem com ela estão em perigo. Ou a questão dos direitos de aborto. Há ativistas dos direitos dos animais que argumentam que os direitos animais deveriam ser contra o aborto. Mas de uma perspectiva feminista, eu vejo que a questão é a gravidez forçada: eu sou contra a gravidez forçada de mulheres e fêmeas de outras espécies. Então o Feminismo provém o contexto para a proteção dos animais. Este é um ponto chave, já que algumas campanhas publicitárias pelos direitos animais podem terminar sendo misóginas quando estão cortadas de uma análise social maior.


Quais são as ações que feministas vegetarianas podem tomar para encorajar o vegetarianismo?


Cozinhar refeições veganas deliciosas e compartilhá-las. Encomendar panfletos como “Por que Veganismo?” e “Vida Vegetariana” ou “101 Razões Pelas Quais Sou Vegetariana” por Pamela Rice, e distribuí-los. Trabalhar em abrigos de mulheres agredidas para assegurar que recursos estejam disponíveis para os animais de companhia de mulheres agredidas e se oferecer para cozinhar uma refeição vegana lá. Se forem estudantes ou professoras, perseguir idéias feministas-vegetarianas escrevendo artigos. Quando conferências feministas oferecerem animais mortos como comida, escrever cartas inteligentes que levantam a questão do vegetarianismo feminista. Escrever cartas ao jornal local e responder a idéias sexistas/especistas, especialmente quando as vê combinadas. Aproveitar a vida. Sentir que seu veganismo está fazendo uma diferença e vê-lo como uma oportunidade de causar o menor mal possível. Não sentir que deve responder cada argumento que ouve de um onívoro. Sentir-se relaxada a respeito disso. Comprar livros nos quais acredita e dá-los de presente. Disseminar as idéias.


Qual é a sua esperança para o futuro do vegetarianismo?


Há muito tempo atrás em 1976 eu escrevi que se a visão feminista é a de um mundo sem opressão, então onde o consumo de carne entra nesta visão? Minha esperança é que trabalhemos em direção a um mundo sem opressão e que o façamos com a consciência de que não somos a única espécie na Terra. Pense nisso desta forma: se tornando vegetarianas, as mulheres reduzem o risco de contraírem seis das dez doenças mais mortais; então, escolhendo ser vegetarianas, feministas podem adicionar alguns anos de ativismo a suas vidas.

Quinze Perguntas para Carol Adams

Quinze Perguntas para Carol Adams


Publicado na quinta-feira, 2 de Outubro, 2003


usado sob permissão do Harvard Crimson

Por Elizabeth W. Green

Escritora da equipe do Crimson


Tradução: Coletivo Madu


Carol J. Adams, autora de As Políticas Sexuais da Carne e A Pornografia da Carne, adquiriu fama em círculos feministas-veganos-teóricos quando ela ligou a opressão de “espécie” com a opressão de gênero. Ela argumenta que a objetificação das mulheres e dos animais segue padrões similares: ambos o sexo frágil e os possuidores de quatro patas são sexualizados, desumanizados e finalmente abusados. FM se encontrou com ela depois de sua palestra na Quincy House e na Escola de Direito na semana passada.


1. Você era rotulada pelo campus como uma “teórica vegetariana-feminista” oferecendo uma “análise ecofeminista das opressões interconectadas do sexismo, racismo e especismo”. Em sua apresentação no salão de jantar da Quincy House na semana passada você chamou os aspargos de símbolos fálicos e disse que a salsa representava os pêlos púbicos. Deveríamos mesmo levar você a sério?


Desde quando um charuto é somente um charuto e um aspargo é apenas um aspargo? A maioria das pessoas não está disposta a olhar para as coisas de um jeito diferente do que nos treinaram a olhar. Imagens que estão em nosso rosto naturalizam a opressão, e reforçam a dominação, animalizando mulheres e feminilizando animais – servindo ambas como consumíveis.


2. O grupo de rock Consolidated canta uma canção com você no álbum Friendly Fascism. Você se consideram uma feminista amigável?


Todos os arranjos foram cumpridos com um aperto de mão e um sorriso.


3. Você mostra uma variedade de imagens pornográficas em seus livros e em suas apresentações. Alguém já veio a alguma das suas palestras e se desapontou em encontrar ecofeminismo?


Sim, e é por isso que não cobramos mais a taxa de entrada na saída.


4. Você criou a frase “antropornografia”. Você pode definir este termo, com referência ao popular seriado de ficção científica “Animorphs”?


Antropornografia é a apresentação de animais não-humanos como animais-prostitutas que desejam ser comidos. Desde a Vanity Fair deste mês com uma galinha morta de salto alto, até o “Peru Puta”, o sofrimento é transformado em diversão sexualizada. Com a antropornografia, a desigualdade das espécies está ligada à desigualdade de gênero; o desejo esconde a dominação. Enquanto acusam vegetarianas, veganas e ativistas dos direitos animais de antropomorfizar os animais – de projetar qualidades humanas nos animais não-humanos – parece que na verdade são onívoros e antropornógrafos que fazem isso. Ativistas dos direitos animais sabem que os animais são como os seres humanos porque os seres humanos são animais. “Animorphs”, através deste simpático tema mágico, sugere esta verdade também.


5. Eu perguntaria qual seu animal antropornográfico preferido, mas eu sinto que isso levaria a uma situação de “o pior dos dois males”. Então: se você pudesse escolher algum personagem antropornográfico para dar um soco na cara, qual seria?


Pessoalmente, eu acredito na não-violência, mas algumas das minhas amigas se ofereceram para derrubar o Hugh Heifer por mim.


6. Você tem algum animal de estimação?


Eu não tenho nenhum animal de companhia.


7. Você tem alguma coisa contra animais matando e comendo uns aos outros?


É sempre fascinante como onívoros se tornam obcecados com os hábitos alimentares dos lobos, dos leões e das hienas quando começamos a discutir como os animais de fazenda são criados em armazéns, alimentados com jornal e partes recicladas de outros herbívoros, e então assassinados. Vejamos, são os lobos ou os onívoros humanos que poderiam viver com tofu, tempeh e outras proteínas vegetais?


8. Você é bastante severa contra a pornografia e o estupro. Mas algumas pessoas argumentam que a escapatória proporcionada pela pornografia na verdade previne a violência sexual. Alguma sugestão para uma forma alternativa de escapatória?


Martha Vicinus explica o problema definindo como é a sexualidade de um ponto de vista “esmagadoramente masculino e heterossexual”: “A sexualidade é definida em termos do orgasmo masculino; é como uma força poderosa que vai aumentando até que é gasta em uma única ejaculação.” Quando tivermos igualdade, talvez nós consigamos também visualizar uma sexualidade que não precisa de objetos.


9. Qual seu prato vegano preferido?


Ravioli caseiro com molho pesto e ricota de tofu.


10. Quando ela te apresentou na semana passada, a vice-coordenadora da Quincy House, Jayne Loader, disse que quando ela é confrontada com um dilema ético ela se pergunta “O que a Carol faria?” Digamos que você tenha que escolher entre comer um pernil de carneiro inteiro e derrubar a Nona Emenda. O que a Carol faria?


Ela apontaria que esta pergunta faz parte de um jogo mental cartesiano, um ponto de vista que surge do privilégio masculino que vê tudo como feito de idéias, de abstrações. É o mesmo ponto de vista que acredita que as mulheres não deveriam votar e que os carneiros não têm sentimentos ou costelas – apenas pernis para outra pessoa devorar.


11. No filme American Pie, uma torta de maçã serve para despertar a sexualidade de um homem jovem. Já que a torta de maçã não contém nenhum produto cárneo, e pode ser feita sem leite, você aprova esta forma de sexualizar produtos alimentícios?


Eu acho que é uma homenagem a Portnoy's Complaint, onde ele se masturbou com um pedaço de fígado.


12. Eu sou uma onívora, ou, como você chama, “uma vegetariana bloqueada”. Eu vou pro Inferno?


Não, você o está vivendo agora. Você acha que mudar é difícil demais; não mudar é mais difícil, você apenas ainda não percebeu isso.


13. Você disse no salão de jantar da Quincy que você surgiu com a idéia para As Políticas Sexuais da Carne enquanto caminhava pelas ruas de Cambridge. O que nesta bela cidade te fez pensar?


É o ato de caminhar que é importante nesta estória. Caminhar, por ser rítmico, permite ao cérebro direito uma oportunidade para incubar idéias.


14. Você frequentemente fala sobre especismo ou opressão de espécie. Além de não comê-los, o que mais podemos fazer para elevar os animais na sociedade?


Pedestais sempre funcionam em uma emergência. Saltos, como eu aponto em A Pornografia da Carne, danificam a espinha. Eu estou interessada em conseguir com que os seres humanos parem de ver os animais não-humanos como seus para usar, comer, experimentar ou vestir. É curioso o quanto os seres humanos são dependentes de sua auto-conceitualização da existência dos animais como opostos, como inferiores, como os dominados, como os comestíveis.


15. Você tem levado sua mensagem a muitas faculdades ao redor do país. Eu tenho certeza de que nem todos os públicos a receberam igualmente. Qual foi a pior recepção que você já teve?


Biscoitos secos e suco de uva estragado, mas felizmente ninguém nunca preparou animais mortos ou ovos de galinha.