sábado, 9 de agosto de 2008
4º Ato no Le Cirque
Até lá, às 14h de hoje (09/08/2008), na Funarte.
Le Cirque tem alvará de funcionamento revogado
A promotora Kátia Lemos, da 4º Promotoria de Justiça de Defesa do Meio Ambiente do MPDFT, lembrou a administração da cidade de uma decisão de maio de 2007 do Tribunal de Justiça do DF e Territórios (TJDFT). O documento, assinado pela juíza substituta Luciana Ramos, determina que a DF só expeça alvará de funcionamento para circos que exponham animais com um relatório de vistoria da secretaria de Desenvolvimento Urbano e Meio Ambiente (Seduma).
A Seduma foi consultada, mas negou a permissão através do Instituto Brasília Ambiental (Ibram). "Como não temos uma área com atribuições para esse tipo de vistoria, pedimos o auxílio de técnicos do Ibama", relata o gerente de Controle, Planejamento e Operações do órgão, Juraci Mendonça. "Na vistoria os técnicos observaram que os animais realmente sofrem maus tratos. Muitos estão confinados em espaços pequenos, outros acorrentados e claramente sofrendo", detalha o gerente de Licenciamento Ambiental e dos Recursos Hídricos André Normando Bubenick. O relatório entregue pelo Ibama apresenta pareceres técnicos mostrando que vários animais estão fora de seu peso ideal, com dentes faltando e aparência de abatimento.
O Le Cirque conseguiu a autorização para operar em Brasília no dia 09 de julho. "Eles já tinham pago todas as taxas e apresentado a documentação necessária. Tínhamos manifestações favoráveis da Defesa Civil, dos bombeiros e da polícia", justifica o administrador de Brasília, Ricardo Pires. "Mas recebemos esse recomendação do Ministério Público, com o qual temos um bom relacionamento, e cassamos o alvará após consulta à Seduma", relata ainda.
A fiscalização ao não funcionamento do circo cabe à Agência de Fiscalização do GDF (Agefis) que interditou o circo. "E vamos ficar atentos, porque se eles desobedecerem hoje (ontem) ou nos próximos dias vamos lavrar o flagrante de desobediência, que pode gerar medidas administrativas e multa", afirma o diretor-geral adjunto da Agefis, Georgeano Trigueiro.
A direção do Le Cirque foi procurada pelo Correio, mas um funcionário da empresa informou que a reportagem não seria recebida. Em outubro de 2006, em outra visita a Brasília, o circo também teve problemas por causa dos maus tratos. Na época o Ibama notificou a empresa e aplicou uma multa de R$ 3,4 mil.
Fonte: http://www.correiobraziliense.com.br/html/sessao_13/2008/08/08/noticia_interna,id_sessao=13&id_noticia=24237/noticia_interna.shtml
sexta-feira, 1 de agosto de 2008
Próximo ato no Le Cirque:
Arranjamos uma quantidade interessante de madeira para pendurarmos as faixas. O que não temos ainda, mas será bem interessante conseguirmos, são latas de tinta vazias ou panelas velhas para fazermos barulho na hora das apresentações (algumas pessoas panfletarão, outras segurarão cartazes e faixas, outras gritarão, outras discutirão com funcionári@s do circo e outras devem tocar panela/lata de tinta... revezando sempre, é claro!).
Até!
Um pequeno resumo do desastroso histórico desse Circo:
25/03/2006 - Funcionários do Le Cirque agridem ambientalistas em São José/SC:
http://0nca.multiply.com/journal/item/98
Ainda em 2006, o Le Cirque foi multado pelo IBAMA por maus-tratos aos animais:http://www.ibama.gov.br/df/index.php?id_menu=97&id_arq=57
http://www.ibama.gov.br/df/index.php?id_menu=97&id_arq=57
http://www.arcabrasil.org.br/noticias/061030_le_cirque.htm
http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2006/10/362684.shtml
http://gato-negro.org/blog/le-cirque-e-multado-em-brasilia/
http://www.abeac.org.br/modules.php?name=News&file=article&sid=501
27/01/2007 - Goiânia: Manifestantes foram proibidas/os de ficarem na calçada do lado do circo, tendo, assim, que protestarem do outro lado da rua: http://prod.midiaindependente.org/pt/blue//2007/01/371881.shtml
Em maio de 2007, o dono do circo foi acusado de mentir, após dizer, em entrevista ao Jornal 'Última Hora News, de Campo Grande - MS, que seu circo era ligado à WWF-Brasil. Fez isso tentando distrair atenção de manifestantes. O fato foi desmentido pouco depois no próprio jornal e na página da Rede Ambientalista:
http://www.ultimahoranews.com/not_ler.asp?codigo=53670
http://www.wwf.org.br/natureza_brasileira/meio_ambiente_brasil/pantanal/pantanal_news/index.cfm?uNewsID=7500
Manifestações contra animais em circos (no Circo 'Le Cirque')
animais. Na última vez, o circo anunciou ficar por pouco tempo, mas acabou ficando por mais três meses, desta vez não deve ser muito diferente.
Sua primeira apresentação foi na noite da última sexta-feira (25/07), como estávamos com muito material (semi-pronto) e um pouco receos@s dos último atos (o Le Cirque sempre mostrou intolerência à discordâncias) acabamos realizando uma curta panfletagem e fomos embora. Na tarde do dia seguinte (Sábado, 26/07), já com um pouco mais de pessoas (14 no total), fomos até lá dispost@s a ficar mais tempo e oferecer maior resistência. O que não foi muito bem recebido pela equipe de segurança do Circo. Tudo começou com o responsável indo nos 'pedir' para mudar de local (sairmos da entrada do circo), o que, por motivos lógicos (o lugar onde estávamos era o melhor para chamar atenção), não foi atendido. Depois de um pouco de 'negociação' e críticas aos nosso materias (faixas e cartazes) feitas pelo responsável do circo; um funcionário, quando ia receber um panfleto (a manifestante não sabia que se tratava de um funcionário), arrancou com seu carro, de forma agressiva, para cima da manifestante e tomou todos os panfletos de suas mãos, o que terminou por causar algumas lesões em seu braço. Essa mesma manifestante agredida teve, em 2006, sua máquina fotográfica extraviada pelos mesm@s seguranças. Na ocasião, quando foi à delegacia registrar ocorrência, foi recebida assim: "mas por que você foi fazer manifestação na porta do circo também, né? Eu também sou a favor da causa animal e contribuo para o Greenpeace. Por que você em vez de ir pro circo não faz o mesmo?".
Desta vez, não foi diferente. Como sempre, tentaram diminuir o caso e nos aconselharam a parar...
Um pouco depois, um outro funcionário do circo, tentou arrancar das mãos de uma outra manifestante uma faixa, o que ele não foi realizado pois mais gente chegou para ajudá-la.
Já no final, um outro funcionário (3º já) ameaçou um manifestante que estava filmando o
ato. Esse fato, felizmente, nós conseguimos gravar. Assistam ao vídeo aqui:
http://br.youtube.com/watch?v=zULjUL95dPE
Nesse mesmo vídeo temos uma imagem do agressor da manifestante, ele é o da direita (de camisa preta, escrito Le Cirque em amarelo nas costas).
terça-feira, 24 de junho de 2008
Julgamento simbólico condena líderes europeus que apóiam as touradas
O júri da Corte Internacional de Justiça para os Animais incluiu em sua sentença simbólica um pedido para que sejam fechadas as escolas de tauromaquia e se proíba o acesso dos menores de 16 anos às praças de touro.
Além disso, solicita ao Parlamento Europeu que convoque um plebiscito para que os cidadãos da União Européia possam se pronunciar sobre a abolição dessa prática. A sentença também pede ao Papa Bento XVI que "aplique novamente" medidas "que condenem os jogos taurinos" e que estabeleçam claramente "que os espetáculos sangrentos que são as corridas devem ser" abolidos.
Por apoiar este tipo de atividade, o júri declarou simbolicamente culpados o chefe de Governo espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, o presidente da França, Nicolas Sarkozy, e seu primeiro-ministro, François Fillón, o presidente da Comissão Européia, José Manuel Barroso, e o ex-presidente português Jorge Sampaio. Este julgamento foi auspiciado pela Fundação suíça Franz Weber, que criou a Corte de Justiça para os Animais em 1979.
Durante a audiência discursaram representantes de organizações espanholas, francesas e portuguesas defensoras dos animais, assim como veterinários, psicólogos infantis, e ex-freqüentadores de touradas. Todos eles apresentaram dados e testemunhos a favor da abolição das touradas, que foram apoiados por vídeos que mostravam momentos de agonia desses animais nas praças.
Fonte: http://ultimosegundo.ig.com.br/mundo/2008/06/23/julgamento_simbolico_condena_lideres_europeus_que_apoiam_as_touradas_1384999.html
segunda-feira, 16 de junho de 2008
Veganismo cresce na Argentina e coloca em alerta criadores de animais
- Os criadores de animais de fazenda e os peleteiros da Argentina estão em alerta pelo que consideram uma onda de ataques de defensores do Veganismo, vegetarianos radicais que lutam contra os maus-tratos e a exploração de animais.
Sua última aparição foi há um mês na elegante rua Florida, no centro de Buenos Aires, onde fizeram pichações e gritaram palavras de ordem contra os negócios de venda de artigos de couro e peles, que nessa época atraem dezenas de turistas.
Os manifestantes também realizaram protestos mais radicais, como libertar galinhas e coelhos de fazendas, queimar um criadouro de chinchilas e invadir lojas de animais de estimação.
"Trata-se de grupos de adolescentes fanáticos, com transtornos psicológicos, agressivos e frustrados", disse à Agência Efe o presidente da Associação de Criadores de Chinchilas, Héctor Aleandri, que lidera a cruzada contra o que considera "terroristas ecológicos".
No extremo oposto, grupos como o Frente de Libertação Animal e a Federação Libertária Argentina dizem que os verdadeiros terroristas são os que semeiam o terror entre os animais.Em seu site chamado Calamidades, Aleandri ressalta que grupos radicais como os veganistas chegam ao extremo de libertar caracóis e enviar cartas-bomba a laboratórios que usam ratos como cobaias.
Os veganistas também fazem sua própria batalha na internet, onde exibem imagens horríveis de animais sendo maltratados e explicam seus princípios.
Além de não consumir carne, ovos, laticínios, mel e drogas desenvolvidas em laboratórios que fazem testes com animais, eles também não comem vegetais expostos a adubos de origem animal, nem usam couro, peles e tecidos de lã e seda natural.
Segundo disseram à Efe integrantes do movimento, a filosofia põe em categoria de igualdade animais "humanos e não-humanos", e por essa razão não aceitam zoológicos, corridas de cavalos, circos com animais e qualquer outra forma de "escravidão".
Na Argentina, a maioria de seus militantes tem menos de 30 anos e pertencentes a vertentes muito diversas, que vão de anarquistas a hare krishnas.
Isso explica as divergências de opinião sobre as chamadas ações diretas que buscam terminar com o "sofrimento animal". No chamado Veganismo é possível observar uma divisão entre os que brigam por um tratamento ético para os animais e os que não admitem nenhum tipo de utilização e submissão dos animais. "O vegetarianismo é uma forma de vida não violenta baseada no respeito à vida.
Só estamos a favor das ações legais, nos expressando de acordo com a lei", disse à Efe Manuel Alfredo Martí, da União Vegetariana Argentina. O grupo Anima Naturalis também optou por formas legais de protesto, como uma campanha que acaba de ser lançada na Argentina contra o uso de peles, o que para os partidários de ações mais diretas é um fiasco. Os mais moderados "promovem uma lenta mudança nas condições em que se cria e mata os animais. Isso é uma hipocrisia pois se falamos de vidas, é necessária e urgente uma ação direta contra as injustiças feitas sobre os animais inocentes", disse a jovem Jill.
A jovem é consciente de que sua postura coloca seu grupo em uma certa marginalidade, mas defende uma mudança de consciência sobre os hábitos que "afetam não só os demais animais, mas também o próprio ser humano e a Terra". "O povo acredita que somos poucos, mas somos muitos, ativos, alertas e presentes em nossa causa.
O movimento veganista acaba de começar. Não vamos parar até que todas as jaulas estejam vazias e sejam destruídas", explica Jill.Aleandri defende que leis anti-discriminação sejam aplicadas, já que os granjeiros e peleteiros são discriminados pelo fato de trabalharem com animais.
"É difícil libertar animais aqui, te esperam com uma escopeta", disse à Efe um veganista que preferiu não se identificar. EFE nk/rr
Fonte: http://ultimosegundo.ig.com.br/economia/2008/06/16/veganismo_cresce_na_argentina_e_coloca_em_alerta_criadores_de_animais_1364126.html
segunda-feira, 9 de junho de 2008
Verdes radicais representam risco para os negócios
http://jbonline.terra.com.br/editorias/economia/papel/2008/06/01/economia20080601007.html
Estudo da Ernst & Young mostra que o veganismo está entre os 10 maiores problemas que afetam as vendas de um produto
Leda Rosa
São Paulo
Valeska Velloso, advogada de 32 anos, moradora de Ipanema, lê o rótulo de qualquer produto novo antes de usar. Na dúvida, liga para a empresa. Se houver um único item de origem animal, Valeska avisa à atendente que lamenta mas não voltará a comprar o produto enquanto a substância constar na composição. Valeska é uma típica radical greening, consumidor detectado pelo estudo Os 10 maiores riscos para os negócios, da consultoria Ernst & Young.
Na pesquisa, os verdes radicais e suas exigências socioambientais são ao mesmo tempo ameaça à fartura nas vendas e demanda por mudanças estruturais em fórmulas e linhas de produção. Conforme a capacidade de cada empresa em se adequar às suas exigências, este cliente meticuloso deixa de ser risco para se tornar oportunidade de ampliar o negócio, como já perceberam inúmeras companhias que estão apostando na reformulação de seus produtos para ampliar o leque de consumidores.
O estudo entrevistou mais de 70 analistas em todo mundo para identificar as novas tendências e incertezas dos negócios nos próximos cinco anos. Foram analisados 12 setores da economia – automotivo, bancos, mercado de capitais, biotecnologia, bens de consumo, seguro, mídia e entretenimento, óleo & gás, farmacêutico, imobiliário, telecomunicações e utilidades.
O resultado foi uma lista com os 10 maiores riscos para os negócios, na qual os verdes radicais ocupam a nona posição. Entre as áreas pesquisadas, três se mostraram mais vulneráveis aos ambientalistas: óleo & gás, automobilismo, mercado de capitais, utilidades (indústria de transformação) e imobiliário. Mas a cobrança tem caráter restrito.
– É uma tendência irreversível, que faz aumentar o consumo de alimentos orgânicos e sucos naturais, busca carros mais econômicos, prioriza eletrodomésticos com menor consumo de energia e vê com reticências o álcool brasileiro se ele vier da Amazônia – diz Joel Bastos, diretor de sustentabilidade da Ernst & Young.
– Assim que descobrimos que um produto contém componente animal, avisamos a toda comunidade vegana, seja pela Internet e no boca-a-boca – diz Valeska, que divulga ainda o que sabe ao público da feira de produtos orgânicos que acontece aos sábados no bairro da Glória. – Também escrevemos para os serviços de atendimento ao consumidor (SAC) das empresas, cobrando o fim dos testes em animais e acompanhamos se estão tomando providências.
Segundo Valeska, o objetivo dos veganos não é renunciar ao consumo, mas exigir novas práticas.
– Queremos que adotem posturas mais éticas, porque o problema com os animais envolve todo o meio ambiente.
Mas, em muitos casos, pela restrição das opções do mercado, os veganos acabam optando por empresas que não se alinham totalmente com sua filosofia.
– Como é muito difícil encontrar empresas 100% veganas, ou seja que só comercializam produtos vegetais e não fazem testes em animais, optamos por corporações amigas dos veganos, com produtos 100% vegetais e que não pratiquem testes – diz a funcionária pública federal Anna Marcia, de 28 anos, moradora da Tijuca.
Vegana há cinco anos, a funcionária pública Laura Kim Barbosa, de 36 anos, percebe uma evolução na oferta de produtos nos últimos dois anos.
– Agora tem doce de leite, chocolate, linguiça e até salsicha.
Otimismo
Mas a opção não é consenso. – Tento minimizar meu incentivo de consumidor de produtos de empresas que mantêm práticas abusivas contra os animais – diz David Turchick, economista de 25 anos que mora em São Paulo. – Acho que nosso foco deve ser o público, não as empresas, porque produzem para atender à demanda. Mas sou otimista. Acho que o movimento pelo direito dos animais é uma luta que se vence neste século.
Segundo o levantamento da Ernst & Young, a busca não é exclusiva dos veganos nem do Brasil.
– Há tendências apontadas como a busca por imóveis que priorizam a economia de energia e de água e bens de consumo fabricados e utilizados com respeito ao meio ambiente entre outros – diz Bastos.
Para ele, um dos pontos mais importantes do levantamento é o que mostra o risco como o embrião da oportunidade.
– As dificuldades que as empresas teriam estão diretamente relacionadas à capacidade de alterar seus produtos ou meios de produção de tal forma que possam atender aos ‘novos’ consumidores – completa.
[ 01/06/2008 ] 02:01quinta-feira, 5 de junho de 2008
Elefante mata tratador em Bangladesh
DACA (Reuters) - Um elefante de circo pisoteou até a morte seu treinador no sudeste de Bangladesh e depois correu por uma rodovia, assustando as pessoas, disse a polícia do país na quinta-feira.
Segundo as forças de segurança, tudo começou quando o treinador atingiu o animal na cabeça com uma barra de ferro depois de o elefante ter resistido a caminhar por sobre uma ponte, perto da cidade de Barishal (280 quilômetros ao sul da capital do país, Daca), na quarta-feira.O elefante integrava um grupo de três animais dessa espécie que era levado para realizar uma apresentação em um circo, disse o chefe de polícia.Após esmagar o treinador, o elefante descontrolou-se e saiu correndo por uma estrada, onde o trânsito ficou interrompido por mais de duas horas até que o animal fosse preso a correntes.Cerca de cem dos 400 elefantes de Bangladesh vivem em cativeiro, sendo utilizados por circos, agências de trabalho e madeireiras legalizadas.Em média, cerca de 20 pessoas são mortas por elefantes selvagens no país, todos os anos, um número que vem aumentando devido à devastação das florestas.
(Reportagem de Nizam Ahmed)
quarta-feira, 28 de maio de 2008
Carol J. Adams - A Construção Social de Corpos Comestíveis e Seres Humanos como Predadores
Ecofeminism and the Eating of Animals. Hypathia, No. 6, 1991, pp. 134-137.
Tradução: Coletivo Madu
Nós somos predadores ou não somos? Em uma tentativa de nos ver como seres naturais, algumas pessoas argumentam que seres humanos são simplesmente predadores como alguns outros animais. Vegetarianismo é então visto como não natural, enquanto o carnivorismo dos outros animais é transformado em paradigmático. Direitos animais são criticados “porque não entendem que uma espécie apoiando ou sendo apoiada por outra é a forma natural de sustentação da via” (Ahlers 1990, 433). As desanalogias mais profundas com animais carnívoros permanecem intocadas porque a noção de seres humanos como predadores é consoante com a idéia de que precisamos comer carne. De fato, o carnivorismo é verdadeiro para apenas 20 por cento dos animais não-humanos. Podemos realmente generalizar desta experiência e alegar sabermos precisamente qual é a “forma natural”, ou podemos extrapolar o papel dos seres humanos de acordo com este pardigma?
Algumas feministas argumentam que comer animais é natural porque nós não temos os estômagos duplos dos herbívoros ou dentes trituradores chatos e porque chimpanzés comem carne e a consideram uma iguaria (Kevles 1990). Este argumento da anatomia envolve filtração seletiva. De fato, todos os primatas são primariamente herbívoros. Apesar de alguns chimpanzés terem sido observados comendo carne morta – no máximo, seis vezes ao mês – alguns nunca comem carne. Corpos mortos constituem menos de 4 por cento da dieta do chimpanzé; muitos comem insetos, e eles não comem laticínios (Barnard 1990). Isto soa como a dieta dos seres humanos?
Chimpanzés, como a maioria dos animais carnívoros, são aparentemente melhor adaptados a capturar animais do que seres humanos são. Nós nos movimentamos muito mais devagar que eles. Eles tem dentes caninos de longa projeção para rasgar pele; todos os hominóides perderam seus caninos de longa projeção há 3,5 milhões de anos atrás, aparentemente para permitir mais ação esmagadora consistente com uma dieta de frutas, folhas, nozes, verduras e legumes. Se nós conseguirmos capturar presas animais nós não poderemos rasgar suas peles. Quando seres humanos viviam forrageando e óleo era raro, a carne de animais mortos era uma boa fonte de calorias. Pode ser que o aspecto de “iguaria” da carne tenha a ver com uma habilidade de reconhecer fontes densas de calorias. Entretanto, nós não mais temos necessidade de fontes tão densas de calorias como gordura animal, já que nosso problema não é a falta de gordura mas gordura demais.
Quando se argumenta que comer animais é natural, se presume que devermos continuar consumindo animais porque isto é o que nós requeremos para sobreviver, sobreviver de uma forma consoante com uma vida desimpedida por limitações culturais artificiais que nos privam da experiência de nosso eu verdadeiro. Mas como sabemos o que é natural quando se fala em alimentação, tanto por causa da construção social da realidade e do fato de que nossa história indica uma mensagem muito confusa sobre comer animais? Algumas pessoas o fizeram; a maioria não o fez, pelo menos a algum alto grau.
O argumento sobre o que é natural – ou seja, de acordo com seu significado, não culturalmente construído, nem artificial, mas algo que no retorna ao nosso eu verdadeiro – aparece em um contexto diferente que sempre atiça as suspeitas de feministas. Frequentemente é argumentado que a subordinação da mulher ao homem é natural. Este argumento tenta negar a realidade social através da apelação ao “natural”. O argumento do predador “natural” igualmente ignora a construção social. Já que comemos cadáveres de uma maneira bem diferente do que os outros animais – desmembrados, não mortos frescos, não crus, e com outros alimentos presentes – o que o faz natural?
Carne é uma construção social criada para parecer natural e inevitável. Na época em que o argumento da analogia com animais carnívoros é feita, o indivíduo fazendo tal argumento provavelmente consumiu animais desde antes do tempo em que ela ou ele podia falar. Racionalizações para o consumo de animais foram provavelmente oferecidas quando este indivíduo à idade de quatro ou cinco anos estava desconfortável com a descoberta de que a carne vem de animais mortos. O gosto do corpo morto precedeu as racionalizações, e ofereceu uma forte fundação para acreditar que as racionalizações eram verdadeiras, e pessoas nascidas nas últimas décadas enfrentaram o problema adicional de que, enquanto cresciam, carne e laticínios haviam sido canonizados como dois dos quatro grupos alimentares básicos. (Isto ocorreu nos anos 1950 e resultaram de pressões da indústria de laticínios e da carne. Na virada do século haviam doze grupos alimentares básicos.) Logo, indivíduos que não haviam experimentado gratificação no paladar ao comer animais podiam verdadeiramente acreditar no que lhes disseram interminavelmente desde a infância – que animais mortos são necessários para a sobrevivência humana. A idéia de que comer carne é natural se desenvolve neste contexto. Ideologia faz o artefato parecer natural, predestinado. De fato, a ideologia em si mesma desaparece perante a farsa de que esta é uma “questão alimentar”.
Nós interagimos com animais individuais diariamente se os comemos. Entretanto, esta afirmação e suas implicações são reposicionadas para que o animal desapareça e seja dito que estamos interagindo com uma forma de comida que foi nomeada “carne”. Em As Políticas Sexuais da Carne, eu chamo este processo conceitual no qual o animal desaparece de estrutura do referencial ausente. Animais em nome e corpo são feitos ausentes como animais para que a carne exista. Se animais estão vivos eles não podem ser carne. Logo, um cadáver substitui o animal vivo e animais se tornam referenciais ausentes. Sem animais não haveria consumo de carne, no entanto eles estão ausentes do ato de comer carne porque eles foram transformados em comida.
Animais são feitos ausentes através da linguagem, que renomeia cadáveres antes que consumidores e consumidoras participem em comê-los. O referencial ausente nos permite esquecer do animal como uma entidade independente. O assado no prato é desencorporado do porco o qual ela ou ele um dia foi. O referencial ausente também nos permite resistir a esforços para fazer animais presentes, perpetuando uma hierarquia meios-fins.
O referencial ausente resulta de e reforça o cativeiro ideológico: a ideologia patriarcal estabelece o padrão cultural de humano/animal, cria critérios que posicionam a diferença de espécie como importante em considerar quem pode ser meio e quem pode ser fim, e então nos doutrina a acreditar que precisamos comer animais. Simultaneamente, a estrutura do referencial ausente mantém animais ausentes de nosso entendimento da ideologia patriarcal e nos torna resistentes a ter animais feitos presentes. Isto significa que nós continuamos a interpretar animais da perspectiva de interesses e necessidades humanas: nós os vemos como usáveis e consumíveis. Muito do discurso feminista participa desta estrutura ao falhar em tornar os animais visíveis.
Ontologia recapitula a ideologia. Em outras palavras, a ideologia cria o que parece ser ontológico: se mulheres são ontologizadas como seres sexuais (ou estupráveis, como algumas feministas argumentam), animais são ontologizados como transportadores de carne. Ao ontologizar mulheres e animais como objetos, nossa linguagem simultaneamente elimina o fato de que outra pessoa está agindo como sujeito/agente/perpetrador de violência. Sarah Hoagland demonstra como isto funciona: “João violentou Maria,” se torna “Maria foi violentada por João,” então “Maria foi violentada”, e finalmente “mulher violentada,” e logo “mulheres violentadas” (Hoagland 1988, 17-18). Lembrando violência contra mulheres e a criação do termo “mulheres violentadas,” Hoagland observa que “agora algo que os homens fazem a mulheres se tornou, pelo contrário, parte da natureza da mulher. E nós perdemos consideração de João inteiramente.”
A noção do corpo animal como comestível ocorre em uma maneira similar e remove a atuação de seres humanos que compram animais mortos para consumi-los: “Alguém mata animais para comer seus corpos como carne,” se torna “animais são mortos para serem comidos como carne,” então “animais são carne,” e finalmente “animais de carne,” logo “carne”.
Algo que fazemos aos animais se torna, pelo contrário, algo que é parte da natureza dos animais, e nós perdemos consideração de nosso papel inteiramente.
Referências
Ahlers, Julia. Thinking like a mountain: Toward a sensible land ethic. Christian Century (April 25): 433-34.
Barnard, Neal. 1990. The evolution of the human diet. In The power of your plate. Summertown, TN: Book Publishing Co.
Hoagland, Sarah Lucia. 1988. Lesbian ethics: Toward new values. Palo Alto, CA: Institute for Lesbian Studies.
Kevles, Bettyann. 1990. Meat, morality and masculinity. The Women's Review of Books (May): 11-12.