sexta-feira, 1 de agosto de 2008
Um pequeno resumo do desastroso histórico desse Circo:
25/03/2006 - Funcionários do Le Cirque agridem ambientalistas em São José/SC:
http://0nca.multiply.com/journal/item/98
Ainda em 2006, o Le Cirque foi multado pelo IBAMA por maus-tratos aos animais:http://www.ibama.gov.br/df/index.php?id_menu=97&id_arq=57
http://www.ibama.gov.br/df/index.php?id_menu=97&id_arq=57
http://www.arcabrasil.org.br/noticias/061030_le_cirque.htm
http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2006/10/362684.shtml
http://gato-negro.org/blog/le-cirque-e-multado-em-brasilia/
http://www.abeac.org.br/modules.php?name=News&file=article&sid=501
27/01/2007 - Goiânia: Manifestantes foram proibidas/os de ficarem na calçada do lado do circo, tendo, assim, que protestarem do outro lado da rua: http://prod.midiaindependente.org/pt/blue//2007/01/371881.shtml
Em maio de 2007, o dono do circo foi acusado de mentir, após dizer, em entrevista ao Jornal 'Última Hora News, de Campo Grande - MS, que seu circo era ligado à WWF-Brasil. Fez isso tentando distrair atenção de manifestantes. O fato foi desmentido pouco depois no próprio jornal e na página da Rede Ambientalista:
http://www.ultimahoranews.com/not_ler.asp?codigo=53670
http://www.wwf.org.br/natureza_brasileira/meio_ambiente_brasil/pantanal/pantanal_news/index.cfm?uNewsID=7500
Manifestações contra animais em circos (no Circo 'Le Cirque')
animais. Na última vez, o circo anunciou ficar por pouco tempo, mas acabou ficando por mais três meses, desta vez não deve ser muito diferente.
Sua primeira apresentação foi na noite da última sexta-feira (25/07), como estávamos com muito material (semi-pronto) e um pouco receos@s dos último atos (o Le Cirque sempre mostrou intolerência à discordâncias) acabamos realizando uma curta panfletagem e fomos embora. Na tarde do dia seguinte (Sábado, 26/07), já com um pouco mais de pessoas (14 no total), fomos até lá dispost@s a ficar mais tempo e oferecer maior resistência. O que não foi muito bem recebido pela equipe de segurança do Circo. Tudo começou com o responsável indo nos 'pedir' para mudar de local (sairmos da entrada do circo), o que, por motivos lógicos (o lugar onde estávamos era o melhor para chamar atenção), não foi atendido. Depois de um pouco de 'negociação' e críticas aos nosso materias (faixas e cartazes) feitas pelo responsável do circo; um funcionário, quando ia receber um panfleto (a manifestante não sabia que se tratava de um funcionário), arrancou com seu carro, de forma agressiva, para cima da manifestante e tomou todos os panfletos de suas mãos, o que terminou por causar algumas lesões em seu braço. Essa mesma manifestante agredida teve, em 2006, sua máquina fotográfica extraviada pelos mesm@s seguranças. Na ocasião, quando foi à delegacia registrar ocorrência, foi recebida assim: "mas por que você foi fazer manifestação na porta do circo também, né? Eu também sou a favor da causa animal e contribuo para o Greenpeace. Por que você em vez de ir pro circo não faz o mesmo?".
Desta vez, não foi diferente. Como sempre, tentaram diminuir o caso e nos aconselharam a parar...
Um pouco depois, um outro funcionário do circo, tentou arrancar das mãos de uma outra manifestante uma faixa, o que ele não foi realizado pois mais gente chegou para ajudá-la.
Já no final, um outro funcionário (3º já) ameaçou um manifestante que estava filmando o
ato. Esse fato, felizmente, nós conseguimos gravar. Assistam ao vídeo aqui:
http://br.youtube.com/watch?v=zULjUL95dPE
Nesse mesmo vídeo temos uma imagem do agressor da manifestante, ele é o da direita (de camisa preta, escrito Le Cirque em amarelo nas costas).
terça-feira, 24 de junho de 2008
Julgamento simbólico condena líderes europeus que apóiam as touradas
O júri da Corte Internacional de Justiça para os Animais incluiu em sua sentença simbólica um pedido para que sejam fechadas as escolas de tauromaquia e se proíba o acesso dos menores de 16 anos às praças de touro.
Além disso, solicita ao Parlamento Europeu que convoque um plebiscito para que os cidadãos da União Européia possam se pronunciar sobre a abolição dessa prática. A sentença também pede ao Papa Bento XVI que "aplique novamente" medidas "que condenem os jogos taurinos" e que estabeleçam claramente "que os espetáculos sangrentos que são as corridas devem ser" abolidos.
Por apoiar este tipo de atividade, o júri declarou simbolicamente culpados o chefe de Governo espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, o presidente da França, Nicolas Sarkozy, e seu primeiro-ministro, François Fillón, o presidente da Comissão Européia, José Manuel Barroso, e o ex-presidente português Jorge Sampaio. Este julgamento foi auspiciado pela Fundação suíça Franz Weber, que criou a Corte de Justiça para os Animais em 1979.
Durante a audiência discursaram representantes de organizações espanholas, francesas e portuguesas defensoras dos animais, assim como veterinários, psicólogos infantis, e ex-freqüentadores de touradas. Todos eles apresentaram dados e testemunhos a favor da abolição das touradas, que foram apoiados por vídeos que mostravam momentos de agonia desses animais nas praças.
Fonte: http://ultimosegundo.ig.com.br/mundo/2008/06/23/julgamento_simbolico_condena_lideres_europeus_que_apoiam_as_touradas_1384999.html
segunda-feira, 16 de junho de 2008
Veganismo cresce na Argentina e coloca em alerta criadores de animais
- Os criadores de animais de fazenda e os peleteiros da Argentina estão em alerta pelo que consideram uma onda de ataques de defensores do Veganismo, vegetarianos radicais que lutam contra os maus-tratos e a exploração de animais.
Sua última aparição foi há um mês na elegante rua Florida, no centro de Buenos Aires, onde fizeram pichações e gritaram palavras de ordem contra os negócios de venda de artigos de couro e peles, que nessa época atraem dezenas de turistas.
Os manifestantes também realizaram protestos mais radicais, como libertar galinhas e coelhos de fazendas, queimar um criadouro de chinchilas e invadir lojas de animais de estimação.
"Trata-se de grupos de adolescentes fanáticos, com transtornos psicológicos, agressivos e frustrados", disse à Agência Efe o presidente da Associação de Criadores de Chinchilas, Héctor Aleandri, que lidera a cruzada contra o que considera "terroristas ecológicos".
No extremo oposto, grupos como o Frente de Libertação Animal e a Federação Libertária Argentina dizem que os verdadeiros terroristas são os que semeiam o terror entre os animais.Em seu site chamado Calamidades, Aleandri ressalta que grupos radicais como os veganistas chegam ao extremo de libertar caracóis e enviar cartas-bomba a laboratórios que usam ratos como cobaias.
Os veganistas também fazem sua própria batalha na internet, onde exibem imagens horríveis de animais sendo maltratados e explicam seus princípios.
Além de não consumir carne, ovos, laticínios, mel e drogas desenvolvidas em laboratórios que fazem testes com animais, eles também não comem vegetais expostos a adubos de origem animal, nem usam couro, peles e tecidos de lã e seda natural.
Segundo disseram à Efe integrantes do movimento, a filosofia põe em categoria de igualdade animais "humanos e não-humanos", e por essa razão não aceitam zoológicos, corridas de cavalos, circos com animais e qualquer outra forma de "escravidão".
Na Argentina, a maioria de seus militantes tem menos de 30 anos e pertencentes a vertentes muito diversas, que vão de anarquistas a hare krishnas.
Isso explica as divergências de opinião sobre as chamadas ações diretas que buscam terminar com o "sofrimento animal". No chamado Veganismo é possível observar uma divisão entre os que brigam por um tratamento ético para os animais e os que não admitem nenhum tipo de utilização e submissão dos animais. "O vegetarianismo é uma forma de vida não violenta baseada no respeito à vida.
Só estamos a favor das ações legais, nos expressando de acordo com a lei", disse à Efe Manuel Alfredo Martí, da União Vegetariana Argentina. O grupo Anima Naturalis também optou por formas legais de protesto, como uma campanha que acaba de ser lançada na Argentina contra o uso de peles, o que para os partidários de ações mais diretas é um fiasco. Os mais moderados "promovem uma lenta mudança nas condições em que se cria e mata os animais. Isso é uma hipocrisia pois se falamos de vidas, é necessária e urgente uma ação direta contra as injustiças feitas sobre os animais inocentes", disse a jovem Jill.
A jovem é consciente de que sua postura coloca seu grupo em uma certa marginalidade, mas defende uma mudança de consciência sobre os hábitos que "afetam não só os demais animais, mas também o próprio ser humano e a Terra". "O povo acredita que somos poucos, mas somos muitos, ativos, alertas e presentes em nossa causa.
O movimento veganista acaba de começar. Não vamos parar até que todas as jaulas estejam vazias e sejam destruídas", explica Jill.Aleandri defende que leis anti-discriminação sejam aplicadas, já que os granjeiros e peleteiros são discriminados pelo fato de trabalharem com animais.
"É difícil libertar animais aqui, te esperam com uma escopeta", disse à Efe um veganista que preferiu não se identificar. EFE nk/rr
Fonte: http://ultimosegundo.ig.com.br/economia/2008/06/16/veganismo_cresce_na_argentina_e_coloca_em_alerta_criadores_de_animais_1364126.html
segunda-feira, 9 de junho de 2008
Verdes radicais representam risco para os negócios
http://jbonline.terra.com.br/editorias/economia/papel/2008/06/01/economia20080601007.html
Estudo da Ernst & Young mostra que o veganismo está entre os 10 maiores problemas que afetam as vendas de um produto
Leda Rosa
São Paulo
Valeska Velloso, advogada de 32 anos, moradora de Ipanema, lê o rótulo de qualquer produto novo antes de usar. Na dúvida, liga para a empresa. Se houver um único item de origem animal, Valeska avisa à atendente que lamenta mas não voltará a comprar o produto enquanto a substância constar na composição. Valeska é uma típica radical greening, consumidor detectado pelo estudo Os 10 maiores riscos para os negócios, da consultoria Ernst & Young.
Na pesquisa, os verdes radicais e suas exigências socioambientais são ao mesmo tempo ameaça à fartura nas vendas e demanda por mudanças estruturais em fórmulas e linhas de produção. Conforme a capacidade de cada empresa em se adequar às suas exigências, este cliente meticuloso deixa de ser risco para se tornar oportunidade de ampliar o negócio, como já perceberam inúmeras companhias que estão apostando na reformulação de seus produtos para ampliar o leque de consumidores.
O estudo entrevistou mais de 70 analistas em todo mundo para identificar as novas tendências e incertezas dos negócios nos próximos cinco anos. Foram analisados 12 setores da economia – automotivo, bancos, mercado de capitais, biotecnologia, bens de consumo, seguro, mídia e entretenimento, óleo & gás, farmacêutico, imobiliário, telecomunicações e utilidades.
O resultado foi uma lista com os 10 maiores riscos para os negócios, na qual os verdes radicais ocupam a nona posição. Entre as áreas pesquisadas, três se mostraram mais vulneráveis aos ambientalistas: óleo & gás, automobilismo, mercado de capitais, utilidades (indústria de transformação) e imobiliário. Mas a cobrança tem caráter restrito.
– É uma tendência irreversível, que faz aumentar o consumo de alimentos orgânicos e sucos naturais, busca carros mais econômicos, prioriza eletrodomésticos com menor consumo de energia e vê com reticências o álcool brasileiro se ele vier da Amazônia – diz Joel Bastos, diretor de sustentabilidade da Ernst & Young.
– Assim que descobrimos que um produto contém componente animal, avisamos a toda comunidade vegana, seja pela Internet e no boca-a-boca – diz Valeska, que divulga ainda o que sabe ao público da feira de produtos orgânicos que acontece aos sábados no bairro da Glória. – Também escrevemos para os serviços de atendimento ao consumidor (SAC) das empresas, cobrando o fim dos testes em animais e acompanhamos se estão tomando providências.
Segundo Valeska, o objetivo dos veganos não é renunciar ao consumo, mas exigir novas práticas.
– Queremos que adotem posturas mais éticas, porque o problema com os animais envolve todo o meio ambiente.
Mas, em muitos casos, pela restrição das opções do mercado, os veganos acabam optando por empresas que não se alinham totalmente com sua filosofia.
– Como é muito difícil encontrar empresas 100% veganas, ou seja que só comercializam produtos vegetais e não fazem testes em animais, optamos por corporações amigas dos veganos, com produtos 100% vegetais e que não pratiquem testes – diz a funcionária pública federal Anna Marcia, de 28 anos, moradora da Tijuca.
Vegana há cinco anos, a funcionária pública Laura Kim Barbosa, de 36 anos, percebe uma evolução na oferta de produtos nos últimos dois anos.
– Agora tem doce de leite, chocolate, linguiça e até salsicha.
Otimismo
Mas a opção não é consenso. – Tento minimizar meu incentivo de consumidor de produtos de empresas que mantêm práticas abusivas contra os animais – diz David Turchick, economista de 25 anos que mora em São Paulo. – Acho que nosso foco deve ser o público, não as empresas, porque produzem para atender à demanda. Mas sou otimista. Acho que o movimento pelo direito dos animais é uma luta que se vence neste século.
Segundo o levantamento da Ernst & Young, a busca não é exclusiva dos veganos nem do Brasil.
– Há tendências apontadas como a busca por imóveis que priorizam a economia de energia e de água e bens de consumo fabricados e utilizados com respeito ao meio ambiente entre outros – diz Bastos.
Para ele, um dos pontos mais importantes do levantamento é o que mostra o risco como o embrião da oportunidade.
– As dificuldades que as empresas teriam estão diretamente relacionadas à capacidade de alterar seus produtos ou meios de produção de tal forma que possam atender aos ‘novos’ consumidores – completa.
[ 01/06/2008 ] 02:01quinta-feira, 5 de junho de 2008
Elefante mata tratador em Bangladesh
DACA (Reuters) - Um elefante de circo pisoteou até a morte seu treinador no sudeste de Bangladesh e depois correu por uma rodovia, assustando as pessoas, disse a polícia do país na quinta-feira.
Segundo as forças de segurança, tudo começou quando o treinador atingiu o animal na cabeça com uma barra de ferro depois de o elefante ter resistido a caminhar por sobre uma ponte, perto da cidade de Barishal (280 quilômetros ao sul da capital do país, Daca), na quarta-feira.O elefante integrava um grupo de três animais dessa espécie que era levado para realizar uma apresentação em um circo, disse o chefe de polícia.Após esmagar o treinador, o elefante descontrolou-se e saiu correndo por uma estrada, onde o trânsito ficou interrompido por mais de duas horas até que o animal fosse preso a correntes.Cerca de cem dos 400 elefantes de Bangladesh vivem em cativeiro, sendo utilizados por circos, agências de trabalho e madeireiras legalizadas.Em média, cerca de 20 pessoas são mortas por elefantes selvagens no país, todos os anos, um número que vem aumentando devido à devastação das florestas.
(Reportagem de Nizam Ahmed)
quarta-feira, 28 de maio de 2008
Carol J. Adams - A Construção Social de Corpos Comestíveis e Seres Humanos como Predadores
Ecofeminism and the Eating of Animals. Hypathia, No. 6, 1991, pp. 134-137.
Tradução: Coletivo Madu
Nós somos predadores ou não somos? Em uma tentativa de nos ver como seres naturais, algumas pessoas argumentam que seres humanos são simplesmente predadores como alguns outros animais. Vegetarianismo é então visto como não natural, enquanto o carnivorismo dos outros animais é transformado em paradigmático. Direitos animais são criticados “porque não entendem que uma espécie apoiando ou sendo apoiada por outra é a forma natural de sustentação da via” (Ahlers 1990, 433). As desanalogias mais profundas com animais carnívoros permanecem intocadas porque a noção de seres humanos como predadores é consoante com a idéia de que precisamos comer carne. De fato, o carnivorismo é verdadeiro para apenas 20 por cento dos animais não-humanos. Podemos realmente generalizar desta experiência e alegar sabermos precisamente qual é a “forma natural”, ou podemos extrapolar o papel dos seres humanos de acordo com este pardigma?
Algumas feministas argumentam que comer animais é natural porque nós não temos os estômagos duplos dos herbívoros ou dentes trituradores chatos e porque chimpanzés comem carne e a consideram uma iguaria (Kevles 1990). Este argumento da anatomia envolve filtração seletiva. De fato, todos os primatas são primariamente herbívoros. Apesar de alguns chimpanzés terem sido observados comendo carne morta – no máximo, seis vezes ao mês – alguns nunca comem carne. Corpos mortos constituem menos de 4 por cento da dieta do chimpanzé; muitos comem insetos, e eles não comem laticínios (Barnard 1990). Isto soa como a dieta dos seres humanos?
Chimpanzés, como a maioria dos animais carnívoros, são aparentemente melhor adaptados a capturar animais do que seres humanos são. Nós nos movimentamos muito mais devagar que eles. Eles tem dentes caninos de longa projeção para rasgar pele; todos os hominóides perderam seus caninos de longa projeção há 3,5 milhões de anos atrás, aparentemente para permitir mais ação esmagadora consistente com uma dieta de frutas, folhas, nozes, verduras e legumes. Se nós conseguirmos capturar presas animais nós não poderemos rasgar suas peles. Quando seres humanos viviam forrageando e óleo era raro, a carne de animais mortos era uma boa fonte de calorias. Pode ser que o aspecto de “iguaria” da carne tenha a ver com uma habilidade de reconhecer fontes densas de calorias. Entretanto, nós não mais temos necessidade de fontes tão densas de calorias como gordura animal, já que nosso problema não é a falta de gordura mas gordura demais.
Quando se argumenta que comer animais é natural, se presume que devermos continuar consumindo animais porque isto é o que nós requeremos para sobreviver, sobreviver de uma forma consoante com uma vida desimpedida por limitações culturais artificiais que nos privam da experiência de nosso eu verdadeiro. Mas como sabemos o que é natural quando se fala em alimentação, tanto por causa da construção social da realidade e do fato de que nossa história indica uma mensagem muito confusa sobre comer animais? Algumas pessoas o fizeram; a maioria não o fez, pelo menos a algum alto grau.
O argumento sobre o que é natural – ou seja, de acordo com seu significado, não culturalmente construído, nem artificial, mas algo que no retorna ao nosso eu verdadeiro – aparece em um contexto diferente que sempre atiça as suspeitas de feministas. Frequentemente é argumentado que a subordinação da mulher ao homem é natural. Este argumento tenta negar a realidade social através da apelação ao “natural”. O argumento do predador “natural” igualmente ignora a construção social. Já que comemos cadáveres de uma maneira bem diferente do que os outros animais – desmembrados, não mortos frescos, não crus, e com outros alimentos presentes – o que o faz natural?
Carne é uma construção social criada para parecer natural e inevitável. Na época em que o argumento da analogia com animais carnívoros é feita, o indivíduo fazendo tal argumento provavelmente consumiu animais desde antes do tempo em que ela ou ele podia falar. Racionalizações para o consumo de animais foram provavelmente oferecidas quando este indivíduo à idade de quatro ou cinco anos estava desconfortável com a descoberta de que a carne vem de animais mortos. O gosto do corpo morto precedeu as racionalizações, e ofereceu uma forte fundação para acreditar que as racionalizações eram verdadeiras, e pessoas nascidas nas últimas décadas enfrentaram o problema adicional de que, enquanto cresciam, carne e laticínios haviam sido canonizados como dois dos quatro grupos alimentares básicos. (Isto ocorreu nos anos 1950 e resultaram de pressões da indústria de laticínios e da carne. Na virada do século haviam doze grupos alimentares básicos.) Logo, indivíduos que não haviam experimentado gratificação no paladar ao comer animais podiam verdadeiramente acreditar no que lhes disseram interminavelmente desde a infância – que animais mortos são necessários para a sobrevivência humana. A idéia de que comer carne é natural se desenvolve neste contexto. Ideologia faz o artefato parecer natural, predestinado. De fato, a ideologia em si mesma desaparece perante a farsa de que esta é uma “questão alimentar”.
Nós interagimos com animais individuais diariamente se os comemos. Entretanto, esta afirmação e suas implicações são reposicionadas para que o animal desapareça e seja dito que estamos interagindo com uma forma de comida que foi nomeada “carne”. Em As Políticas Sexuais da Carne, eu chamo este processo conceitual no qual o animal desaparece de estrutura do referencial ausente. Animais em nome e corpo são feitos ausentes como animais para que a carne exista. Se animais estão vivos eles não podem ser carne. Logo, um cadáver substitui o animal vivo e animais se tornam referenciais ausentes. Sem animais não haveria consumo de carne, no entanto eles estão ausentes do ato de comer carne porque eles foram transformados em comida.
Animais são feitos ausentes através da linguagem, que renomeia cadáveres antes que consumidores e consumidoras participem em comê-los. O referencial ausente nos permite esquecer do animal como uma entidade independente. O assado no prato é desencorporado do porco o qual ela ou ele um dia foi. O referencial ausente também nos permite resistir a esforços para fazer animais presentes, perpetuando uma hierarquia meios-fins.
O referencial ausente resulta de e reforça o cativeiro ideológico: a ideologia patriarcal estabelece o padrão cultural de humano/animal, cria critérios que posicionam a diferença de espécie como importante em considerar quem pode ser meio e quem pode ser fim, e então nos doutrina a acreditar que precisamos comer animais. Simultaneamente, a estrutura do referencial ausente mantém animais ausentes de nosso entendimento da ideologia patriarcal e nos torna resistentes a ter animais feitos presentes. Isto significa que nós continuamos a interpretar animais da perspectiva de interesses e necessidades humanas: nós os vemos como usáveis e consumíveis. Muito do discurso feminista participa desta estrutura ao falhar em tornar os animais visíveis.
Ontologia recapitula a ideologia. Em outras palavras, a ideologia cria o que parece ser ontológico: se mulheres são ontologizadas como seres sexuais (ou estupráveis, como algumas feministas argumentam), animais são ontologizados como transportadores de carne. Ao ontologizar mulheres e animais como objetos, nossa linguagem simultaneamente elimina o fato de que outra pessoa está agindo como sujeito/agente/perpetrador de violência. Sarah Hoagland demonstra como isto funciona: “João violentou Maria,” se torna “Maria foi violentada por João,” então “Maria foi violentada”, e finalmente “mulher violentada,” e logo “mulheres violentadas” (Hoagland 1988, 17-18). Lembrando violência contra mulheres e a criação do termo “mulheres violentadas,” Hoagland observa que “agora algo que os homens fazem a mulheres se tornou, pelo contrário, parte da natureza da mulher. E nós perdemos consideração de João inteiramente.”
A noção do corpo animal como comestível ocorre em uma maneira similar e remove a atuação de seres humanos que compram animais mortos para consumi-los: “Alguém mata animais para comer seus corpos como carne,” se torna “animais são mortos para serem comidos como carne,” então “animais são carne,” e finalmente “animais de carne,” logo “carne”.
Algo que fazemos aos animais se torna, pelo contrário, algo que é parte da natureza dos animais, e nós perdemos consideração de nosso papel inteiramente.
Referências
Ahlers, Julia. Thinking like a mountain: Toward a sensible land ethic. Christian Century (April 25): 433-34.
Barnard, Neal. 1990. The evolution of the human diet. In The power of your plate. Summertown, TN: Book Publishing Co.
Hoagland, Sarah Lucia. 1988. Lesbian ethics: Toward new values. Palo Alto, CA: Institute for Lesbian Studies.
Kevles, Bettyann. 1990. Meat, morality and masculinity. The Women's Review of Books (May): 11-12.
domingo, 18 de maio de 2008
Gary Francione - Educação Vegana Facilitada – Parte 2
É claro que não.
Certamente é verdade que eu não aconselho que defensoras e defensores gastem seu tempo e recursos em uma campanha de assunto único. A razão é simples: campanhas de assunto único invariavelmente passam a impressão de que algumas formas de exploração animal são moralmente diferenciáveis de outras e são piores e deveriam ser abordadas separadamente para uma crítica especial. Por exemplo, uma campanha contra o uso de peles passa a impressão de que há alguma diferença moralmente relevante entre pele e outras formas de vestimenta animal, como couro ou lã. Uma campanha contra o consumo de carne animal passa a impressão de que comer carne é moralmente mais deplorável que beber leite ou comer ovos. Uma campanha contra ovos de granjas tradicionais sugere que ovos “caipiras” são moralmente desejáveis.
Este problema é inerente com campanhas de assunto único em uma sociedade em que a exploração animal é tida como normal. Se X, Y e Z são todas consideradas práticas normais em uma sociedade e estão fortemente relacionadas, então uma campanha contra X, mas não contra Y e Z, sugere que há alguma diferença relevante entre X de um lado e Y e Z de outro. Por exemplo, vivemos em uma sociedade na qual é considerado normal ou “natural” comer carne animal e outros produtos animais. Uma campanha que foque em carne passa a impressão de que há uma diferença moral entre carne e outros produtos animais, o que não é o caso. A prova disto é encontrada no fato de que muitas pessoas envolvidas na causa animal são vegetarianas mas não veganas. Se elas vêem distinção, então o que podemos esperar do público em geral?
Esta situação deve ser diferenciada de uma em que X, Y e Z são todas resguardadas como atividades ou práticas objetáveis. Por exemplo, todas e todos nós reconhecemos genocídio como uma coisa ruim, esteja ele acontecendo em Darfur, Somália ou Bósnia. Se nós temos uma campanha para parar o genocídio em Darfur, isto não significa que nós achamos que o genocídio em outros lugares é aceitável. Nós reconhecemos o estupro e a pedofilia como moralmente objetáveis. Uma campanha contra um não implica qualquer aprovação tácita do outro ou qualquer visão que um é moralmente diferençável do outro.
Este problema inerente com campanhas animais de assunto único é exacerbada pelo fato de que grupos animais que promovem essas campanhas frequentemente parabenizam exploradores que possam parar ou modificar alguma prática exploratória mas continuam a se empenhar em outras práticas relacionadas. Por exemplo, alguns defensores e defensoras apoiam ovos “caipiras” como a alternativa “socialmente responsável” aos ovos de granja tradicionais. Muitas grandes organizações de defesa animal patrocinam ou aprovam selos “humanos” que são colocados em produtos animais. Um proeminente eticista animal clama que ser um “onívoro consciente” é “uma posição ética defensível”. Isto passa uma mensagem moral muito clara e explícita: algumas formas de exploração animal são moralmente aceitáveis.
Além disso, campanhas de assunto único não apenas criam a falsa impressão de que algumas formas de exploração são qualitativamente diferentes em um senso moral que outras mas frequentemente resultam em falsas “vitórias”. Por exemplo, a campanha de assunto único na Califórnia contra o foie gras resultou em uma lei que foi na verdade apoiada pelo único produtor de foie gras na Califórnia porque ela o imunizou contra qualquer ação legal até 2012 e provavelmente vai ser rejeitada antes que seja posta em prática se a produção puder ser transformada para se tornar mais “humana.”
Então eu não sou muito fã de colocar tempo e dinheiro em campanhas de assunto único. Eu continuo afirmando que o nosso tempo, esforço e outros recursos são melhor alocados na promoção do veganismo. Enquanto mais de 99% do planeta acredita que comer alimentos animais e o consumo ou uso de produtos animais é aceitável, nós nunca conseguiremos fazer a mudança de paradigma que precisamos fazer se nós vamos mudar a noção de que seres humanos têm um direito moral de explorar não-humanos. Nós precisamos construir um movimento não-violento para a abolição que tenha o veganismo como sua base moral.
Mas isso não significa que nós não deveríamos nos opor a tipos de exploração em particular. Por exemplo, no último fim de semana, Eight Belles, que correu no Kentucky Derby, foi morta imediatamente após a corrida e na pista onde seus calcanhares cederam como resultado de uma corrida por uma duração e a uma velocidade para as quais ela não estava adequada. Eu fui entrevistado em um programa de rádio e fui perguntado sobre minhas visões a respeito de Eight Belles. Eu expliquei que eu me opunha a toda a corrida de cavalos mas como uma parte de minha visão geral de que seres humanos não têm qualquer justificativa moral para usar animais não-humanos, incluindo para alimentação. O apresentador do programa continuou a partir daí e falou como ele ama e se preocupa com seu cachorro mas participou de um churrasco no fim de semana passado no qual ele consumiu outros animais. Então, em uma questão de poucos minutos, a conexão entre corrida de cavalos e outras formas de exploração, particularmente o ato de comer produtos animais, foi feita.
Então quando nós discutimos e criticamos formas particulares de exploração, é importante deixar claro que nós enxergamos a prática particular como injustificável moralmente e não que nós achamos que a prática ou atividade possa melhorar se a regularmos para que se torne mais “humana”. E é crucial deixar claro que nossa oposição à prática ou atividade é parte de nossa oposição a todo o uso animal. Nós não devemos fugir de deixar claro que nós procuramos a abolição de toda a exploração animal.
Então, quando você se confrontar com uma prática ou atividade em particular e quer ou te pedem para comentar, você deve fazê-lo se estiver com disposição. Apenas deixe claro que a solução para o problema não é tornar a atividade ou prática mais “humana”, mas reconhecer que a prática é transparentemente frívola, assim como a maioria do uso de animais não-humanos, e deve ser abolida – assim como toda exploração animal deveria.
Aqui estão dois exemplos:
P: Eu estava lendo sobre foie gras. O jeito que fazem é terrível, não é?
R: Com certeza é. Mas não é realmente diferente de todo o resto que comemos. O bife que você comeu hoje, ou o copo de leite que você bebeu esta manhã, envolveu um processo de produção tão horrível quanto o foie gras. E nós não temos o direito de matar animais não-humanos só porque achamos que eles têm um gosto bom independentemente do jeito que os tratamos.
P: O circo está vindo para a cidade. O que você, advogado dos animais, acha sobre o uso de animais em circos?
R: Eu acho horrível. Nós impomos sofrimento e morte aos animais por mera diversão e isso é realmente incoerente com o que alegamos acreditar quando expressamos nossa concordância com a afirmação de que é errado infligir sofrimento “desnecessário” em animais. Mas usar animais em circos na verdade não é diferente de comer animais, o que é também algo que envolve nosso prazer ou diversão e é tão incoerente quanto com o que dizemos acreditar. Não há sentido no fato de que tratamos alguns animais não-humanos como membros de nossas famílias e enfiamos garfos em outros ou os torturamos para nosso prazer em circos, zoológicos ou rodeios.
Se você deve gastar seu tempo e energia em legislações envolvendo circos é outro assunto. Como eu disse, neste ponto do tempo, o contexto cultural é tal que faz bem mais sentido gastar nosso tempo com foco no uso de animais para comida, o qual é a prática primária que, com efeito, legitimiza outras formas de exploração. Mas se você realmente decidir fazer campanha contra circos, sua campanha deve, no mínimo, opor o uso de todos os animais em circos e não ter exceções, e deixar claro que circos não são melhores ou piores que outras formas de uso animal, todas as quais devem ser abolidas se nós queremos levar os animais a sério.
Gary L. Francione
© 2008 Gary L. Francione
Tradução: Coletivo Madu
Gary Francione - Educação Vegana Facilitada – Parte 1
Pelo contrário, nossas interações diárias com as pessoas nos provêm com muitas oportunidades para discutir veganismo. Este ensaio vai discutir alguns exemplos. Eu discutirei mais exemplos em ensaios futuros.
Por exemplo, em Janeiro deste ano, eu tive que levar Robert, um de nossos cães, para uma especialista na Escola Veterinária da Universidade da Pensilvânia. Havia uma mulher – eu me referirei a ela como “Jane” para os propósitos deste ensaio mas este não era o nome real dela – sentada comigo na área de espera. Jane tinha um greyhound com ela. E, como sempre acontece quando dois seres humanos estão em tais lugares com suas companhias não-humanas, nós começamos a conversar sobre quais problemas de saúde nos trouxeram à universidade. E isso levou a como Jane adotou seu cão de um grupo de resgate e como o nosso cão foi achado vivendo debaixo de um carro abandonado.
Depois de um minuto ou dois de discutir o quão horrível a indústria de corrida de greyhounds é, eu disse a Jane que eu costumava lecionar na Universidade da Pensilvânia há muitos anos atrás, e que a universidade era notória pelos horríveis experimentos, testes e procedimentos “educacionais” que ela desenvolvia em cães e outros animais não-humanos. Ela disse que ela ouviu sobre os experimentos em animais da universidade e eu mencionei o quão estranho era que uma parte do prédio era devotada à aplicação de medicina veterinária para ajudar os animais que são amados por seres humanos e outra parte do prédio era devotada a torturar animais não-humanos que não eram membros da família de ninguém. Jane argumentou que realmente não fazia sentido que nós tratássemos alguns cães ou gatos como membros familiares e que tratássemos alguns cães e gatos como “ferramentas de pesquisa”.
“Verdade,” eu disse. “Mas de diversas formas, nós somos iguais a esses veterinários da universidade. Nós tratamos alguns animais como membros familiares e machucamos outros.”
Ela olhou espantada. “O que você quer dizer? Eu nunca machucaria um cão ou gato.” Eu movi a conversa para longe de cães e gatos e comecei a conversar sobre vacas, porcos e galinhas, e como na verdade não são diferentes de cães e gatos. Há algo muito estranho sobre o fato de que guardamos alguns animais não-humanos como membros familiares, como seres os quais amamos e reconhecemos como pessoas, enquanto, ao mesmo tempo, nós enfiamos garfos em outros animais que não são diferentes – moralmente ou empiricamente – daqueles que amamos.
Jane ficou em silêncio por um momento e então perguntou, “você é vegetariano?”
“Eu sou vegano”, eu respondi.
“Quer dizer que você nem mesmo bebe leite?” ela perguntou.
“Isso mesmo. Eu não como ovos, nem laticínios.”
“Eu posso compreender que alguém não coma carne. Mas o que há de errado com laticínios e ovos?”
“Tudo. Os animais usados para a indústria de leite ou de ovos são mantidos vivos por mais tempo que seus companheiros ‘de carne’, mas são tratados pior, e terminam no mesmo horrível matadouro.”
Jane parecia perturbada.
“Mas não é muito difícil ser vegano?” ela perguntou.
“Absolutamente não,” eu respondi. “É inacreditavelmente fácil e é melhor pra você e para o planeta, em adição a ser a coisa certa a se fazer se você considera animais não-humanos como membros da comunidade moral.” Eu gastei alguns minutes falando dos benefícios à saúde de uma dieta vegana e do desastre ecológico da pecuária.
Nossa conversa parou por aproximadamente 30 segundos e então Jane perguntou, “você pode me conseguir alguma informação sobre como me tornar vegana?”
“Claro. Me dê seu correio eletrônico.” Ela me deu.
Nós conversamos por mais alguns minutos sobre a grande variedade de comidas veganas que estão agora disponíveis, e Robert e eu fomos chamados para ver a veterinária. Jane já tinha ido quando nós saímos. Naquela tarde, eu mandei a Jane diversas coisas para ler sobre veganismo – todas sobre as questões morais, de saúde e ecológicas relacionadas ao veganismo, e alguma informação prática sobre nutrição e como fazer comida vegana rápida e fácil. Naquela noite, eu tive uma curta resposta, “Obrigada. Eu vou lê-los com interesse.”
Duas semanas atrás, eu recebi uma mensagem de Jane – o primeiro que eu recebi dela desde que mandei os materiais. Ela dizia, em parte: “Eu já estou aproximadamente 60% vegana e estou trabalhando pra chegar aos 100 %. Eu já me sinto melhor tanto em questão de meu espírito quanto de meu corpo. Eu estou usando a comida canina vegana que você recomendou e ela ama! Obrigada por dispor de seu tempo.”
Hospitais e consultórios veterinários são sempre ótimos lugares para começar conversas sobre veganismo. Pessoas estão focalizadas em sua companhia não-humana e estão emocionalmente muito abertas a pensar de forma mais abstrata sobre animais não-humanos de uma forma geral. Eu não posso me lembrar de estar em um consultório veterinário (e nós tivemos até sete cães resgatados de uma vez, então tivemos bastante experiência no consultório) onde eu não começasse uma conversa com alguém que desviasse para o veganismo.
Outro grande lugar para conversar sobre veganismo é em um avião.
Quando você pede algum tipo de refeição especial em um vôo, essas refeições são geralmente servidas primeiro. O comissário ou a comissária de bordo vem e pergunta se você pediu uma “refeição especial”. Eu sempre respondo “Sim, eu pedi uma refeição vegana sem quaisquer produtos animais.” Na maioria das vezes, a pessoa sentada ao meu lado, ou as duas pessoas sentadas em ambos os lados (se estou no assento do meio) me perguntam se eu tenho alergias ou porque eu pedi tal refeição. Isto, é claro, abre as portas para uma discussão sobre porque eu sou vegano. Dependendo do atraso entre receber minha refeição e a distribuição do resto, eu tive perto de 20% das pessoas com as quais eu converso perguntando para a comissária ou comissário se há outra refeição vegana quando o carrinho chega. (Na verdade, eu nunca começo a comer minha refeição até que o carrinho chegue, e, no momento em que isso acontece e não há refeição vegana extra, eu dou a minha com alegria para essa pessoa, o que ocorreu em várias ocasiões)
Algumas das melhores discussões que eu tive sobre direitos animais e veganismo aconteceram em aviões, particularmente em vôos transatlânticos. Você se prende ao lado de alguém por aproximadamente 7 horas e as pessoas estão frequentemente muito alegres de gastar pelo menos um pouco daquele tempo conversando com a pessoa sentada ao lado delas.
Uma das minhas histórias favoritas aconteceu há vários anos atrás. Eu estava a caminho de Paris sentado ao lado de uma mulher que tinha um casaco de peles. Ela não estava vestindo o casaco, mas o tinha com ela contra seu assento. Eu estava lendo minha cópia de Introdução aos Direitos Animais, sobre o qual, na época, eu estava pensando em fazer uma segunda edição e considerava mudanças que poderia fazer. O vôo estava atrasado ao deixar o Aeroporto de Newark, então tivemos alguma conversa fiada sobre vôos de conexão que tivemos em Paris. Ela viu meu livro e perguntou “este é um livro bom?” Eu sorri e disse que era um livro “excelente”! Ela me perguntou se eu era um “tipo dos direitos animais.” Eu respondi que era, e ela gastou os próximos 30 minutos (durante os quais ainda estávamos no portão) conversando sobre seus dois cães e quanto ela ia sentir a falta deles enquanto estivesse na viagem de negócios à França, etc.
E então ela levantou a questão do casaco de pele. Ela disse “meu casaco deve ofender você. Me desculpe.” Ela começou a explicar pra mim que era um casaco de raposa “criada em fazenda” e que os animais não eram pegos em armadilhas. Eu expliquei como animais “de fazenda” são tão torturados quanto os de armadilhas, mas eu argumentei que eu achava o casaco dela – fosse “criado em fazenda” ou pego em armadilhas – não mais ofensivo que um casaco feito de couro ou lã. Ele pareceu surpresa com isto. “Você não usa lã ou couro?” “Não,” eu respondi, “sou vegano.”
Eu gastei os próximos 15 minutos (ainda no portão) explicando o que é veganismo e assegurando a ela que o veganismo provém uma grande variedade de possibilidades alimentares excitantes e saudáveis, e é a escolha lógica para qualquer pessoa que se preocupa com animais não-humanos. Eu então sugeri a ela que as raposas que foram mortas para fazer o casaco não eram diferentes dos cães dos quais ela estava triste em deixar para trás em Nova Iorque por duas semanas. Nós então começamos a conversar sobre nossa “esquizofrenia moral”, que afeta e infecta nosso pensamento sobre animais não-humanos.
O avião decolou, o serviço de refeições começou, eu recebi minha refeição vegana e minha vizinha perguntou por uma refeição vegana extra a bordo. Havia uma refeição extra e ela a solicitou. Nós passamos as próximas horas conversando sobre direitos animais e veganismo e eu confessei ser eu o autor do livro sobre o qual ela havia perguntado!
Aproximadamente dois meses após aquele vôo, eu recebi uma mensagem dessa pessoa. Ela havia doado seu casaco de peles para um grupo animal que usaria em manifestações anti-pele e ela havia encomendado e lido Introdução aos Direitos Animais. Ela estava caminhando em direção ao veganismo, usando uma técnica que eu havia sugerido a ela onde ela desistiria de todos os produtos animais por uma refeição, então por duas, por três e então para todos os lanches. Outros dois ou três meses depois se passaram e ela me escreveu para dizer que estava completamente vegana.
Educação vegana é desafiadora. Vivemos em uma cultura na qual a maioria das pessoas presume sem pensar que consumir produtos animais é “normal” ou “natural”. Educação vegana é um trabalho que leva tempo; ela frequentemente requer trabalhos individuais e demandam uma boa quantidade de tempo.
Mas a vida diária nos apresenta com todos os tipos de oportunidades para educar as outras pessoas e as oportunidades mais efetivas são trocas calmas e amigáveis entre dois seres humanos pensantes.
E cada pessoa que se torna vegana é uma contribuição vital para a revolução não-violenta que vai eventualmente mudar o paradigma de animais como propriedade para animais como pessoas.
Gary L. Francione
© 2008 Gary L. Francione
Tradução: Coletivo Madu
quinta-feira, 24 de abril de 2008
http://br.youtube.com/watch?v=WjsRJOpLWyE
Adotar animais de rua, participar de campanhas de castração e incentivar/conscientizar/praticar a posse responsável são medidas emergenciais hoje para "controlar" o que a domesticação e o descaso humano trouxeram.
