Recentemente me perguntaram a seguinte questão: “O que se diz a pessoas que são veganas e que educam outras sobre veganismo mas que também estão preocupadas quanto a circos, caça e outras formas particulares de exploração animal? Você aconselha que elas nem mesmo toquem nesses assuntos e simplesmente foquem em veganismo?”
É claro que não.
Certamente é verdade que eu não aconselho que defensoras e defensores gastem seu tempo e recursos em uma campanha de assunto único. A razão é simples: campanhas de assunto único invariavelmente passam a impressão de que algumas formas de exploração animal são moralmente diferenciáveis de outras e são piores e deveriam ser abordadas separadamente para uma crítica especial. Por exemplo, uma campanha contra o uso de peles passa a impressão de que há alguma diferença moralmente relevante entre pele e outras formas de vestimenta animal, como couro ou lã. Uma campanha contra o consumo de carne animal passa a impressão de que comer carne é moralmente mais deplorável que beber leite ou comer ovos. Uma campanha contra ovos de granjas tradicionais sugere que ovos “caipiras” são moralmente desejáveis.
Este problema é inerente com campanhas de assunto único em uma sociedade em que a exploração animal é tida como normal. Se X, Y e Z são todas consideradas práticas normais em uma sociedade e estão fortemente relacionadas, então uma campanha contra X, mas não contra Y e Z, sugere que há alguma diferença relevante entre X de um lado e Y e Z de outro. Por exemplo, vivemos em uma sociedade na qual é considerado normal ou “natural” comer carne animal e outros produtos animais. Uma campanha que foque em carne passa a impressão de que há uma diferença moral entre carne e outros produtos animais, o que não é o caso. A prova disto é encontrada no fato de que muitas pessoas envolvidas na causa animal são vegetarianas mas não veganas. Se elas vêem distinção, então o que podemos esperar do público em geral?
Esta situação deve ser diferenciada de uma em que X, Y e Z são todas resguardadas como atividades ou práticas objetáveis. Por exemplo, todas e todos nós reconhecemos genocídio como uma coisa ruim, esteja ele acontecendo em Darfur, Somália ou Bósnia. Se nós temos uma campanha para parar o genocídio em Darfur, isto não significa que nós achamos que o genocídio em outros lugares é aceitável. Nós reconhecemos o estupro e a pedofilia como moralmente objetáveis. Uma campanha contra um não implica qualquer aprovação tácita do outro ou qualquer visão que um é moralmente diferençável do outro.
Este problema inerente com campanhas animais de assunto único é exacerbada pelo fato de que grupos animais que promovem essas campanhas frequentemente parabenizam exploradores que possam parar ou modificar alguma prática exploratória mas continuam a se empenhar em outras práticas relacionadas. Por exemplo, alguns defensores e defensoras apoiam ovos “caipiras” como a alternativa “socialmente responsável” aos ovos de granja tradicionais. Muitas grandes organizações de defesa animal patrocinam ou aprovam selos “humanos” que são colocados em produtos animais. Um proeminente eticista animal clama que ser um “onívoro consciente” é “uma posição ética defensível”. Isto passa uma mensagem moral muito clara e explícita: algumas formas de exploração animal são moralmente aceitáveis.
Além disso, campanhas de assunto único não apenas criam a falsa impressão de que algumas formas de exploração são qualitativamente diferentes em um senso moral que outras mas frequentemente resultam em falsas “vitórias”. Por exemplo, a campanha de assunto único na Califórnia contra o foie gras resultou em uma lei que foi na verdade apoiada pelo único produtor de foie gras na Califórnia porque ela o imunizou contra qualquer ação legal até 2012 e provavelmente vai ser rejeitada antes que seja posta em prática se a produção puder ser transformada para se tornar mais “humana.”
Então eu não sou muito fã de colocar tempo e dinheiro em campanhas de assunto único. Eu continuo afirmando que o nosso tempo, esforço e outros recursos são melhor alocados na promoção do veganismo. Enquanto mais de 99% do planeta acredita que comer alimentos animais e o consumo ou uso de produtos animais é aceitável, nós nunca conseguiremos fazer a mudança de paradigma que precisamos fazer se nós vamos mudar a noção de que seres humanos têm um direito moral de explorar não-humanos. Nós precisamos construir um movimento não-violento para a abolição que tenha o veganismo como sua base moral.
Mas isso não significa que nós não deveríamos nos opor a tipos de exploração em particular. Por exemplo, no último fim de semana, Eight Belles, que correu no Kentucky Derby, foi morta imediatamente após a corrida e na pista onde seus calcanhares cederam como resultado de uma corrida por uma duração e a uma velocidade para as quais ela não estava adequada. Eu fui entrevistado em um programa de rádio e fui perguntado sobre minhas visões a respeito de Eight Belles. Eu expliquei que eu me opunha a toda a corrida de cavalos mas como uma parte de minha visão geral de que seres humanos não têm qualquer justificativa moral para usar animais não-humanos, incluindo para alimentação. O apresentador do programa continuou a partir daí e falou como ele ama e se preocupa com seu cachorro mas participou de um churrasco no fim de semana passado no qual ele consumiu outros animais. Então, em uma questão de poucos minutos, a conexão entre corrida de cavalos e outras formas de exploração, particularmente o ato de comer produtos animais, foi feita.
Então quando nós discutimos e criticamos formas particulares de exploração, é importante deixar claro que nós enxergamos a prática particular como injustificável moralmente e não que nós achamos que a prática ou atividade possa melhorar se a regularmos para que se torne mais “humana”. E é crucial deixar claro que nossa oposição à prática ou atividade é parte de nossa oposição a todo o uso animal. Nós não devemos fugir de deixar claro que nós procuramos a abolição de toda a exploração animal.
Então, quando você se confrontar com uma prática ou atividade em particular e quer ou te pedem para comentar, você deve fazê-lo se estiver com disposição. Apenas deixe claro que a solução para o problema não é tornar a atividade ou prática mais “humana”, mas reconhecer que a prática é transparentemente frívola, assim como a maioria do uso de animais não-humanos, e deve ser abolida – assim como toda exploração animal deveria.
Aqui estão dois exemplos:
P: Eu estava lendo sobre foie gras. O jeito que fazem é terrível, não é?
R: Com certeza é. Mas não é realmente diferente de todo o resto que comemos. O bife que você comeu hoje, ou o copo de leite que você bebeu esta manhã, envolveu um processo de produção tão horrível quanto o foie gras. E nós não temos o direito de matar animais não-humanos só porque achamos que eles têm um gosto bom independentemente do jeito que os tratamos.
P: O circo está vindo para a cidade. O que você, advogado dos animais, acha sobre o uso de animais em circos?
R: Eu acho horrível. Nós impomos sofrimento e morte aos animais por mera diversão e isso é realmente incoerente com o que alegamos acreditar quando expressamos nossa concordância com a afirmação de que é errado infligir sofrimento “desnecessário” em animais. Mas usar animais em circos na verdade não é diferente de comer animais, o que é também algo que envolve nosso prazer ou diversão e é tão incoerente quanto com o que dizemos acreditar. Não há sentido no fato de que tratamos alguns animais não-humanos como membros de nossas famílias e enfiamos garfos em outros ou os torturamos para nosso prazer em circos, zoológicos ou rodeios.
Se você deve gastar seu tempo e energia em legislações envolvendo circos é outro assunto. Como eu disse, neste ponto do tempo, o contexto cultural é tal que faz bem mais sentido gastar nosso tempo com foco no uso de animais para comida, o qual é a prática primária que, com efeito, legitimiza outras formas de exploração. Mas se você realmente decidir fazer campanha contra circos, sua campanha deve, no mínimo, opor o uso de todos os animais em circos e não ter exceções, e deixar claro que circos não são melhores ou piores que outras formas de uso animal, todas as quais devem ser abolidas se nós queremos levar os animais a sério.
Gary L. Francione
© 2008 Gary L. Francione
Tradução: Coletivo Madu
domingo, 18 de maio de 2008
Gary Francione - Educação Vegana Facilitada – Parte 1
Uma das coisas que eu ouço frequentemente é que educar pessoas, particularmente as estranhas, sobre veganismo, é difícil.
Pelo contrário, nossas interações diárias com as pessoas nos provêm com muitas oportunidades para discutir veganismo. Este ensaio vai discutir alguns exemplos. Eu discutirei mais exemplos em ensaios futuros.
Por exemplo, em Janeiro deste ano, eu tive que levar Robert, um de nossos cães, para uma especialista na Escola Veterinária da Universidade da Pensilvânia. Havia uma mulher – eu me referirei a ela como “Jane” para os propósitos deste ensaio mas este não era o nome real dela – sentada comigo na área de espera. Jane tinha um greyhound com ela. E, como sempre acontece quando dois seres humanos estão em tais lugares com suas companhias não-humanas, nós começamos a conversar sobre quais problemas de saúde nos trouxeram à universidade. E isso levou a como Jane adotou seu cão de um grupo de resgate e como o nosso cão foi achado vivendo debaixo de um carro abandonado.
Depois de um minuto ou dois de discutir o quão horrível a indústria de corrida de greyhounds é, eu disse a Jane que eu costumava lecionar na Universidade da Pensilvânia há muitos anos atrás, e que a universidade era notória pelos horríveis experimentos, testes e procedimentos “educacionais” que ela desenvolvia em cães e outros animais não-humanos. Ela disse que ela ouviu sobre os experimentos em animais da universidade e eu mencionei o quão estranho era que uma parte do prédio era devotada à aplicação de medicina veterinária para ajudar os animais que são amados por seres humanos e outra parte do prédio era devotada a torturar animais não-humanos que não eram membros da família de ninguém. Jane argumentou que realmente não fazia sentido que nós tratássemos alguns cães ou gatos como membros familiares e que tratássemos alguns cães e gatos como “ferramentas de pesquisa”.
“Verdade,” eu disse. “Mas de diversas formas, nós somos iguais a esses veterinários da universidade. Nós tratamos alguns animais como membros familiares e machucamos outros.”
Ela olhou espantada. “O que você quer dizer? Eu nunca machucaria um cão ou gato.” Eu movi a conversa para longe de cães e gatos e comecei a conversar sobre vacas, porcos e galinhas, e como na verdade não são diferentes de cães e gatos. Há algo muito estranho sobre o fato de que guardamos alguns animais não-humanos como membros familiares, como seres os quais amamos e reconhecemos como pessoas, enquanto, ao mesmo tempo, nós enfiamos garfos em outros animais que não são diferentes – moralmente ou empiricamente – daqueles que amamos.
Jane ficou em silêncio por um momento e então perguntou, “você é vegetariano?”
“Eu sou vegano”, eu respondi.
“Quer dizer que você nem mesmo bebe leite?” ela perguntou.
“Isso mesmo. Eu não como ovos, nem laticínios.”
“Eu posso compreender que alguém não coma carne. Mas o que há de errado com laticínios e ovos?”
“Tudo. Os animais usados para a indústria de leite ou de ovos são mantidos vivos por mais tempo que seus companheiros ‘de carne’, mas são tratados pior, e terminam no mesmo horrível matadouro.”
Jane parecia perturbada.
“Mas não é muito difícil ser vegano?” ela perguntou.
“Absolutamente não,” eu respondi. “É inacreditavelmente fácil e é melhor pra você e para o planeta, em adição a ser a coisa certa a se fazer se você considera animais não-humanos como membros da comunidade moral.” Eu gastei alguns minutes falando dos benefícios à saúde de uma dieta vegana e do desastre ecológico da pecuária.
Nossa conversa parou por aproximadamente 30 segundos e então Jane perguntou, “você pode me conseguir alguma informação sobre como me tornar vegana?”
“Claro. Me dê seu correio eletrônico.” Ela me deu.
Nós conversamos por mais alguns minutos sobre a grande variedade de comidas veganas que estão agora disponíveis, e Robert e eu fomos chamados para ver a veterinária. Jane já tinha ido quando nós saímos. Naquela tarde, eu mandei a Jane diversas coisas para ler sobre veganismo – todas sobre as questões morais, de saúde e ecológicas relacionadas ao veganismo, e alguma informação prática sobre nutrição e como fazer comida vegana rápida e fácil. Naquela noite, eu tive uma curta resposta, “Obrigada. Eu vou lê-los com interesse.”
Duas semanas atrás, eu recebi uma mensagem de Jane – o primeiro que eu recebi dela desde que mandei os materiais. Ela dizia, em parte: “Eu já estou aproximadamente 60% vegana e estou trabalhando pra chegar aos 100 %. Eu já me sinto melhor tanto em questão de meu espírito quanto de meu corpo. Eu estou usando a comida canina vegana que você recomendou e ela ama! Obrigada por dispor de seu tempo.”
Hospitais e consultórios veterinários são sempre ótimos lugares para começar conversas sobre veganismo. Pessoas estão focalizadas em sua companhia não-humana e estão emocionalmente muito abertas a pensar de forma mais abstrata sobre animais não-humanos de uma forma geral. Eu não posso me lembrar de estar em um consultório veterinário (e nós tivemos até sete cães resgatados de uma vez, então tivemos bastante experiência no consultório) onde eu não começasse uma conversa com alguém que desviasse para o veganismo.
Outro grande lugar para conversar sobre veganismo é em um avião.
Quando você pede algum tipo de refeição especial em um vôo, essas refeições são geralmente servidas primeiro. O comissário ou a comissária de bordo vem e pergunta se você pediu uma “refeição especial”. Eu sempre respondo “Sim, eu pedi uma refeição vegana sem quaisquer produtos animais.” Na maioria das vezes, a pessoa sentada ao meu lado, ou as duas pessoas sentadas em ambos os lados (se estou no assento do meio) me perguntam se eu tenho alergias ou porque eu pedi tal refeição. Isto, é claro, abre as portas para uma discussão sobre porque eu sou vegano. Dependendo do atraso entre receber minha refeição e a distribuição do resto, eu tive perto de 20% das pessoas com as quais eu converso perguntando para a comissária ou comissário se há outra refeição vegana quando o carrinho chega. (Na verdade, eu nunca começo a comer minha refeição até que o carrinho chegue, e, no momento em que isso acontece e não há refeição vegana extra, eu dou a minha com alegria para essa pessoa, o que ocorreu em várias ocasiões)
Algumas das melhores discussões que eu tive sobre direitos animais e veganismo aconteceram em aviões, particularmente em vôos transatlânticos. Você se prende ao lado de alguém por aproximadamente 7 horas e as pessoas estão frequentemente muito alegres de gastar pelo menos um pouco daquele tempo conversando com a pessoa sentada ao lado delas.
Uma das minhas histórias favoritas aconteceu há vários anos atrás. Eu estava a caminho de Paris sentado ao lado de uma mulher que tinha um casaco de peles. Ela não estava vestindo o casaco, mas o tinha com ela contra seu assento. Eu estava lendo minha cópia de Introdução aos Direitos Animais, sobre o qual, na época, eu estava pensando em fazer uma segunda edição e considerava mudanças que poderia fazer. O vôo estava atrasado ao deixar o Aeroporto de Newark, então tivemos alguma conversa fiada sobre vôos de conexão que tivemos em Paris. Ela viu meu livro e perguntou “este é um livro bom?” Eu sorri e disse que era um livro “excelente”! Ela me perguntou se eu era um “tipo dos direitos animais.” Eu respondi que era, e ela gastou os próximos 30 minutos (durante os quais ainda estávamos no portão) conversando sobre seus dois cães e quanto ela ia sentir a falta deles enquanto estivesse na viagem de negócios à França, etc.
E então ela levantou a questão do casaco de pele. Ela disse “meu casaco deve ofender você. Me desculpe.” Ela começou a explicar pra mim que era um casaco de raposa “criada em fazenda” e que os animais não eram pegos em armadilhas. Eu expliquei como animais “de fazenda” são tão torturados quanto os de armadilhas, mas eu argumentei que eu achava o casaco dela – fosse “criado em fazenda” ou pego em armadilhas – não mais ofensivo que um casaco feito de couro ou lã. Ele pareceu surpresa com isto. “Você não usa lã ou couro?” “Não,” eu respondi, “sou vegano.”
Eu gastei os próximos 15 minutos (ainda no portão) explicando o que é veganismo e assegurando a ela que o veganismo provém uma grande variedade de possibilidades alimentares excitantes e saudáveis, e é a escolha lógica para qualquer pessoa que se preocupa com animais não-humanos. Eu então sugeri a ela que as raposas que foram mortas para fazer o casaco não eram diferentes dos cães dos quais ela estava triste em deixar para trás em Nova Iorque por duas semanas. Nós então começamos a conversar sobre nossa “esquizofrenia moral”, que afeta e infecta nosso pensamento sobre animais não-humanos.
O avião decolou, o serviço de refeições começou, eu recebi minha refeição vegana e minha vizinha perguntou por uma refeição vegana extra a bordo. Havia uma refeição extra e ela a solicitou. Nós passamos as próximas horas conversando sobre direitos animais e veganismo e eu confessei ser eu o autor do livro sobre o qual ela havia perguntado!
Aproximadamente dois meses após aquele vôo, eu recebi uma mensagem dessa pessoa. Ela havia doado seu casaco de peles para um grupo animal que usaria em manifestações anti-pele e ela havia encomendado e lido Introdução aos Direitos Animais. Ela estava caminhando em direção ao veganismo, usando uma técnica que eu havia sugerido a ela onde ela desistiria de todos os produtos animais por uma refeição, então por duas, por três e então para todos os lanches. Outros dois ou três meses depois se passaram e ela me escreveu para dizer que estava completamente vegana.
Educação vegana é desafiadora. Vivemos em uma cultura na qual a maioria das pessoas presume sem pensar que consumir produtos animais é “normal” ou “natural”. Educação vegana é um trabalho que leva tempo; ela frequentemente requer trabalhos individuais e demandam uma boa quantidade de tempo.
Mas a vida diária nos apresenta com todos os tipos de oportunidades para educar as outras pessoas e as oportunidades mais efetivas são trocas calmas e amigáveis entre dois seres humanos pensantes.
E cada pessoa que se torna vegana é uma contribuição vital para a revolução não-violenta que vai eventualmente mudar o paradigma de animais como propriedade para animais como pessoas.
Gary L. Francione
© 2008 Gary L. Francione
Tradução: Coletivo Madu
Pelo contrário, nossas interações diárias com as pessoas nos provêm com muitas oportunidades para discutir veganismo. Este ensaio vai discutir alguns exemplos. Eu discutirei mais exemplos em ensaios futuros.
Por exemplo, em Janeiro deste ano, eu tive que levar Robert, um de nossos cães, para uma especialista na Escola Veterinária da Universidade da Pensilvânia. Havia uma mulher – eu me referirei a ela como “Jane” para os propósitos deste ensaio mas este não era o nome real dela – sentada comigo na área de espera. Jane tinha um greyhound com ela. E, como sempre acontece quando dois seres humanos estão em tais lugares com suas companhias não-humanas, nós começamos a conversar sobre quais problemas de saúde nos trouxeram à universidade. E isso levou a como Jane adotou seu cão de um grupo de resgate e como o nosso cão foi achado vivendo debaixo de um carro abandonado.
Depois de um minuto ou dois de discutir o quão horrível a indústria de corrida de greyhounds é, eu disse a Jane que eu costumava lecionar na Universidade da Pensilvânia há muitos anos atrás, e que a universidade era notória pelos horríveis experimentos, testes e procedimentos “educacionais” que ela desenvolvia em cães e outros animais não-humanos. Ela disse que ela ouviu sobre os experimentos em animais da universidade e eu mencionei o quão estranho era que uma parte do prédio era devotada à aplicação de medicina veterinária para ajudar os animais que são amados por seres humanos e outra parte do prédio era devotada a torturar animais não-humanos que não eram membros da família de ninguém. Jane argumentou que realmente não fazia sentido que nós tratássemos alguns cães ou gatos como membros familiares e que tratássemos alguns cães e gatos como “ferramentas de pesquisa”.
“Verdade,” eu disse. “Mas de diversas formas, nós somos iguais a esses veterinários da universidade. Nós tratamos alguns animais como membros familiares e machucamos outros.”
Ela olhou espantada. “O que você quer dizer? Eu nunca machucaria um cão ou gato.” Eu movi a conversa para longe de cães e gatos e comecei a conversar sobre vacas, porcos e galinhas, e como na verdade não são diferentes de cães e gatos. Há algo muito estranho sobre o fato de que guardamos alguns animais não-humanos como membros familiares, como seres os quais amamos e reconhecemos como pessoas, enquanto, ao mesmo tempo, nós enfiamos garfos em outros animais que não são diferentes – moralmente ou empiricamente – daqueles que amamos.
Jane ficou em silêncio por um momento e então perguntou, “você é vegetariano?”
“Eu sou vegano”, eu respondi.
“Quer dizer que você nem mesmo bebe leite?” ela perguntou.
“Isso mesmo. Eu não como ovos, nem laticínios.”
“Eu posso compreender que alguém não coma carne. Mas o que há de errado com laticínios e ovos?”
“Tudo. Os animais usados para a indústria de leite ou de ovos são mantidos vivos por mais tempo que seus companheiros ‘de carne’, mas são tratados pior, e terminam no mesmo horrível matadouro.”
Jane parecia perturbada.
“Mas não é muito difícil ser vegano?” ela perguntou.
“Absolutamente não,” eu respondi. “É inacreditavelmente fácil e é melhor pra você e para o planeta, em adição a ser a coisa certa a se fazer se você considera animais não-humanos como membros da comunidade moral.” Eu gastei alguns minutes falando dos benefícios à saúde de uma dieta vegana e do desastre ecológico da pecuária.
Nossa conversa parou por aproximadamente 30 segundos e então Jane perguntou, “você pode me conseguir alguma informação sobre como me tornar vegana?”
“Claro. Me dê seu correio eletrônico.” Ela me deu.
Nós conversamos por mais alguns minutos sobre a grande variedade de comidas veganas que estão agora disponíveis, e Robert e eu fomos chamados para ver a veterinária. Jane já tinha ido quando nós saímos. Naquela tarde, eu mandei a Jane diversas coisas para ler sobre veganismo – todas sobre as questões morais, de saúde e ecológicas relacionadas ao veganismo, e alguma informação prática sobre nutrição e como fazer comida vegana rápida e fácil. Naquela noite, eu tive uma curta resposta, “Obrigada. Eu vou lê-los com interesse.”
Duas semanas atrás, eu recebi uma mensagem de Jane – o primeiro que eu recebi dela desde que mandei os materiais. Ela dizia, em parte: “Eu já estou aproximadamente 60% vegana e estou trabalhando pra chegar aos 100 %. Eu já me sinto melhor tanto em questão de meu espírito quanto de meu corpo. Eu estou usando a comida canina vegana que você recomendou e ela ama! Obrigada por dispor de seu tempo.”
Hospitais e consultórios veterinários são sempre ótimos lugares para começar conversas sobre veganismo. Pessoas estão focalizadas em sua companhia não-humana e estão emocionalmente muito abertas a pensar de forma mais abstrata sobre animais não-humanos de uma forma geral. Eu não posso me lembrar de estar em um consultório veterinário (e nós tivemos até sete cães resgatados de uma vez, então tivemos bastante experiência no consultório) onde eu não começasse uma conversa com alguém que desviasse para o veganismo.
Outro grande lugar para conversar sobre veganismo é em um avião.
Quando você pede algum tipo de refeição especial em um vôo, essas refeições são geralmente servidas primeiro. O comissário ou a comissária de bordo vem e pergunta se você pediu uma “refeição especial”. Eu sempre respondo “Sim, eu pedi uma refeição vegana sem quaisquer produtos animais.” Na maioria das vezes, a pessoa sentada ao meu lado, ou as duas pessoas sentadas em ambos os lados (se estou no assento do meio) me perguntam se eu tenho alergias ou porque eu pedi tal refeição. Isto, é claro, abre as portas para uma discussão sobre porque eu sou vegano. Dependendo do atraso entre receber minha refeição e a distribuição do resto, eu tive perto de 20% das pessoas com as quais eu converso perguntando para a comissária ou comissário se há outra refeição vegana quando o carrinho chega. (Na verdade, eu nunca começo a comer minha refeição até que o carrinho chegue, e, no momento em que isso acontece e não há refeição vegana extra, eu dou a minha com alegria para essa pessoa, o que ocorreu em várias ocasiões)
Algumas das melhores discussões que eu tive sobre direitos animais e veganismo aconteceram em aviões, particularmente em vôos transatlânticos. Você se prende ao lado de alguém por aproximadamente 7 horas e as pessoas estão frequentemente muito alegres de gastar pelo menos um pouco daquele tempo conversando com a pessoa sentada ao lado delas.
Uma das minhas histórias favoritas aconteceu há vários anos atrás. Eu estava a caminho de Paris sentado ao lado de uma mulher que tinha um casaco de peles. Ela não estava vestindo o casaco, mas o tinha com ela contra seu assento. Eu estava lendo minha cópia de Introdução aos Direitos Animais, sobre o qual, na época, eu estava pensando em fazer uma segunda edição e considerava mudanças que poderia fazer. O vôo estava atrasado ao deixar o Aeroporto de Newark, então tivemos alguma conversa fiada sobre vôos de conexão que tivemos em Paris. Ela viu meu livro e perguntou “este é um livro bom?” Eu sorri e disse que era um livro “excelente”! Ela me perguntou se eu era um “tipo dos direitos animais.” Eu respondi que era, e ela gastou os próximos 30 minutos (durante os quais ainda estávamos no portão) conversando sobre seus dois cães e quanto ela ia sentir a falta deles enquanto estivesse na viagem de negócios à França, etc.
E então ela levantou a questão do casaco de pele. Ela disse “meu casaco deve ofender você. Me desculpe.” Ela começou a explicar pra mim que era um casaco de raposa “criada em fazenda” e que os animais não eram pegos em armadilhas. Eu expliquei como animais “de fazenda” são tão torturados quanto os de armadilhas, mas eu argumentei que eu achava o casaco dela – fosse “criado em fazenda” ou pego em armadilhas – não mais ofensivo que um casaco feito de couro ou lã. Ele pareceu surpresa com isto. “Você não usa lã ou couro?” “Não,” eu respondi, “sou vegano.”
Eu gastei os próximos 15 minutos (ainda no portão) explicando o que é veganismo e assegurando a ela que o veganismo provém uma grande variedade de possibilidades alimentares excitantes e saudáveis, e é a escolha lógica para qualquer pessoa que se preocupa com animais não-humanos. Eu então sugeri a ela que as raposas que foram mortas para fazer o casaco não eram diferentes dos cães dos quais ela estava triste em deixar para trás em Nova Iorque por duas semanas. Nós então começamos a conversar sobre nossa “esquizofrenia moral”, que afeta e infecta nosso pensamento sobre animais não-humanos.
O avião decolou, o serviço de refeições começou, eu recebi minha refeição vegana e minha vizinha perguntou por uma refeição vegana extra a bordo. Havia uma refeição extra e ela a solicitou. Nós passamos as próximas horas conversando sobre direitos animais e veganismo e eu confessei ser eu o autor do livro sobre o qual ela havia perguntado!
Aproximadamente dois meses após aquele vôo, eu recebi uma mensagem dessa pessoa. Ela havia doado seu casaco de peles para um grupo animal que usaria em manifestações anti-pele e ela havia encomendado e lido Introdução aos Direitos Animais. Ela estava caminhando em direção ao veganismo, usando uma técnica que eu havia sugerido a ela onde ela desistiria de todos os produtos animais por uma refeição, então por duas, por três e então para todos os lanches. Outros dois ou três meses depois se passaram e ela me escreveu para dizer que estava completamente vegana.
Educação vegana é desafiadora. Vivemos em uma cultura na qual a maioria das pessoas presume sem pensar que consumir produtos animais é “normal” ou “natural”. Educação vegana é um trabalho que leva tempo; ela frequentemente requer trabalhos individuais e demandam uma boa quantidade de tempo.
Mas a vida diária nos apresenta com todos os tipos de oportunidades para educar as outras pessoas e as oportunidades mais efetivas são trocas calmas e amigáveis entre dois seres humanos pensantes.
E cada pessoa que se torna vegana é uma contribuição vital para a revolução não-violenta que vai eventualmente mudar o paradigma de animais como propriedade para animais como pessoas.
Gary L. Francione
© 2008 Gary L. Francione
Tradução: Coletivo Madu
quinta-feira, 24 de abril de 2008
http://br.youtube.com/watch?v=WjsRJOpLWyE
Adotar animais de rua, participar de campanhas de castração e incentivar/conscientizar/praticar a posse responsável são medidas emergenciais hoje para "controlar" o que a domesticação e o descaso humano trouxeram.
domingo, 20 de abril de 2008
Bar de oxigênio para cães é aberto em Tóquio

Um bar de oxigênio voltado exclusivamente para cachorros foi inaugurado em Tóquio. Cada sessão de 30 minutos custa em torno de R$ 34. A empresa Air Press já tem 20 bares de oxigênio para humanos espalhados pelo Japão, mas agora decidiu investir no novo ramo."Se você não mora em uma cidade grande, você pode deixar seu cachorro ir por todo lugar. Mas, em Tóquio, geralmente não há muito espaço nas casas e é difícil levar o animal para uma caminhada", afirma o dono do bar, Tsuyoshi Hirano. "Então, é difícil deixar o cão bem sem uma ajuda extra."Os donos aprovam a novidade. "Às vezes, meu cachorro não está cansado, mas está letárgico. Depois de uma sessão de oxigênio, ele fica muito melhor e late com mais vigor", diz Umekichi Sakon, de 41 anos.
Fonte: BBC Brasil, uol bichos
link: http://bichos.uol.com.br/ultnot/bbc/ult4550u145.jhtm__________________________________________________________________
O pior é publicar isso como apenas "divulgação", como aparece no site... Convenhamos : o "desenvolvimentismo humano" trouxe consigo uma série de problemas (um deles resolvido com esses bares de oxigênio para human@s :O) inclusive (mais) privações aos animais domesticados (também um problema, eticamente falando, desde nossa sedentarização e contínua "aproximação" com os outros animais, criando com eles, vínculos em que, na maior parte dos casos, esforçamo-nos para retirá-los de seu habitat, criar um habitat articial e dependente de nós).
Enfim... será que se esqueceram que o cachorro, mais que de oxigênio puro, precisa rolar na grama e fazer xixi no poste de luz?
(abelha)
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domingo, 30 de março de 2008
Os verdadeiros argumentos abolicionistas contrários à vivissecção (Sônia T. Felipe)
Os defensores dos animais, favoráveis à abolição do uso do modelo animal para pesquisa da cura das doenças humanas, ao contrário do que afirma André Petry, não são "obscurantistas zoofílicos" que querem fazer parar toda pesquisa científica na área da saúde e medicina humana. André Petry parece bastante "cego e obscurecido" por sua própria visão egocêntrica, e possivelmente ainda não teve tempo de ler nada do que já foi publicado nos últimos 30 anos sobre a necessidade de mudar do paradigma vivisseccionista para outro mais de acordo com os avanços tecnológicos e científicos da humanidade esclarecida. Quais são os argumentos que sustentam a posição nada "obscurecida nem medieval", dos abolicionistas?
O primeiro deles, é que a saúde humana é a saúde de uma espécie viva, cuja biologia, fisiologia e psicologia em muito se assemelha a muitas outras espécies vivas que habitam o planeta terra. É verdade. Em nome disto, osabolicionistas sustentam que não se pode justificar eticamente o uso de animais vivos em experimentos dolorosos e letais, porque nenhuma vida senciente é substituível por outra, nem da própria espécie, nem de qualquer outra espécie. Estar vivo é a única e grandiosa maravilha para cada um dos seres vivos sencientes. Tirar a vida de centenas de milhões de seres sencientes para testar drogas inventadas para lidar apenas com os sintomas das doenças produzidas na espécie humana, justificando-se que afinal as vidas destruídas não têm valor inerente algum para os seres dizimados, que seu valor só existe em relação ao que os humanos podem fazer aproveitando-se de sua vulnerabilidade, não é argumento ético. Tal tese não se sustenta eticamente, porque não poderia ser usada validamente para justificar o uso de seres humanos em condições vulneráveis em experimentos semelhantes.
O segundo argumento dos defensores dos animais (erroneamente denominados por André Petry de "zoofílicos", o certo seria dizer zoófilos, do grego zoo = animal, e philia = amor), não se baseia na hipótese "de parar a ciência em nome da bicharada", ou seja, da interrupção de toda e qualquer pesquisa científica, mas da abolição de toda e qualquer pesquisa que quer ser considerada científica mas continua a fazer uso de animais vivos como modelopara testes de produtos químicos e drogas que se multiplicam não apenas desnecessariamente ao redor do planeta, sempre prometendo a cura dos males humanos que nunca chegam a ser curados, mas letalmente, por induzirem a própria comunidade científica a crer que, por serem semelhantes os organismos de animais não-humanos e de humanos, do ponto de vista da estrutura fisiológica e em muitos casos neurológica e mental, também do ponto de vista da estrutura molecular esta semelhança se repita.Não é verdade que da perspectiva metabólica sejam iguais dois organismos vivos quaisquer. Se um organismo é dotado de um sistema nervoso central organizado, se produz hormônios, se tem consciência dos eventos que o afetam positiva ou negativamente, isto é, se tem emoções, este organismo assemelha-se, mas de modo algum é igual a um outro organismo com as mesmas características. Não apenas o sexo, a idade, a espécie, a linhagem, o estatuto no grupo social são características que alteram significativamente as percepções de um indivíduo senciente (não importa aqui se este indivíduo é um rato, um suíno, um eqüino ou um humano), mas, para além dessas variáveis um milhão ou milhões de outras traçam uma rede impossível de ser escaneada em cada indivíduo animal usado como modelo ou cobaia para testes da indústria farmacêutica e química. Cada indivíduo produz uma química própria, semelhante à dos pares da mesma espécie, mas infinitamente singular. Não há dois processos metabólicos exatamente iguais, embora padrões semelhantes se façam reconhecer em indivíduos da mesma idade, sexo e linhagem.
Nos milhões de outros interferentes devemos levar em conta, desde o tipo de parceiros confinados no mesmo grupo prestes a servir de cobaia, até os sons ou ruídos produzidos ou subtraídos do ambiente no qual os animais ficam engaiolados enquanto são usados para os experimentos. O olfato de humanos não consegue perceber os odores que impregnam uma sala de experimentação, desde o cheiro do shampoo usado pela estudante, até seu desodorante, esmalte de unhas, maquiagem, tecidos de suas roupas, sapatos, e outros odores de seu corpo.
Multiplique-se isto por 10 ou 20 pessoas que entram e saem do laboratório todos os dias, o que comeram dois dias antes, ou agora mesmo na lanchonete... se lavaram as mãos, ou não, após pagar o lanche e tocar nodinheiro fedido... ah! ainda tem o fedor de suas carteiras, suadas e manuseadas há anos, de seus bolsos, nos quais botam e tiram as mãos dezenas de vezes por dia... e o cheiro de suas bolsas, de seu material científico,da tinta na qual o artigo acabou de ser impresso... dos produtos usados para a desinfecção do ambiente, isto, quando tal preocupação existe... o cheiro das gaiolas, do piso, das paredes, dos químicos usados para tornar potável a água que sai da torneira, o cheiro do capacho no qual todos limpam os pés ... se é que o fazem, antes de entrar no laboratório, e os cheiros que entram por debaixo das portas, nos dias de vento, de chuva, de poeira e calor... e o cheiro da roupa nova que três ou quatro estão usando... o cheiro do sexo que acabaram de fazer antes de virem para o trabalho vivisseccionista, e o cheiro de seus hálitos infectos com fumo, álcool,frituras, refrigerantes e partes dos cadáveres que acabaram de ingerir na última refeição... São muitos cheiros a perturbarem o olfato dos camundongos e ratos, dos gatos e cães engaiolados como se fossem sapatos aos pares em caixinhas nas quais mal se podem mover. Cada cheiro desses desencadeia em seus organismos reações metabólicas mil, sobre as quais o pesquisador não tem o menor controle. Por isso, não existe o tal do "controle das variáveis". Por isso, o que o pesquisador pensa que garante controle de variáveis emsua investigação é apenas aparente, é muito pouco ou mesmo nada, quando se trata de seres que têm 300 milhões de células olfativas a mais do que as nossas próprias.
O vivisseccionista tem a soberba de dizer ao público que sua pesquisa é científica, porque todas as variáveis estão sob seu controle experimental. Mentira. Não estão. E vejam, só me referi até aqui a um tipo de estímulo que altera completamente a fisiologia do animal senciente super-olfativado. Não falei dos sons. Mas os há em quantidade tão variável e "sem qualquer controle", num laboratório de vivissecção, que levam o organismo dos animais a produzirem químicas singulares, em reação ao que ouvem sem poderem decodificar: o som da água que passa por dentro das paredes, nos canos embutidos. Sons que o vivisseccionista não ouve, mesmo tendo um ouvido "superior" ao de sua cobaia. E tem ainda o som da eletricidade, que também passa pelos canos embutidos nas paredes. Também estes sons horríveis e estressantes o vivisseccionista não ouve, mesmo tendo uma superioridade biológica sobre todas as demais espécies. Mas, no laboratório vivisseccionista, somente os pesquisadores são surdos, e não apenas a estes ruídos insuportáveis que só são percebidos por ouvidos muito sensíveis, os mesmos ouvidos atormentados 24 horas por dia com esses e outros ruídos ensurdecedores que não existem no ambiente natural dos animais usados na vivissecção. E tem ainda o ruído dos computadores ligados, do ar condicionado, da impressora e dos teclados, os sons metálicos dos objetos manipulados no experimento, o som dos que caem no chão ou sobre as bases metálicas. Tem o som das vozes dos 10 ou 20 vivisseccionistas que entram e saem do laboratório conversando, rindo, chorando, gargalhando... e o de seus aparelhinhos enfiados nos ouvidos com MP3, e o de seus celulares, bips, e Ipods.... e o som dos carros lá fora, de buzinas, das trovoadas, e os sons do andar superior, do inferior, de gavetas que são abertas e fechadas, de armários metálicos abertos e fechados, de portas metálicas ou não, de chaves passadas na fechadura, de trincos de portas manuseados, de fechos de bolsas e sacolas abertas e fechadas, de equipamentos sendo ligados ou desligados.E há, ainda, a variação da temperatura, da umidade do ar, da quantidade de químicos que a companhia de águas acaba de botar para "tratar" da água depois daquela denúncia de que a água estava sendo servida contaminada... e o insuportável odor da comida servida, sempre da mesma marca e com nutrientes que apenas para o vivisseccionista são necessários, não para o bem-estar do animal senciente. E tem o toque do manejador, e já não preciso descrever o que fazem ao animal em seguida.
Fiz apenas uma lista ínfima das variáveis que interferem no metabolismo de um animal senciente, e que levam os resultados a níveis enganadores. Esta lista não chega a 1% de tudo o que um animal usado como modelo vivo percebe. Qual o controle que o vivisseccionista tem sobre tais variáveis e outras? Mesmo que todos os animais sencientes sejam de uma mesma linhagem, de uma mesma idade, de um mesmo sexo, a intensidade de suas percepções, a exemplo do que ocorre com os humanos, varia de indivíduo para indivíduo, e mesmo numindivíduo de uma hora para outra, ou de um dia para outro.
Um terceiro argumento que leva os abolicionistas a se oporem ao uso de animais vivos na ciência, é justamente o da perda de tempo que tal modelo tem representado para o avanço científico, se é que a ciência quer mesmoencontrar a cura dos males humanos e não apenas drogas para serem consumidas e renderem lucros à indústria farmacêutica, aliás, uma das mais poderosas ao redor do planeta.
A maior parte das doenças humanas são produzidas por hábitos que somente os humanos têm. Os abolicionistas não pregam o fim da pesquisa genuinamente científica sobre a saúde humana. Eles defendem o fim do uso de animais não-humanos como objeto destas pesquisas. Quando, afinal, os cientistas acordarão para o fato de que só se pode conhecer a etiologia das doenças humanas estudando a clínica humana? O que os abolicionistas querem é que todo o dinheiro investido hoje ao redor do planeta em modelo animal seja investido em pesquisas realmente científicas voltadas ao estudo da etiologia da doença humana. Não precisa usar humanos como cobaias em experimentos bárbaros.Mais de 50 anos de testes de drogas em animais e em humanos são suficientes para se ter dados sobre as reações a todas as drogas comercializadas no mundo desde a década de 60 do século XX. Basta formar um banco de dados com todos os resultados obtidos até hoje, com todos os relatos médicos obtidos com o uso dessas milhões de drogas inventadas e usadas em cobaias humanas ao redor do planeta sem que essas cobaias tenham sequer noção de que, o que seus médicos acabam de lhes anunciar como a droga mais recente para a cura de suas doenças, é na verdade um experimento que lhes pode ser inócuo, ou mortal.
Os abolicionistas não são obscurantistas medievais [se é que a Idade Média foi obscurantista, embora os médicos dos reis o fossem, ao abrirem sapos, pombos e cães para examinar suas vísceras e dar resposta aos soberanos sobre a cura ou não de suas doenças. Os abolicionistas não defendem esta prática medieval, pelo contrário, defendem o fim dela!]. Pelo contrário. São seres humanos cientes do desperdício da inteligência humana, que hoje é treinada apenas para prescrever drogas legais tendo na parede de sua sala de trabalhoum diploma da medicina. O que está sendo feito com a inteligência dos jovens que entram num curso de medicina com o intuito de ajudarem os seres humanos a eliminarem seus males e a curarem suas doenças? Prescrevendo drogas, ainda que legais, os jovens médicos apenas estão matando o rim, o fígado, oestômago, a bexiga, o sangue de muitos de seus pacientes, efeito do uso de medicamentos testados largamente em animais.
Um quarto argumento abolicionista refere-se às doenças mais letais e crônicas que afetam a espécie humana: cardiovasculares, pulmonares, do trato digestivo e urinário, psíquicas, dores nas costas, câncer, degeneraçõesneurológicas... curáveis com a abstenção, por alguns meses, de todos os produtos de origem animal [leia, Foods that Fight Pain e The Food Revolution].
Mas, milhões de camundongos e ratos são mortos todos os anos para que uma droga seja inventada para curar os humanos de triglicerídios, hipercolesterolemia, falta de cálcio, excesso de ácido úrico, hipertensão, diabetes, e assim por diante. Vivisseccionistas querem por que querem fazer os que sofrem dessas doenças crerem que logo, logo, uma droga será comercializada para livrá-los dos males que eles mesmos inventam com sua dieta errada.
Mas, se o médico não prescrever nenhuma droga, se olhar para seu paciente e disser: por dois meses quero que "teste" em você mesmo a seguinte dieta sem leite, ovos, manteiga, iogurte, carne, peixe, frango ou quaisquer de seus derivados... este médico será demitido da clínica. Afinal, para que lhe foi concedido um diploma, se não é para prescrever aos pacientes as drogas legais colocadas no mercado?
A Organização Mundial da Saúde tem tornado públicos os relatórios médicos que alertam para a necessidade de redesenhar a dieta humana [leia The Food Revolution, e Diet for a New America, de John Robbins]. Mas, os cientistas querem que milhões de animais morram em suas mãos até que eles tenham conseguido inventar drogas para que os humanos não precisem abrir mão de nada que costumam comer, por mais tóxico que isso seja para seus organismos.
De qualquer modo, ainda que se descobrisse uma droga para curar o alto nível de colesterol, o uso desta droga certamente desencadearia outros males. Estes, outra vez, requereriam a vivissecção, para que o cientista pudesse encontrar uma nova droga para livrar os pacientes que houvessem usado a anterior dos males que ela produz. A cadeia vai se expandindo ao infinito. É exatamente neste ponto que já nos encontramos. O que os vivisseccionistas não querem perceber é que esta trama não apenas não os levará ao sucesso, mas é responsável pelo seu fracasso. A maior parte dos males dos quais padecem os humanos, hoje, ou já existia há mais de 5 séculos, ou há mais de 2 mil anos, ou resultou do uso de produtos químicos testados em animais e colocados em alimentos, bebidas emedicamentos.Os animais não têm culpa alguma de nossas escolhas. Eles não beneficiam das nossas vantagens. Eles não têm de responder às perguntas que os cientistas deveriam estar buscando responder com a matemática, com simulações em computador, com raciocínio sobre os dados já disponíveis ao estudioso.
Os abolicionistas, ao defenderem a libertação dos animais de sua condição de escravização, defendem a libertação dos cientistas dessa malha que os ata e os desatina. Não achamos que os vivissectores são maldosos e cruéis. Achamos apenas que são homens e mulheres "infelizes", no sentido aristotélico do termo, quer dizer, são seres racionais, que sabem o que se espera deles, por sua "excelência", mas estão se condenando a fazer exatamente o contrário do que se espera que façam. Este é o conceito de infelicidade na ética aristotélica: saber o que é esperado fazer, e fazer o que leva ao contrário do resultado esperado.
A libertação animal é a libertação humana, a libertação da mente e da inteligência humana, para que possa finalmente prestar-se à finalidade mais refinada para a qual deveria ter sido aprimorada: buscar o saber, sem tirar a vida de seres vulneráveis. Esta é a inteligência que esperamos ver florescer na ciência biomédica. Mas os obscurantistas vivisseccionistas não querem tornar-se inteligentes desse outro modo, pois aprenderam a obscurecer sua inteligência revolvendo as vísceras de animais vulneráveis, em vez de aprimorarem-na, criando modelos matemáticos e computadorizados e métodos de investigação não-invasivos em humanos, afinal, os destinatários finais de tanto empenho, ou não?
E, finalmente, não é por ser aceita e defendida por "toda a comunidade" vivisseccionista, que a prática vivisseccionista se torna, então, ética. Se André Petry não for obscurecido por seu furor contra os abolicionistas, deve lembrar-se de que a história humana arquiva episódios de aceitação dasmaiores barbáries por uma maioria, ainda que uma minoria antecipasse a crítica ética a tais costumes ou tradições. Foi assim, no império romano, com as lutas forçadas entre os gladiadores e animais; foi assim com a escravização dos africanos, contra a qual ninguém ousava levantar a voz, e quem o fez, no Brasil, foi condenado à forca; foi assim, com o império nacional-socialista europeu no século XX, não apenas com um país inteiro formando a maioria apoiadora, incluindo-se a "comunidade dos médicos e cientistas" favorável a tais práticas; foi assim com a exclusão das mulheres, a inquisição, a ditadura e o consumo que levará nosso planeta à morte. A verdade não necessariamente se encontra do lado do mais forte, apenas a força está lá. Quem desafia a tradição moral dominante é tachado de obscurantista. Apenas não se disse claramente que tipo de luz ilumina a vivissecção. A "cura das doenças" humanas, infelizmente, não é. Os abolicionistas não são iluminados por esta luz, eles o são, por outra: paz para todos os animais viverem o seu próprio bem, a seu próprio modo, sem prisões, sem grilhões, sem tormentos. Basta estar vivo para sofrer maus momentos. Não precisa nenhuma inflição de novos tormentos.
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(Talvez um dos assuntos mais polêmicos acerca da libertação animal... Muita gente entende porque você não come carne ou porque não quer um passarinho na gaiola, mas "se pararmos com os testes, vamos testar em quem?" é o que ouço o tempo... É tudo testado na gente desde sempre, simplesmente poupemos as vidas daqueles que nada têm a ver com essa luta por descobertas de drogas que corrijam nossos erros de alimentação e outros hábitos em geral. Mas após um pouco de informação a gente entende: vivissecção não possui base moral alguma e também não há avanço algum que ela proporcione que não possa ser alcançado sem a mesma.)
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O primeiro deles, é que a saúde humana é a saúde de uma espécie viva, cuja biologia, fisiologia e psicologia em muito se assemelha a muitas outras espécies vivas que habitam o planeta terra. É verdade. Em nome disto, osabolicionistas sustentam que não se pode justificar eticamente o uso de animais vivos em experimentos dolorosos e letais, porque nenhuma vida senciente é substituível por outra, nem da própria espécie, nem de qualquer outra espécie. Estar vivo é a única e grandiosa maravilha para cada um dos seres vivos sencientes. Tirar a vida de centenas de milhões de seres sencientes para testar drogas inventadas para lidar apenas com os sintomas das doenças produzidas na espécie humana, justificando-se que afinal as vidas destruídas não têm valor inerente algum para os seres dizimados, que seu valor só existe em relação ao que os humanos podem fazer aproveitando-se de sua vulnerabilidade, não é argumento ético. Tal tese não se sustenta eticamente, porque não poderia ser usada validamente para justificar o uso de seres humanos em condições vulneráveis em experimentos semelhantes.
O segundo argumento dos defensores dos animais (erroneamente denominados por André Petry de "zoofílicos", o certo seria dizer zoófilos, do grego zoo = animal, e philia = amor), não se baseia na hipótese "de parar a ciência em nome da bicharada", ou seja, da interrupção de toda e qualquer pesquisa científica, mas da abolição de toda e qualquer pesquisa que quer ser considerada científica mas continua a fazer uso de animais vivos como modelopara testes de produtos químicos e drogas que se multiplicam não apenas desnecessariamente ao redor do planeta, sempre prometendo a cura dos males humanos que nunca chegam a ser curados, mas letalmente, por induzirem a própria comunidade científica a crer que, por serem semelhantes os organismos de animais não-humanos e de humanos, do ponto de vista da estrutura fisiológica e em muitos casos neurológica e mental, também do ponto de vista da estrutura molecular esta semelhança se repita.Não é verdade que da perspectiva metabólica sejam iguais dois organismos vivos quaisquer. Se um organismo é dotado de um sistema nervoso central organizado, se produz hormônios, se tem consciência dos eventos que o afetam positiva ou negativamente, isto é, se tem emoções, este organismo assemelha-se, mas de modo algum é igual a um outro organismo com as mesmas características. Não apenas o sexo, a idade, a espécie, a linhagem, o estatuto no grupo social são características que alteram significativamente as percepções de um indivíduo senciente (não importa aqui se este indivíduo é um rato, um suíno, um eqüino ou um humano), mas, para além dessas variáveis um milhão ou milhões de outras traçam uma rede impossível de ser escaneada em cada indivíduo animal usado como modelo ou cobaia para testes da indústria farmacêutica e química. Cada indivíduo produz uma química própria, semelhante à dos pares da mesma espécie, mas infinitamente singular. Não há dois processos metabólicos exatamente iguais, embora padrões semelhantes se façam reconhecer em indivíduos da mesma idade, sexo e linhagem.
Nos milhões de outros interferentes devemos levar em conta, desde o tipo de parceiros confinados no mesmo grupo prestes a servir de cobaia, até os sons ou ruídos produzidos ou subtraídos do ambiente no qual os animais ficam engaiolados enquanto são usados para os experimentos. O olfato de humanos não consegue perceber os odores que impregnam uma sala de experimentação, desde o cheiro do shampoo usado pela estudante, até seu desodorante, esmalte de unhas, maquiagem, tecidos de suas roupas, sapatos, e outros odores de seu corpo.
Multiplique-se isto por 10 ou 20 pessoas que entram e saem do laboratório todos os dias, o que comeram dois dias antes, ou agora mesmo na lanchonete... se lavaram as mãos, ou não, após pagar o lanche e tocar nodinheiro fedido... ah! ainda tem o fedor de suas carteiras, suadas e manuseadas há anos, de seus bolsos, nos quais botam e tiram as mãos dezenas de vezes por dia... e o cheiro de suas bolsas, de seu material científico,da tinta na qual o artigo acabou de ser impresso... dos produtos usados para a desinfecção do ambiente, isto, quando tal preocupação existe... o cheiro das gaiolas, do piso, das paredes, dos químicos usados para tornar potável a água que sai da torneira, o cheiro do capacho no qual todos limpam os pés ... se é que o fazem, antes de entrar no laboratório, e os cheiros que entram por debaixo das portas, nos dias de vento, de chuva, de poeira e calor... e o cheiro da roupa nova que três ou quatro estão usando... o cheiro do sexo que acabaram de fazer antes de virem para o trabalho vivisseccionista, e o cheiro de seus hálitos infectos com fumo, álcool,frituras, refrigerantes e partes dos cadáveres que acabaram de ingerir na última refeição... São muitos cheiros a perturbarem o olfato dos camundongos e ratos, dos gatos e cães engaiolados como se fossem sapatos aos pares em caixinhas nas quais mal se podem mover. Cada cheiro desses desencadeia em seus organismos reações metabólicas mil, sobre as quais o pesquisador não tem o menor controle. Por isso, não existe o tal do "controle das variáveis". Por isso, o que o pesquisador pensa que garante controle de variáveis emsua investigação é apenas aparente, é muito pouco ou mesmo nada, quando se trata de seres que têm 300 milhões de células olfativas a mais do que as nossas próprias.
O vivisseccionista tem a soberba de dizer ao público que sua pesquisa é científica, porque todas as variáveis estão sob seu controle experimental. Mentira. Não estão. E vejam, só me referi até aqui a um tipo de estímulo que altera completamente a fisiologia do animal senciente super-olfativado. Não falei dos sons. Mas os há em quantidade tão variável e "sem qualquer controle", num laboratório de vivissecção, que levam o organismo dos animais a produzirem químicas singulares, em reação ao que ouvem sem poderem decodificar: o som da água que passa por dentro das paredes, nos canos embutidos. Sons que o vivisseccionista não ouve, mesmo tendo um ouvido "superior" ao de sua cobaia. E tem ainda o som da eletricidade, que também passa pelos canos embutidos nas paredes. Também estes sons horríveis e estressantes o vivisseccionista não ouve, mesmo tendo uma superioridade biológica sobre todas as demais espécies. Mas, no laboratório vivisseccionista, somente os pesquisadores são surdos, e não apenas a estes ruídos insuportáveis que só são percebidos por ouvidos muito sensíveis, os mesmos ouvidos atormentados 24 horas por dia com esses e outros ruídos ensurdecedores que não existem no ambiente natural dos animais usados na vivissecção. E tem ainda o ruído dos computadores ligados, do ar condicionado, da impressora e dos teclados, os sons metálicos dos objetos manipulados no experimento, o som dos que caem no chão ou sobre as bases metálicas. Tem o som das vozes dos 10 ou 20 vivisseccionistas que entram e saem do laboratório conversando, rindo, chorando, gargalhando... e o de seus aparelhinhos enfiados nos ouvidos com MP3, e o de seus celulares, bips, e Ipods.... e o som dos carros lá fora, de buzinas, das trovoadas, e os sons do andar superior, do inferior, de gavetas que são abertas e fechadas, de armários metálicos abertos e fechados, de portas metálicas ou não, de chaves passadas na fechadura, de trincos de portas manuseados, de fechos de bolsas e sacolas abertas e fechadas, de equipamentos sendo ligados ou desligados.E há, ainda, a variação da temperatura, da umidade do ar, da quantidade de químicos que a companhia de águas acaba de botar para "tratar" da água depois daquela denúncia de que a água estava sendo servida contaminada... e o insuportável odor da comida servida, sempre da mesma marca e com nutrientes que apenas para o vivisseccionista são necessários, não para o bem-estar do animal senciente. E tem o toque do manejador, e já não preciso descrever o que fazem ao animal em seguida.
Fiz apenas uma lista ínfima das variáveis que interferem no metabolismo de um animal senciente, e que levam os resultados a níveis enganadores. Esta lista não chega a 1% de tudo o que um animal usado como modelo vivo percebe. Qual o controle que o vivisseccionista tem sobre tais variáveis e outras? Mesmo que todos os animais sencientes sejam de uma mesma linhagem, de uma mesma idade, de um mesmo sexo, a intensidade de suas percepções, a exemplo do que ocorre com os humanos, varia de indivíduo para indivíduo, e mesmo numindivíduo de uma hora para outra, ou de um dia para outro.
Um terceiro argumento que leva os abolicionistas a se oporem ao uso de animais vivos na ciência, é justamente o da perda de tempo que tal modelo tem representado para o avanço científico, se é que a ciência quer mesmoencontrar a cura dos males humanos e não apenas drogas para serem consumidas e renderem lucros à indústria farmacêutica, aliás, uma das mais poderosas ao redor do planeta.
A maior parte das doenças humanas são produzidas por hábitos que somente os humanos têm. Os abolicionistas não pregam o fim da pesquisa genuinamente científica sobre a saúde humana. Eles defendem o fim do uso de animais não-humanos como objeto destas pesquisas. Quando, afinal, os cientistas acordarão para o fato de que só se pode conhecer a etiologia das doenças humanas estudando a clínica humana? O que os abolicionistas querem é que todo o dinheiro investido hoje ao redor do planeta em modelo animal seja investido em pesquisas realmente científicas voltadas ao estudo da etiologia da doença humana. Não precisa usar humanos como cobaias em experimentos bárbaros.Mais de 50 anos de testes de drogas em animais e em humanos são suficientes para se ter dados sobre as reações a todas as drogas comercializadas no mundo desde a década de 60 do século XX. Basta formar um banco de dados com todos os resultados obtidos até hoje, com todos os relatos médicos obtidos com o uso dessas milhões de drogas inventadas e usadas em cobaias humanas ao redor do planeta sem que essas cobaias tenham sequer noção de que, o que seus médicos acabam de lhes anunciar como a droga mais recente para a cura de suas doenças, é na verdade um experimento que lhes pode ser inócuo, ou mortal.
Os abolicionistas não são obscurantistas medievais [se é que a Idade Média foi obscurantista, embora os médicos dos reis o fossem, ao abrirem sapos, pombos e cães para examinar suas vísceras e dar resposta aos soberanos sobre a cura ou não de suas doenças. Os abolicionistas não defendem esta prática medieval, pelo contrário, defendem o fim dela!]. Pelo contrário. São seres humanos cientes do desperdício da inteligência humana, que hoje é treinada apenas para prescrever drogas legais tendo na parede de sua sala de trabalhoum diploma da medicina. O que está sendo feito com a inteligência dos jovens que entram num curso de medicina com o intuito de ajudarem os seres humanos a eliminarem seus males e a curarem suas doenças? Prescrevendo drogas, ainda que legais, os jovens médicos apenas estão matando o rim, o fígado, oestômago, a bexiga, o sangue de muitos de seus pacientes, efeito do uso de medicamentos testados largamente em animais.
Um quarto argumento abolicionista refere-se às doenças mais letais e crônicas que afetam a espécie humana: cardiovasculares, pulmonares, do trato digestivo e urinário, psíquicas, dores nas costas, câncer, degeneraçõesneurológicas... curáveis com a abstenção, por alguns meses, de todos os produtos de origem animal [leia, Foods that Fight Pain e The Food Revolution].
Mas, milhões de camundongos e ratos são mortos todos os anos para que uma droga seja inventada para curar os humanos de triglicerídios, hipercolesterolemia, falta de cálcio, excesso de ácido úrico, hipertensão, diabetes, e assim por diante. Vivisseccionistas querem por que querem fazer os que sofrem dessas doenças crerem que logo, logo, uma droga será comercializada para livrá-los dos males que eles mesmos inventam com sua dieta errada.
Mas, se o médico não prescrever nenhuma droga, se olhar para seu paciente e disser: por dois meses quero que "teste" em você mesmo a seguinte dieta sem leite, ovos, manteiga, iogurte, carne, peixe, frango ou quaisquer de seus derivados... este médico será demitido da clínica. Afinal, para que lhe foi concedido um diploma, se não é para prescrever aos pacientes as drogas legais colocadas no mercado?
A Organização Mundial da Saúde tem tornado públicos os relatórios médicos que alertam para a necessidade de redesenhar a dieta humana [leia The Food Revolution, e Diet for a New America, de John Robbins]. Mas, os cientistas querem que milhões de animais morram em suas mãos até que eles tenham conseguido inventar drogas para que os humanos não precisem abrir mão de nada que costumam comer, por mais tóxico que isso seja para seus organismos.
De qualquer modo, ainda que se descobrisse uma droga para curar o alto nível de colesterol, o uso desta droga certamente desencadearia outros males. Estes, outra vez, requereriam a vivissecção, para que o cientista pudesse encontrar uma nova droga para livrar os pacientes que houvessem usado a anterior dos males que ela produz. A cadeia vai se expandindo ao infinito. É exatamente neste ponto que já nos encontramos. O que os vivisseccionistas não querem perceber é que esta trama não apenas não os levará ao sucesso, mas é responsável pelo seu fracasso. A maior parte dos males dos quais padecem os humanos, hoje, ou já existia há mais de 5 séculos, ou há mais de 2 mil anos, ou resultou do uso de produtos químicos testados em animais e colocados em alimentos, bebidas emedicamentos.Os animais não têm culpa alguma de nossas escolhas. Eles não beneficiam das nossas vantagens. Eles não têm de responder às perguntas que os cientistas deveriam estar buscando responder com a matemática, com simulações em computador, com raciocínio sobre os dados já disponíveis ao estudioso.
Os abolicionistas, ao defenderem a libertação dos animais de sua condição de escravização, defendem a libertação dos cientistas dessa malha que os ata e os desatina. Não achamos que os vivissectores são maldosos e cruéis. Achamos apenas que são homens e mulheres "infelizes", no sentido aristotélico do termo, quer dizer, são seres racionais, que sabem o que se espera deles, por sua "excelência", mas estão se condenando a fazer exatamente o contrário do que se espera que façam. Este é o conceito de infelicidade na ética aristotélica: saber o que é esperado fazer, e fazer o que leva ao contrário do resultado esperado.
A libertação animal é a libertação humana, a libertação da mente e da inteligência humana, para que possa finalmente prestar-se à finalidade mais refinada para a qual deveria ter sido aprimorada: buscar o saber, sem tirar a vida de seres vulneráveis. Esta é a inteligência que esperamos ver florescer na ciência biomédica. Mas os obscurantistas vivisseccionistas não querem tornar-se inteligentes desse outro modo, pois aprenderam a obscurecer sua inteligência revolvendo as vísceras de animais vulneráveis, em vez de aprimorarem-na, criando modelos matemáticos e computadorizados e métodos de investigação não-invasivos em humanos, afinal, os destinatários finais de tanto empenho, ou não?
E, finalmente, não é por ser aceita e defendida por "toda a comunidade" vivisseccionista, que a prática vivisseccionista se torna, então, ética. Se André Petry não for obscurecido por seu furor contra os abolicionistas, deve lembrar-se de que a história humana arquiva episódios de aceitação dasmaiores barbáries por uma maioria, ainda que uma minoria antecipasse a crítica ética a tais costumes ou tradições. Foi assim, no império romano, com as lutas forçadas entre os gladiadores e animais; foi assim com a escravização dos africanos, contra a qual ninguém ousava levantar a voz, e quem o fez, no Brasil, foi condenado à forca; foi assim, com o império nacional-socialista europeu no século XX, não apenas com um país inteiro formando a maioria apoiadora, incluindo-se a "comunidade dos médicos e cientistas" favorável a tais práticas; foi assim com a exclusão das mulheres, a inquisição, a ditadura e o consumo que levará nosso planeta à morte. A verdade não necessariamente se encontra do lado do mais forte, apenas a força está lá. Quem desafia a tradição moral dominante é tachado de obscurantista. Apenas não se disse claramente que tipo de luz ilumina a vivissecção. A "cura das doenças" humanas, infelizmente, não é. Os abolicionistas não são iluminados por esta luz, eles o são, por outra: paz para todos os animais viverem o seu próprio bem, a seu próprio modo, sem prisões, sem grilhões, sem tormentos. Basta estar vivo para sofrer maus momentos. Não precisa nenhuma inflição de novos tormentos.
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(Talvez um dos assuntos mais polêmicos acerca da libertação animal... Muita gente entende porque você não come carne ou porque não quer um passarinho na gaiola, mas "se pararmos com os testes, vamos testar em quem?" é o que ouço o tempo... É tudo testado na gente desde sempre, simplesmente poupemos as vidas daqueles que nada têm a ver com essa luta por descobertas de drogas que corrijam nossos erros de alimentação e outros hábitos em geral. Mas após um pouco de informação a gente entende: vivissecção não possui base moral alguma e também não há avanço algum que ela proporcione que não possa ser alcançado sem a mesma.)
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segunda-feira, 17 de dezembro de 2007
Você já comeu a Amazônia hoje?
Você e eu somos bois-de-presépio ou cidadãos do planeta? Você acredita que a sua forma de viver, alimentar-se, comportar-se, construir a sua casa, presentear seus amigos, visitar os lugares ou votar possua relação direta com a Amazônia? Caso afirmativo, você aceitaria avaliar se está comendo ou não a Amazônia? A cada dia as pesquisas científicas e os relatórios ambientalistas são mais taxativos: não podemos nos dar ao luxo de esperar que as pessoas se convençam sobre a gravidade da situação da Amazônia. Será tarde demais quando fazendeiros, garimpeiros, madeireiros, funcionários públicos, representantes do poder público e a população em geral, despertarem para o fato. Teremos perdido a maior parte da Amazônia. Os fatos Em cinco séculos 95% das populações indígenas desapareceram. Nações inteiras foram extintas pelas doenças, pela escravidão e pelas armas trazidas pelos europeus. As Nações que sobreviveram, cerca de 180, com mais de 200 mil indivíduos (1% da população da região), contam com poucos aliados entre os funcionários públicos e organizações da sociedade civil para se defenderem de garimpeiros, caçadores, ladrões de madeira e grileiros. Em termos sociais a Amazônia é uma das regiões de maiores desigualdades econômicas e sociais do planeta. Esta é, de longe, a mais violenta do país, respondendo pela maioria dos casos de morte em conflitos pela terra, número de trabalhadores escravizados em fazendas de pecuária e pela grande insegurança das áreas urbanas. Os 23 milhões de habitantes estão longe de se beneficiar da biodiversidade, da etnodiversidade, de suas riquezas culturais e da produção de madeira e minerais. O IDH (Índice de Desenvolvimento Humano, da ONU) da região equivale ao dos paises mais pobres do planeta. Em termos ambientais oferecemos, ano apos ano, o maior espetáculo de pirotécnica ao queimarmos mais florestas para virarem pasto. O desmatamento e as queimadas da Amazônia tornam o Brasil um dos principais paises emissores de gases que contribuem para o efeito estufa. As mudanças climáticas são irreversíveis. Em termos de biodiversidade, em apenas 4% da superfície terrestre a Amazônia continental deve abrigar mais de 1/5 da biodiversidade do planeta. Nas áreas mais comprometidas, como no entorno de Belém, por exemplo, . das aves estão ameaçadas de extinção. Uma vez extinta uma espécie, esta extinção é para sempre. Em termos ambientais, de 1.500 a 1.964 desmatamos menos de 1% da Amazônia. Nos últimos 40 anos desmatamos cerca de 16% da região. uma área equivalente a duas vezes a Alemanha (ou três estados de São Paulo) em pasto. Esta área de 750 mil km2 é duas vezes maior que a área agrícola do pais. Pior, 1/4 desta área encontra-se abandonada porque o objetivo de derrubar o mato foi o de tomar a posse da terra, para dizer: aqui tem dono. No momento estamos perdendo cerca de 24 mil km2 de cobertura nativa ao ano. Isto significa que a cada ano estamos desmatando uma área equivalente a 2/3 da Bélgica (ou do estado de Sergipe). A cada ano perdemos cerca de 1% do que resta da floresta amazônica. Se nada for feito teremos perdido mais da metade da floresta nos próximos 30 anos. Eu não autorizei. Você autorizou? Estamos apenas medindo a febre e não combatendo as causas da doença. A febre em um doente alerta que algo vai errado, é apenas um índice. Há grande comoção quando os índices de desmatamento são expostos ao vexame público, e pouco interesse em discutir as verdadeiras razões de seu crescimento. São os grandes fazendeiros! - apontam uns! É a expansão da soja! - sugerem outros. É a abertura de estradas, a ineficácia e ausência do poder público, o aumento das fazendas, os madeireiros, os garimpos, e assim por diante... Será que não continuamos na periferia do problema? Será que estamos apontando apenas as conseqüências de atos que praticamos em nosso dia-a-dia, de forma relapsa, impensada e, digamos, irresponsável? Os responsáveis somos nós! Será que estamos fazendo as perguntas certas? Quem é responsável pela maior parte dos desmatamentos? Não será difícil responder: as propriedades rurais dedicadas à pecuária. Trata-se apenas das grandes fazendas? Não, as pequenas e médias têm na pecuária bovina e bubalina (de búfalos) sua principal atividade. E por que expande a pecuária na Amazônia? Certamente um fazendeiro tradicional irá comentar: "porque é mais barato produzir carne na região, a terra tem pouco valor, a mão de obra é barata, há pouca fiscalização dos órgãos ambientais, trabalhistas e da receita federal". Esta, no entanto é uma resposta insatisfatória. Afinal, esta carne vai para algum lugar. Alguém consome este produto. Os dados são claros: mais de noventa por cento da carne produzida na Amazônia é consumida no próprio Brasil, a maior parte nas regiões de maior poder econômico – Sul e Sudeste. O crescimento do consumo de carne bovina é significativo. A cada dia mais e mais pessoas querem a sua picanhazinha e a sua maminha. Em quarenta anos, de 1964 a 2004, o rebanho bovino da Amazônia saltou de 1,5 para 60 milhões de cabeças. Parte deste rebanho é clandestino. Este lote de animais prontos para morrer para saciar o desejo de comer carne bovina representa 1/3 do rebanho brasileiro. Três cabeças de boi para cada habitante da Amazônia. No Brasil já há mais bois que gente! A pecuária é a principal atividade econômica rural da Amazônia. Não se trata apenas de grandes e médios propriedades (estes são 25 mil famílias com áreas acima de 500 hectares). A maior parte dos 400 mil pequenos proprietários rurais da Amazônia tem na pecuária a sua principal fonte de renda (seja pelo fracasso das demais atividades econômicas, seja pela completa incompreensão do que seja a natureza amazônica ou impaciência com a Natureza, preferindo carboniza-la a conduzir a dança da sustentabilidade). Lembremos que estamos em um país onde a maioria vive em grande carestia. Se não fosse devido o baixo poder aquisitivo do brasileiro o consumo de carne seria pelo menos o dobro. O brasileiro come, em média, um bife pequeno por dia (100 gramas) - 36kg de carne/ano. Um boi de 16 arrobas tem em média 240 kg de carne. Se você comer carne bovina durante sua vida (72 anos – a idade média do brasileiro), isto significa um boi a cada 6,6 anos, 11 bois inteiros durante a vida – 2,6 toneladas de carne! Destes 11 bois, pelo menos 4 terão vindo da Amazônia, ou seja, a cada três dias o brasileiro come um bife da Amazônia. Sabe-se que este é um índice médio. O consumidor da classe alta e média chegam a comer mais de 3 vezes esta cifra - 108 kg/carne bovina/ano. Ou seja, um caminhão com 32 bois, mais de 7,5 toneladas de carne em sua vida! Quanto custa para a Humanidade este bife? A insistência do modelo mundial de ocupação do solo, que privilegia a pecuária é o principal responsável pela fome e desigualdade na área rural do Planeta. A quantidade de água, solos e recursos utilizados para produzir um quilo de carne seria suficiente para alimentar pelo menos 50 pessoas. A expansão da pecuária é responsável por pelo menos 2/3 dos desmatamentos das florestas tropicais do planeta. Estas já ocuparam 16% do planeta. Hoje ocupam menos de 9%. Da II Guerra Mundial até hoje perdemos mais de 3% das florestas tropicais do planeta. Por quê? Principalmente porque há gente querendo comer carne bovina. A pergunta que fazem os fazendeiros é: quanto o bife custa no seu prato? A pergunta que deve inquietar o cidadão deste planeta é: "quanto custa de esforço à Humanidade para você ter o luxo de um bife em seu prato?" A pecuária é o pior empregador que existe no planeta. A miséria brasileira no campo pode ser resumida a uma frase: a pecuária bovina expulsou o homem do campo. Numa grande fazenda na Amazônia, emprega-se diretamente uma pessoa a cada setecentos bois, que ocupa uma área de 1 mil hectares. A mesma área com agricultura familiar empregaria pelo menos 100 vezes mais, com agro-floresta em permacultura empregaria 250 pessoas! A pecuária gera pouca renda e esta é praticamente transferida para fora das regiões produtoras. A ilha do Marajó, uma área do tamanho da Suíça, após duzentos anos de pecuária (bovina e bubalina), tornou-se uma das áreas mais pobres da Amazônia - e do planeta – com índices de desenvolvimento humano (IDH) equivalentes aos de Bangladesh. Em Chaves, no Marajó, um quarto das crianças está fora da escola e 77% das crianças não tem luz em suas escolas! A pecuária é altamente concentradora de renda. Inexiste uma única região do Brasil onde a pecuária promoveu o desenvolvimento com justiça social. Pior, a maior parte dos fazendeiros perde dinheiro com a atividade. Como não sabem fazer contas não percebem que estão ficando mais pobres a cada dia e que pouco poderão oferecer a seus filhos e netos. Os estudos científicos do Imazon apontam que a pecuária é tão ineficiente que, em média, não oferece uma renda superior à da caderneta de poupança. Ou seja, seria mais negocio ao pecuarista vender tudo o que tem e viver do dinheiro aplicado. Por quê, então, optamos pelo boi? Porque não pensamos, somos tão bovinos quanto a ilustre e inocente criatura. Não medimos conseqüências. Pautamo-nos pelo passado. Não questionamos se o que nossos pais e avós fizeram seria o melhor para nós, para nossas famílias e para a Humanidade. Nem sempre a Humanidade fez escolhas certas. Em sua maioria são escolhas cômodas. Não medimos as conseqüências. No entanto, estamos diante de uma encruzilhada – ou transformamos a Amazônia em um imenso pasto ou iremos entregar às futuras gerações a mais diversa e bela floresta tropical do planeta. A escolha é sua. E de mais ninguém. Quinhentos anos de atraso Não há por que se assustar com esta responsabilidade. O Brasil é o campeão da falta de percepção ambiental e social. A pecuária bovina é sinônimo da história da ocupação do Brasil. Desde que o primeiro europeu colocou seus pés no Brasil, foi seguido pela pata do boi. O vírus da gripe, o boi, a bíblia e a arma de fogo modificaram este continente – difícil saber o que causou mais danos. O boi é uma fonte de proteínas de baixíssima eficiência energética (converte em carne meros 7% do que come). Com sua pata compacta o solo, causa erosão e destrói as micro-bacias e o seu consumo traz sérias conseqüências à saúde. O boi é um trator funcionando 24 horas. E por quê? Para saciar a vontade de comer picadinho, hambúrguer e estrogonofe. Para transformar o Brasil no maior pasto do planeta foi preciso "abrir" espaço para este animal. "Mato" (leia-se: floresta tropical com grande diversidade biológica) não alimenta boi. As florestas tem que ceder lugar ao pasto. Poderíamos resumir a história do desaparecimento da Natureza do Brasil em uma única lápide: "virou bife". Em 500 anos reduzimos os 1,5 milhões de hectares da Mata Atlântica (floresta tropical atlântica) a meros 7% de sua área original, a Caatinga para menos de 20% e o Cerrado para menos de 25% de sua área. Pior: a degradação continua, de maneira acelerada. Insistimos em ocupar novos pastos na Amazônia ao invés de melhor a produtividade do que já se transformou em pasto no Sul, Centro-Oeste e Sudeste. O Brasil continua um país irresponsável em termos de produtividade na pecuária. Dos 850 milhões de hectares do Brasil, há no país cerca de 250 milhões de hectares de pasto(cerca de 30% do pais). Deste total, cerca de 30% está na Amazônia - 75 milhões de hectares. A produtividade na Amazônia é pífia – 0,7 cabeças/hectare - símbolo da incompetência em compreender e tratar o meio físico amazônico. Vamos lembrar que o Brasil todo possui cerca de 50 milhões de hectares em área plantada! Neste ritmo, em duas décadas teremos mais bois na Amazônia do que a totalidade do rebanho brasileiro atual (170 milhões de cabeças). No Brasil já há mais bois que brasileiros. Resumo de nossa história: o Brasil virou pasto e nossa grande contribuição à humanidade foi substituir a maior floresta tropical do planeta em churrasquinho. Carne com gosto de fumaça, violência e extinção de espécies. Apesar da ditadura militar ter se desmilinguido nos anos 1980 a Amazônia continua sob o domínio do medo, da lei do mais forte, do coronelismo, da grilagem de terra, da corrupção e do incentivo fiscal a quem dele não necessita. Quem manda é o revólver e a motoserra. Um boi vale mais que uma vida. Por quê? Porquê insistimos em incorrer nos mesmos erros que nossos antepassados europeus, para quem a "pata de vaca" era sinônimo de progresso. O boi é celestial. O mato é o demônio. O arame farpado é progresso. A floresta calcinada é progresso. O mugido do boi é progresso. O pasto, que pode ser medido e contabilizado é celestial. O país continua a tratar a Amazônia como uma área ainda não conquistada, um imenso estoque de terra pronto para virar pasto. E mais, a Amazônia como fonte inesgotável de madeira, peixe, ouro, alumínio, energia elétrica etc. As políticas públicas e a maior parte das empresas despreza os 10.000 anos de convivência com a floresta tropical. Desta aprendizado passo a passo, de descoberta do ser e viver. O Brasil trata as comunidades indígenas e a caboclas como culturas "primitivas", "bárbaras" e "demoníacas". O mato, o espaço do desconhecido, do que não pode ser controlado, é o antro do medo, da escuridão. É no mato que estão os piores horrores. Não haverá aqui uma inversão de valores? Estamos prontos a reconhecer este erro? Ou continuaremos a nos ufanar que temos o maior rebanho comercial do planeta? Que nossos bois são "bois verdes", comem só capim? Vamos continuar a nos enganar? Seremos honestos com as futuras gerações? Quem está disposto a pensar um novo Brasil? Seremos os bois-de-presépio da vez, que sentam-se na lanchonete e devoram silenciosos seus hambúrgueres? O desafio Cabe a nós, e tão somente a nós todos, sermos diligentes e eficientes em propor um novo pacto civilizatório para a Amazônia, capaz de diminuir a pressão sobre as populações nativas e o meio ambiente. Seus 23 milhões de habitantes, com amplas necessidades de consumo, inclusive de proteínas, demandam respostas rápidas. Afinal, come-se a Amazônia três vezes ao dia, no café-da-manhã, no almoço e no jantar. Deste total há 7 milhões de habitantes na zona rural, dos quais cerca de 2 milhões vivem em trinta mil comunidades tradicionais, em sua maioria com acesso precário a serviços públicos de educação, saúde, água, esgotos, energia, segurança e assistência técnica agrícola. Não estará na hora de nos transformarmos de destruidores em enriquecedores da natureza. Será que não bastam os 75 milhões de hectares já desmatados da Amazônia (área superior a toda área agrícola do país) para revolucionarmos nossa compreensão de floresta tropical produtiva? Não será a hora de formarmos agricultores da sustentabilidade (permacultores), criadores de peixe, guarda-parques, guias de ecoturismo, artesãos, madeireiros cuidadosos, cientistas e estudiosos do saber local? E nós, continuaremos a ser meros telespectadores? Corrigindo, na verdade, somos mais que telespectadores, somos os que financiam este processo, silenciosamente, nas gôndolas de supermercado, nos espetinhos, nos pastéis de carne...Mais do que rebanhos de consumidores, de cabeça baixa, nossa ignorância alimenta a injustiça e a destruição. Aceitamos, silenciosamente, que as coisas continuem como estão. Medidas práticas para o dia de hoje Você pode mudar a Amazônia a partir de agora. A sua decisão de consumo afetará profundamente o que se produz na Amazônia. Ao nível individual: - se você come carne, pergunte a quem lhe vende, de onde vem a carne para saber se você está comendo ou não a Amazónia? - Se você mora fora do Brasil – pergunte se é mesmo imprescindível vir carne da Amazônia e das outras florestas tropicais (muitas vezes você come a Amazónia na forma de soja, que ao invés de alimentar pessoas é dado a porcos, galinhas e vacas)? - Que medidas o poder público pode tomar agora por meio de decreto: aumentar a taxa do imposto territorial rural das áreas de pastagens, modificar a fórmula de cálculo do imposto de renda dos fazendeiros, fiscalizar com seriedade as questões ambientais, trabalhistas e tributárias da cadeia produtiva da carne na Amazônia. Ao nível coletivo nacional: - Não seria oportuno discutir uma moratória de alguns anos, digamos, quatro anos, onde nenhuma autorização de desmatamento fosse concedida. Não seria este um tipo de compromisso que um novo presidente da República deveria assumir? - Não seria oportuno organizar um amplo programa de reeducação para fazendeiros e suas famílias, permitindo que fossem capacitados em técnicas sustentáveis de convivência com a floresta? Afinal, eles são pessoas como nós, que só querem ter uma vida digna para si e seus familiares. A pecuária é apenas o meio de vida que se lhes coube e que sabem trabalhar. Ao nível coletivo internacional: - Não está na hora de efetivamente discutir a relação entre a destruição das florestas tropicais do globo e a pecuária e o consumo de madeiras tropicais? Teremos que olhar a Amazônia de outra forma, não através dos olhos bovinos que esmagaram o futuro nos últimos cinco séculos. É preciso que aceitemos que não somos bois-de-presépio nem bois-de-piranha. Somos seres capazes de decidir o que queremos. E queremos justiça social, ambiente saudável, emprego e renda com equidade. Queremos entregar às futuras gerações a Amazônia com a etnodiversidade, a biodiversidade e a diversidade cultural melhor ou igual àquela que recebemos. maio de 2006.
* João Meirelles Filho (autor) vive em Belém, Pará, na região do estuário do rio Amazonas. Trabalha numa entidade sem fins lucrativos, o Instituto Peabiru – http://www.peabiru.org.br/ e se dedica ao fortalecimento institucional de organizações sem fins lucrativos da Amazônia. É autor do Livro de Ouro da Amazônia (3 a edição, Ediouro, Rio de Janeiro 2.004). Décima geração de pecuaristas que abriram as fronteiras pioneiras do Brasil, deixou de comer carne bovina em 2.000.
* João Meirelles Filho (autor) vive em Belém, Pará, na região do estuário do rio Amazonas. Trabalha numa entidade sem fins lucrativos, o Instituto Peabiru – http://www.peabiru.org.br/ e se dedica ao fortalecimento institucional de organizações sem fins lucrativos da Amazônia. É autor do Livro de Ouro da Amazônia (3 a edição, Ediouro, Rio de Janeiro 2.004). Décima geração de pecuaristas que abriram as fronteiras pioneiras do Brasil, deixou de comer carne bovina em 2.000.
quinta-feira, 30 de agosto de 2007
Além do bem-estar físico
Matéria sobre VEGetariANISMO que saiu no Jornal de Brasília.
Com o pensamento nos direitos dos bichos, os vegans optaram por não consumir carne e alimentos derivados de animais.
Grasielle Castro
Eles são pessoas como você. Não há nenhuma diferença visível. Porém, o incomum ocorre na hora de comer. Adotaram como estilo alimentar o veganismo: não come carnes, ovos ou derivados de origem animal. Geralmente, esta opção surge seguida da conscientização de libertação animal.
No início, para quem está inserido em uma cultura que tem tradição de comer carne, é difícil até ser vegetariano. O estudante de Ciências Sociais, Daniel Kirjner, 22 anos, é vegan há dois anos e esclarece logo. "No início, as pessoas acham graça. Antes de me interessar pela libertação animal, eu até zoava meus amigos que são vegans, mas com o tempo aquilo passou a fazer sentido para mim. Senti-me incoerente comendo carne e achei que o certo fosse parar com derivados também".
Mas logo as dificuldades aparecem. A primeira surge quando o vegan vai comer fora de casa. As opções são poucas e quase não há cultura de alimentos de origem vegetal. Daniel esclarece que as poucas alternativas estão relacionadas à nutrição, saúde ou estética e que à noite, o momento de diversão, de alguma maneira, exclui estes princípios. Porém ele ressalta que, o sacrifício que o vegan pode fazer é bem menor que o dos animais. "Esse é o meu jeito de se virar, ter um estilo prazeroso e coerente".
No entanto, a restrição à cultura de alimentos de origem vegetal ainda faz com que o termo vegan seja alvo de preconceitos. O assistente social Leonardo Ortegal, 22 anos, diz que para evitar confusão, considera-se um vegetariano estrito. "É um termo mais próximo do vocabulário brasileiro e evita polêmicas". Para ele, esta é uma forma de não consumo consciente. Tanto, quanto sua namorada Natália Dantas e a filha do casal Luísa Ortegal, quatro anos, são vegetarianos. Para saber mais sobre o veganismo, Leonardo faz parte de um grupo de estudos vegetariano. "No grupo a gente estuda toda matemática vegetariana. Desde culinária a tratamentos de animais, porque eles merecem o mesmo tratamento que devia dar ao nosso próximo, tratamento ideal de direito à vida. No momento, estamos lendo o livro Jaulas Vazias, de Tom Regan, principal filósofo e ativista dos direitos animais.
Em prol dos animaisA luta pela conscientização alimentar não está restrita aos estudos. Existe ainda o Madu, um grupo de ação que começou com uma série de manifestações contra o uso de animais em circos. O nome veio de uma elefante fêmea de circo, que matou três treinadores. Ela sofria da Síndrome do Elefante, que a tornava agressiva devido os maus-tratos e falta de alimentação adequada.
Segundo o estudante Júnior Pereira, 18 anos, um dos organizadores do grupo, as ações são interligadas com outras cidades. Ele adianta que entre os planos estão a Verdurada, um mutirão de reflorestamento em áreas degradadas, um ciclo de palestras e debates nas escolas do DF. "E já temos agendado vários eventos para o próximo dia 4 de outubro, que é o dia mundial dos animais", completa.
Straight edge: o xis da questão
Existe, ainda, uma ideologia que vai além do pensamento vegan. O Straight edge engloba a raiz vegan e adiciona a ela ingredientes relacionados ao comportamento. Por exemplo, o sXe não usa qualquer tipo de droga, acredita que o rock é possível sem drogas e sexo promíscuo. Embora o modo de vida straight edge não incluir nenhuma idéia política ou social, muitos dos adeptos a este estilo de vida defendem a anarquia, o socialismo ou a sustentabilidade.
A marca clássica do sXe é o X, geralmente, tatuado na mão. Em 1980, quando começou o sXe, que é completamente relacionado à música, os jovens iam a shows e, para que não consumissem bebidas alcóolicas, era feito um X na mão dos menores. O X acabou se tornando uma forma de negação, como quem diz eu não quero beber, eu quero me diverti. Uma das bandas que deu o primeiro passo no movimento foi o Minor Threat com os versos: "I Don't Drink, I Don't Smoke, I Don't Fuck - At Least I can fuckin' think! [...]" (Eu não bebo, eu não fumo, eu não fodo - Pelo menos eu consigo pensar, porra!).
VerduradaNo Brasil, o sXe está em constante crescimento. Bimestralmente, desde 1996, em São Paulo ocorre a Verdurada, o evento mais importante do calendário hardcore-punk-straightedge brasileiro. Os objetivos de quem organiza a verdurada são basicamente dois: mostrar que se pode fazer com sucesso eventos sem o patrocínio de grandes empresas e sem divulgação paga na mídia e levar até o público a música, as idéias e opiniões de pensadores e ativistas divergentes.
Em Brasília, uma das bandas que usam a música como mídia para disseminar a idéia é a Linha de Frente (foto). Segundo Frederico Galeno, baterista da banda, a intenção é fazer com que as pessoas reflitam sobre o que acontece. "Neste ano, tocamos no Porão do Rock e quando nós falamos, as pessoas pararam e escutaram. Com certeza, pelo menos, uma parou para pensar e isso já vale", anima. Frederico completa e diz que nas músicas da banda costuma falar sobre veganismo, que agrega valor ao sXe e é algo maior. O mote da banda é ser a favor da vida, dos animais, da libertação da terra, do ser humano em geral e contra o aborto.
Apesar de o sXe, ser um modo de vida mais intenso que o veganismo, não é necessariamente preciso que os adeptos sejam vegan. É comum dizer que os sXe que ainda não são vegan, serão com tempo. Mas isso ainda é muito pessoal, Frederico conta que não considera sXe uma pessoa que não é vegan.
Link da Fonte:
http://www.clicabrasilia.com.br/impresso/noticia.php?IdNoticia=303118&busca=veganismo
Com o pensamento nos direitos dos bichos, os vegans optaram por não consumir carne e alimentos derivados de animais.
Grasielle Castro
Eles são pessoas como você. Não há nenhuma diferença visível. Porém, o incomum ocorre na hora de comer. Adotaram como estilo alimentar o veganismo: não come carnes, ovos ou derivados de origem animal. Geralmente, esta opção surge seguida da conscientização de libertação animal.
No início, para quem está inserido em uma cultura que tem tradição de comer carne, é difícil até ser vegetariano. O estudante de Ciências Sociais, Daniel Kirjner, 22 anos, é vegan há dois anos e esclarece logo. "No início, as pessoas acham graça. Antes de me interessar pela libertação animal, eu até zoava meus amigos que são vegans, mas com o tempo aquilo passou a fazer sentido para mim. Senti-me incoerente comendo carne e achei que o certo fosse parar com derivados também".
Mas logo as dificuldades aparecem. A primeira surge quando o vegan vai comer fora de casa. As opções são poucas e quase não há cultura de alimentos de origem vegetal. Daniel esclarece que as poucas alternativas estão relacionadas à nutrição, saúde ou estética e que à noite, o momento de diversão, de alguma maneira, exclui estes princípios. Porém ele ressalta que, o sacrifício que o vegan pode fazer é bem menor que o dos animais. "Esse é o meu jeito de se virar, ter um estilo prazeroso e coerente".
No entanto, a restrição à cultura de alimentos de origem vegetal ainda faz com que o termo vegan seja alvo de preconceitos. O assistente social Leonardo Ortegal, 22 anos, diz que para evitar confusão, considera-se um vegetariano estrito. "É um termo mais próximo do vocabulário brasileiro e evita polêmicas". Para ele, esta é uma forma de não consumo consciente. Tanto, quanto sua namorada Natália Dantas e a filha do casal Luísa Ortegal, quatro anos, são vegetarianos. Para saber mais sobre o veganismo, Leonardo faz parte de um grupo de estudos vegetariano. "No grupo a gente estuda toda matemática vegetariana. Desde culinária a tratamentos de animais, porque eles merecem o mesmo tratamento que devia dar ao nosso próximo, tratamento ideal de direito à vida. No momento, estamos lendo o livro Jaulas Vazias, de Tom Regan, principal filósofo e ativista dos direitos animais.
Em prol dos animaisA luta pela conscientização alimentar não está restrita aos estudos. Existe ainda o Madu, um grupo de ação que começou com uma série de manifestações contra o uso de animais em circos. O nome veio de uma elefante fêmea de circo, que matou três treinadores. Ela sofria da Síndrome do Elefante, que a tornava agressiva devido os maus-tratos e falta de alimentação adequada.
Segundo o estudante Júnior Pereira, 18 anos, um dos organizadores do grupo, as ações são interligadas com outras cidades. Ele adianta que entre os planos estão a Verdurada, um mutirão de reflorestamento em áreas degradadas, um ciclo de palestras e debates nas escolas do DF. "E já temos agendado vários eventos para o próximo dia 4 de outubro, que é o dia mundial dos animais", completa.
Straight edge: o xis da questão
Existe, ainda, uma ideologia que vai além do pensamento vegan. O Straight edge engloba a raiz vegan e adiciona a ela ingredientes relacionados ao comportamento. Por exemplo, o sXe não usa qualquer tipo de droga, acredita que o rock é possível sem drogas e sexo promíscuo. Embora o modo de vida straight edge não incluir nenhuma idéia política ou social, muitos dos adeptos a este estilo de vida defendem a anarquia, o socialismo ou a sustentabilidade.
A marca clássica do sXe é o X, geralmente, tatuado na mão. Em 1980, quando começou o sXe, que é completamente relacionado à música, os jovens iam a shows e, para que não consumissem bebidas alcóolicas, era feito um X na mão dos menores. O X acabou se tornando uma forma de negação, como quem diz eu não quero beber, eu quero me diverti. Uma das bandas que deu o primeiro passo no movimento foi o Minor Threat com os versos: "I Don't Drink, I Don't Smoke, I Don't Fuck - At Least I can fuckin' think! [...]" (Eu não bebo, eu não fumo, eu não fodo - Pelo menos eu consigo pensar, porra!).
VerduradaNo Brasil, o sXe está em constante crescimento. Bimestralmente, desde 1996, em São Paulo ocorre a Verdurada, o evento mais importante do calendário hardcore-punk-straightedge brasileiro. Os objetivos de quem organiza a verdurada são basicamente dois: mostrar que se pode fazer com sucesso eventos sem o patrocínio de grandes empresas e sem divulgação paga na mídia e levar até o público a música, as idéias e opiniões de pensadores e ativistas divergentes.
Em Brasília, uma das bandas que usam a música como mídia para disseminar a idéia é a Linha de Frente (foto). Segundo Frederico Galeno, baterista da banda, a intenção é fazer com que as pessoas reflitam sobre o que acontece. "Neste ano, tocamos no Porão do Rock e quando nós falamos, as pessoas pararam e escutaram. Com certeza, pelo menos, uma parou para pensar e isso já vale", anima. Frederico completa e diz que nas músicas da banda costuma falar sobre veganismo, que agrega valor ao sXe e é algo maior. O mote da banda é ser a favor da vida, dos animais, da libertação da terra, do ser humano em geral e contra o aborto.
Apesar de o sXe, ser um modo de vida mais intenso que o veganismo, não é necessariamente preciso que os adeptos sejam vegan. É comum dizer que os sXe que ainda não são vegan, serão com tempo. Mas isso ainda é muito pessoal, Frederico conta que não considera sXe uma pessoa que não é vegan.
Link da Fonte:
http://www.clicabrasilia.com.br/impresso/noticia.php?IdNoticia=303118&busca=veganismo
segunda-feira, 2 de julho de 2007
Programa do Fantástico reconhece que a carne é o alimento ambientalmente mais incorreto
Veja a matéria intitulada "Mundo de Valentina: o futuro da comida no planeta" passada no Fantástico no dia 01/07/2007:
http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM695884-7823-O+MUNDO+DE+VALENTINA+O+FUTURO+DA+COMIDA+NA+TERRA,00.html
http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM695884-7823-O+MUNDO+DE+VALENTINA+O+FUTURO+DA+COMIDA+NA+TERRA,00.html
ou, caso não consiga visualizar o vídeo, leia a íntegra da matéria em:
terça-feira, 13 de março de 2007
Nike lança tênis de pele de crocodilo por R$ 5,7 mil
A Nike deve comprar briga com as entidades de defesa dos animais. Tudo porque a fábrica de calçados lançou um modelo especial de comemoração com pele de cobras e crocodilos. O modelo, segundo o jornal The Sun, custa 1,4 mil libras (R$ 5,7 mil).
O tênis conta com pele de crocodilo de água salgada e de cobras anacondas, as maiores do mundo.
O novo modelo está à venda em lojas especializadas. Em Londres, de acordo com o The Sun, o calçado está em exposição em uma caixa de vidro, especialmente iluminada para o lançamento da Nike.
Grupos de defesa dos animais já se levantaram contra o novo tênis da fábrica. "Quem compra esse tipo de tênis apóia a crueldade", disse um porta-voz da ONG People for the Ethical Treatment of Animals (Peta).
CONFIRA AS FOTOS DO PRODUTO NO SITE DA FONTE
FONTE: http://br.invertia.com/noticias/noticia.aspx?idNoticia=200703121547_INV_30421462&idtel=
segunda-feira, 12 de fevereiro de 2007
Ato aqui em Brasília (pelo dia internacional contra os casacos de pele)
Em Brasília, realizaremos um ato na frente da Embaixada apartir das 10h da manhã (amanhã, terça-feira 13/02).
A Embaixada da CHINA fica na Quadra 813 Lote 51 Av. das Nações, Asa Sul - Brasília - DF
Telefone: 3346-4436/3346-1880 (Você pode ligar para deixar a sua opinião)
A Embaixada da CHINA fica na Quadra 813 Lote 51 Av. das Nações, Asa Sul - Brasília - DF
Telefone: 3346-4436/3346-1880 (Você pode ligar para deixar a sua opinião)
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