domingo, 20 de abril de 2008

Bar de oxigênio para cães é aberto em Tóquio


Um bar de oxigênio voltado exclusivamente para cachorros foi inaugurado em Tóquio. Cada sessão de 30 minutos custa em torno de R$ 34. A empresa Air Press já tem 20 bares de oxigênio para humanos espalhados pelo Japão, mas agora decidiu investir no novo ramo."Se você não mora em uma cidade grande, você pode deixar seu cachorro ir por todo lugar. Mas, em Tóquio, geralmente não há muito espaço nas casas e é difícil levar o animal para uma caminhada", afirma o dono do bar, Tsuyoshi Hirano. "Então, é difícil deixar o cão bem sem uma ajuda extra."Os donos aprovam a novidade. "Às vezes, meu cachorro não está cansado, mas está letárgico. Depois de uma sessão de oxigênio, ele fica muito melhor e late com mais vigor", diz Umekichi Sakon, de 41 anos.


Fonte: BBC Brasil, uol bichos
link: http://bichos.uol.com.br/ultnot/bbc/ult4550u145.jhtm




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O pior é publicar isso como apenas "divulgação", como aparece no site... Convenhamos : o "desenvolvimentismo humano" trouxe consigo uma série de problemas (um deles resolvido com esses bares de oxigênio para human@s :O) inclusive (mais) privações aos animais domesticados (também um problema, eticamente falando, desde nossa sedentarização e contínua "aproximação" com os outros animais, criando com eles, vínculos em que, na maior parte dos casos, esforçamo-nos para retirá-los de seu habitat, criar um habitat articial e dependente de nós).
Enfim... será que se esqueceram que o cachorro, mais que de oxigênio puro, precisa rolar na grama e fazer xixi no poste de luz?
(abelha)
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domingo, 30 de março de 2008

Os verdadeiros argumentos abolicionistas contrários à vivissecção (Sônia T. Felipe)

Os defensores dos animais, favoráveis à abolição do uso do modelo animal para pesquisa da cura das doenças humanas, ao contrário do que afirma André Petry, não são "obscurantistas zoofílicos" que querem fazer parar toda pesquisa científica na área da saúde e medicina humana. André Petry parece bastante "cego e obscurecido" por sua própria visão egocêntrica, e possivelmente ainda não teve tempo de ler nada do que já foi publicado nos últimos 30 anos sobre a necessidade de mudar do paradigma vivisseccionista para outro mais de acordo com os avanços tecnológicos e científicos da humanidade esclarecida. Quais são os argumentos que sustentam a posição nada "obscurecida nem medieval", dos abolicionistas?

O primeiro deles, é que a saúde humana é a saúde de uma espécie viva, cuja biologia, fisiologia e psicologia em muito se assemelha a muitas outras espécies vivas que habitam o planeta terra. É verdade. Em nome disto, osabolicionistas sustentam que não se pode justificar eticamente o uso de animais vivos em experimentos dolorosos e letais, porque nenhuma vida senciente é substituível por outra, nem da própria espécie, nem de qualquer outra espécie. Estar vivo é a única e grandiosa maravilha para cada um dos seres vivos sencientes. Tirar a vida de centenas de milhões de seres sencientes para testar drogas inventadas para lidar apenas com os sintomas das doenças produzidas na espécie humana, justificando-se que afinal as vidas destruídas não têm valor inerente algum para os seres dizimados, que seu valor só existe em relação ao que os humanos podem fazer aproveitando-se de sua vulnerabilidade, não é argumento ético. Tal tese não se sustenta eticamente, porque não poderia ser usada validamente para justificar o uso de seres humanos em condições vulneráveis em experimentos semelhantes.

O segundo argumento dos defensores dos animais (erroneamente denominados por André Petry de "zoofílicos", o certo seria dizer zoófilos, do grego zoo = animal, e philia = amor), não se baseia na hipótese "de parar a ciência em nome da bicharada", ou seja, da interrupção de toda e qualquer pesquisa científica, mas da abolição de toda e qualquer pesquisa que quer ser considerada científica mas continua a fazer uso de animais vivos como modelopara testes de produtos químicos e drogas que se multiplicam não apenas desnecessariamente ao redor do planeta, sempre prometendo a cura dos males humanos que nunca chegam a ser curados, mas letalmente, por induzirem a própria comunidade científica a crer que, por serem semelhantes os organismos de animais não-humanos e de humanos, do ponto de vista da estrutura fisiológica e em muitos casos neurológica e mental, também do ponto de vista da estrutura molecular esta semelhança se repita.Não é verdade que da perspectiva metabólica sejam iguais dois organismos vivos quaisquer. Se um organismo é dotado de um sistema nervoso central organizado, se produz hormônios, se tem consciência dos eventos que o afetam positiva ou negativamente, isto é, se tem emoções, este organismo assemelha-se, mas de modo algum é igual a um outro organismo com as mesmas características. Não apenas o sexo, a idade, a espécie, a linhagem, o estatuto no grupo social são características que alteram significativamente as percepções de um indivíduo senciente (não importa aqui se este indivíduo é um rato, um suíno, um eqüino ou um humano), mas, para além dessas variáveis um milhão ou milhões de outras traçam uma rede impossível de ser escaneada em cada indivíduo animal usado como modelo ou cobaia para testes da indústria farmacêutica e química. Cada indivíduo produz uma química própria, semelhante à dos pares da mesma espécie, mas infinitamente singular. Não há dois processos metabólicos exatamente iguais, embora padrões semelhantes se façam reconhecer em indivíduos da mesma idade, sexo e linhagem.

Nos milhões de outros interferentes devemos levar em conta, desde o tipo de parceiros confinados no mesmo grupo prestes a servir de cobaia, até os sons ou ruídos produzidos ou subtraídos do ambiente no qual os animais ficam engaiolados enquanto são usados para os experimentos. O olfato de humanos não consegue perceber os odores que impregnam uma sala de experimentação, desde o cheiro do shampoo usado pela estudante, até seu desodorante, esmalte de unhas, maquiagem, tecidos de suas roupas, sapatos, e outros odores de seu corpo.
Multiplique-se isto por 10 ou 20 pessoas que entram e saem do laboratório todos os dias, o que comeram dois dias antes, ou agora mesmo na lanchonete... se lavaram as mãos, ou não, após pagar o lanche e tocar nodinheiro fedido... ah! ainda tem o fedor de suas carteiras, suadas e manuseadas há anos, de seus bolsos, nos quais botam e tiram as mãos dezenas de vezes por dia... e o cheiro de suas bolsas, de seu material científico,da tinta na qual o artigo acabou de ser impresso... dos produtos usados para a desinfecção do ambiente, isto, quando tal preocupação existe... o cheiro das gaiolas, do piso, das paredes, dos químicos usados para tornar potável a água que sai da torneira, o cheiro do capacho no qual todos limpam os pés ... se é que o fazem, antes de entrar no laboratório, e os cheiros que entram por debaixo das portas, nos dias de vento, de chuva, de poeira e calor... e o cheiro da roupa nova que três ou quatro estão usando... o cheiro do sexo que acabaram de fazer antes de virem para o trabalho vivisseccionista, e o cheiro de seus hálitos infectos com fumo, álcool,frituras, refrigerantes e partes dos cadáveres que acabaram de ingerir na última refeição... São muitos cheiros a perturbarem o olfato dos camundongos e ratos, dos gatos e cães engaiolados como se fossem sapatos aos pares em caixinhas nas quais mal se podem mover. Cada cheiro desses desencadeia em seus organismos reações metabólicas mil, sobre as quais o pesquisador não tem o menor controle. Por isso, não existe o tal do "controle das variáveis". Por isso, o que o pesquisador pensa que garante controle de variáveis emsua investigação é apenas aparente, é muito pouco ou mesmo nada, quando se trata de seres que têm 300 milhões de células olfativas a mais do que as nossas próprias.

O vivisseccionista tem a soberba de dizer ao público que sua pesquisa é científica, porque todas as variáveis estão sob seu controle experimental. Mentira. Não estão. E vejam, só me referi até aqui a um tipo de estímulo que altera completamente a fisiologia do animal senciente super-olfativado. Não falei dos sons. Mas os há em quantidade tão variável e "sem qualquer controle", num laboratório de vivissecção, que levam o organismo dos animais a produzirem químicas singulares, em reação ao que ouvem sem poderem decodificar: o som da água que passa por dentro das paredes, nos canos embutidos. Sons que o vivisseccionista não ouve, mesmo tendo um ouvido "superior" ao de sua cobaia. E tem ainda o som da eletricidade, que também passa pelos canos embutidos nas paredes. Também estes sons horríveis e estressantes o vivisseccionista não ouve, mesmo tendo uma superioridade biológica sobre todas as demais espécies. Mas, no laboratório vivisseccionista, somente os pesquisadores são surdos, e não apenas a estes ruídos insuportáveis que só são percebidos por ouvidos muito sensíveis, os mesmos ouvidos atormentados 24 horas por dia com esses e outros ruídos ensurdecedores que não existem no ambiente natural dos animais usados na vivissecção. E tem ainda o ruído dos computadores ligados, do ar condicionado, da impressora e dos teclados, os sons metálicos dos objetos manipulados no experimento, o som dos que caem no chão ou sobre as bases metálicas. Tem o som das vozes dos 10 ou 20 vivisseccionistas que entram e saem do laboratório conversando, rindo, chorando, gargalhando... e o de seus aparelhinhos enfiados nos ouvidos com MP3, e o de seus celulares, bips, e Ipods.... e o som dos carros lá fora, de buzinas, das trovoadas, e os sons do andar superior, do inferior, de gavetas que são abertas e fechadas, de armários metálicos abertos e fechados, de portas metálicas ou não, de chaves passadas na fechadura, de trincos de portas manuseados, de fechos de bolsas e sacolas abertas e fechadas, de equipamentos sendo ligados ou desligados.E há, ainda, a variação da temperatura, da umidade do ar, da quantidade de químicos que a companhia de águas acaba de botar para "tratar" da água depois daquela denúncia de que a água estava sendo servida contaminada... e o insuportável odor da comida servida, sempre da mesma marca e com nutrientes que apenas para o vivisseccionista são necessários, não para o bem-estar do animal senciente. E tem o toque do manejador, e já não preciso descrever o que fazem ao animal em seguida.

Fiz apenas uma lista ínfima das variáveis que interferem no metabolismo de um animal senciente, e que levam os resultados a níveis enganadores. Esta lista não chega a 1% de tudo o que um animal usado como modelo vivo percebe. Qual o controle que o vivisseccionista tem sobre tais variáveis e outras? Mesmo que todos os animais sencientes sejam de uma mesma linhagem, de uma mesma idade, de um mesmo sexo, a intensidade de suas percepções, a exemplo do que ocorre com os humanos, varia de indivíduo para indivíduo, e mesmo numindivíduo de uma hora para outra, ou de um dia para outro.

Um terceiro argumento que leva os abolicionistas a se oporem ao uso de animais vivos na ciência, é justamente o da perda de tempo que tal modelo tem representado para o avanço científico, se é que a ciência quer mesmoencontrar a cura dos males humanos e não apenas drogas para serem consumidas e renderem lucros à indústria farmacêutica, aliás, uma das mais poderosas ao redor do planeta.

A maior parte das doenças humanas são produzidas por hábitos que somente os humanos têm. Os abolicionistas não pregam o fim da pesquisa genuinamente científica sobre a saúde humana. Eles defendem o fim do uso de animais não-humanos como objeto destas pesquisas. Quando, afinal, os cientistas acordarão para o fato de que só se pode conhecer a etiologia das doenças humanas estudando a clínica humana? O que os abolicionistas querem é que todo o dinheiro investido hoje ao redor do planeta em modelo animal seja investido em pesquisas realmente científicas voltadas ao estudo da etiologia da doença humana. Não precisa usar humanos como cobaias em experimentos bárbaros.Mais de 50 anos de testes de drogas em animais e em humanos são suficientes para se ter dados sobre as reações a todas as drogas comercializadas no mundo desde a década de 60 do século XX. Basta formar um banco de dados com todos os resultados obtidos até hoje, com todos os relatos médicos obtidos com o uso dessas milhões de drogas inventadas e usadas em cobaias humanas ao redor do planeta sem que essas cobaias tenham sequer noção de que, o que seus médicos acabam de lhes anunciar como a droga mais recente para a cura de suas doenças, é na verdade um experimento que lhes pode ser inócuo, ou mortal.

Os abolicionistas não são obscurantistas medievais [se é que a Idade Média foi obscurantista, embora os médicos dos reis o fossem, ao abrirem sapos, pombos e cães para examinar suas vísceras e dar resposta aos soberanos sobre a cura ou não de suas doenças. Os abolicionistas não defendem esta prática medieval, pelo contrário, defendem o fim dela!]. Pelo contrário. São seres humanos cientes do desperdício da inteligência humana, que hoje é treinada apenas para prescrever drogas legais tendo na parede de sua sala de trabalhoum diploma da medicina. O que está sendo feito com a inteligência dos jovens que entram num curso de medicina com o intuito de ajudarem os seres humanos a eliminarem seus males e a curarem suas doenças? Prescrevendo drogas, ainda que legais, os jovens médicos apenas estão matando o rim, o fígado, oestômago, a bexiga, o sangue de muitos de seus pacientes, efeito do uso de medicamentos testados largamente em animais.

Um quarto argumento abolicionista refere-se às doenças mais letais e crônicas que afetam a espécie humana: cardiovasculares, pulmonares, do trato digestivo e urinário, psíquicas, dores nas costas, câncer, degeneraçõesneurológicas... curáveis com a abstenção, por alguns meses, de todos os produtos de origem animal [leia, Foods that Fight Pain e The Food Revolution].
Mas, milhões de camundongos e ratos são mortos todos os anos para que uma droga seja inventada para curar os humanos de triglicerídios, hipercolesterolemia, falta de cálcio, excesso de ácido úrico, hipertensão, diabetes, e assim por diante. Vivisseccionistas querem por que querem fazer os que sofrem dessas doenças crerem que logo, logo, uma droga será comercializada para livrá-los dos males que eles mesmos inventam com sua dieta errada.

Mas, se o médico não prescrever nenhuma droga, se olhar para seu paciente e disser: por dois meses quero que "teste" em você mesmo a seguinte dieta sem leite, ovos, manteiga, iogurte, carne, peixe, frango ou quaisquer de seus derivados... este médico será demitido da clínica. Afinal, para que lhe foi concedido um diploma, se não é para prescrever aos pacientes as drogas legais colocadas no mercado?

A Organização Mundial da Saúde tem tornado públicos os relatórios médicos que alertam para a necessidade de redesenhar a dieta humana [leia The Food Revolution, e Diet for a New America, de John Robbins]. Mas, os cientistas querem que milhões de animais morram em suas mãos até que eles tenham conseguido inventar drogas para que os humanos não precisem abrir mão de nada que costumam comer, por mais tóxico que isso seja para seus organismos.
De qualquer modo, ainda que se descobrisse uma droga para curar o alto nível de colesterol, o uso desta droga certamente desencadearia outros males. Estes, outra vez, requereriam a vivissecção, para que o cientista pudesse encontrar uma nova droga para livrar os pacientes que houvessem usado a anterior dos males que ela produz. A cadeia vai se expandindo ao infinito. É exatamente neste ponto que já nos encontramos. O que os vivisseccionistas não querem perceber é que esta trama não apenas não os levará ao sucesso, mas é responsável pelo seu fracasso. A maior parte dos males dos quais padecem os humanos, hoje, ou já existia há mais de 5 séculos, ou há mais de 2 mil anos, ou resultou do uso de produtos químicos testados em animais e colocados em alimentos, bebidas emedicamentos.Os animais não têm culpa alguma de nossas escolhas. Eles não beneficiam das nossas vantagens. Eles não têm de responder às perguntas que os cientistas deveriam estar buscando responder com a matemática, com simulações em computador, com raciocínio sobre os dados já disponíveis ao estudioso.

Os abolicionistas, ao defenderem a libertação dos animais de sua condição de escravização, defendem a libertação dos cientistas dessa malha que os ata e os desatina. Não achamos que os vivissectores são maldosos e cruéis. Achamos apenas que são homens e mulheres "infelizes", no sentido aristotélico do termo, quer dizer, são seres racionais, que sabem o que se espera deles, por sua "excelência", mas estão se condenando a fazer exatamente o contrário do que se espera que façam. Este é o conceito de infelicidade na ética aristotélica: saber o que é esperado fazer, e fazer o que leva ao contrário do resultado esperado.

A libertação animal é a libertação humana, a libertação da mente e da inteligência humana, para que possa finalmente prestar-se à finalidade mais refinada para a qual deveria ter sido aprimorada: buscar o saber, sem tirar a vida de seres vulneráveis. Esta é a inteligência que esperamos ver florescer na ciência biomédica. Mas os obscurantistas vivisseccionistas não querem tornar-se inteligentes desse outro modo, pois aprenderam a obscurecer sua inteligência revolvendo as vísceras de animais vulneráveis, em vez de aprimorarem-na, criando modelos matemáticos e computadorizados e métodos de investigação não-invasivos em humanos, afinal, os destinatários finais de tanto empenho, ou não?

E, finalmente, não é por ser aceita e defendida por "toda a comunidade" vivisseccionista, que a prática vivisseccionista se torna, então, ética. Se André Petry não for obscurecido por seu furor contra os abolicionistas, deve lembrar-se de que a história humana arquiva episódios de aceitação dasmaiores barbáries por uma maioria, ainda que uma minoria antecipasse a crítica ética a tais costumes ou tradições. Foi assim, no império romano, com as lutas forçadas entre os gladiadores e animais; foi assim com a escravização dos africanos, contra a qual ninguém ousava levantar a voz, e quem o fez, no Brasil, foi condenado à forca; foi assim, com o império nacional-socialista europeu no século XX, não apenas com um país inteiro formando a maioria apoiadora, incluindo-se a "comunidade dos médicos e cientistas" favorável a tais práticas; foi assim com a exclusão das mulheres, a inquisição, a ditadura e o consumo que levará nosso planeta à morte. A verdade não necessariamente se encontra do lado do mais forte, apenas a força está lá. Quem desafia a tradição moral dominante é tachado de obscurantista. Apenas não se disse claramente que tipo de luz ilumina a vivissecção. A "cura das doenças" humanas, infelizmente, não é. Os abolicionistas não são iluminados por esta luz, eles o são, por outra: paz para todos os animais viverem o seu próprio bem, a seu próprio modo, sem prisões, sem grilhões, sem tormentos. Basta estar vivo para sofrer maus momentos. Não precisa nenhuma inflição de novos tormentos.

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(Talvez um dos assuntos mais polêmicos acerca da libertação animal... Muita gente entende porque você não come carne ou porque não quer um passarinho na gaiola, mas "se pararmos com os testes, vamos testar em quem?" é o que ouço o tempo... É tudo testado na gente desde sempre, simplesmente poupemos as vidas daqueles que nada têm a ver com essa luta por descobertas de drogas que corrijam nossos erros de alimentação e outros hábitos em geral. Mas após um pouco de informação a gente entende: vivissecção não possui base moral alguma e também não há avanço algum que ela proporcione que não possa ser alcançado sem a mesma.)

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segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

Você já comeu a Amazônia hoje?

Você e eu somos bois-de-presépio ou cidadãos do planeta? Você acredita que a sua forma de viver, alimentar-se, comportar-se, construir a sua casa, presentear seus amigos, visitar os lugares ou votar possua relação direta com a Amazônia? Caso afirmativo, você aceitaria avaliar se está comendo ou não a Amazônia? A cada dia as pesquisas científicas e os relatórios ambientalistas são mais taxativos: não podemos nos dar ao luxo de esperar que as pessoas se convençam sobre a gravidade da situação da Amazônia. Será tarde demais quando fazendeiros, garimpeiros, madeireiros, funcionários públicos, representantes do poder público e a população em geral, despertarem para o fato. Teremos perdido a maior parte da Amazônia. Os fatos Em cinco séculos 95% das populações indígenas desapareceram. Nações inteiras foram extintas pelas doenças, pela escravidão e pelas armas trazidas pelos europeus. As Nações que sobreviveram, cerca de 180, com mais de 200 mil indivíduos (1% da população da região), contam com poucos aliados entre os funcionários públicos e organizações da sociedade civil para se defenderem de garimpeiros, caçadores, ladrões de madeira e grileiros. Em termos sociais a Amazônia é uma das regiões de maiores desigualdades econômicas e sociais do planeta. Esta é, de longe, a mais violenta do país, respondendo pela maioria dos casos de morte em conflitos pela terra, número de trabalhadores escravizados em fazendas de pecuária e pela grande insegurança das áreas urbanas. Os 23 milhões de habitantes estão longe de se beneficiar da biodiversidade, da etnodiversidade, de suas riquezas culturais e da produção de madeira e minerais. O IDH (Índice de Desenvolvimento Humano, da ONU) da região equivale ao dos paises mais pobres do planeta. Em termos ambientais oferecemos, ano apos ano, o maior espetáculo de pirotécnica ao queimarmos mais florestas para virarem pasto. O desmatamento e as queimadas da Amazônia tornam o Brasil um dos principais paises emissores de gases que contribuem para o efeito estufa. As mudanças climáticas são irreversíveis. Em termos de biodiversidade, em apenas 4% da superfície terrestre a Amazônia continental deve abrigar mais de 1/5 da biodiversidade do planeta. Nas áreas mais comprometidas, como no entorno de Belém, por exemplo, . das aves estão ameaçadas de extinção. Uma vez extinta uma espécie, esta extinção é para sempre. Em termos ambientais, de 1.500 a 1.964 desmatamos menos de 1% da Amazônia. Nos últimos 40 anos desmatamos cerca de 16% da região. uma área equivalente a duas vezes a Alemanha (ou três estados de São Paulo) em pasto. Esta área de 750 mil km2 é duas vezes maior que a área agrícola do pais. Pior, 1/4 desta área encontra-se abandonada porque o objetivo de derrubar o mato foi o de tomar a posse da terra, para dizer: aqui tem dono. No momento estamos perdendo cerca de 24 mil km2 de cobertura nativa ao ano. Isto significa que a cada ano estamos desmatando uma área equivalente a 2/3 da Bélgica (ou do estado de Sergipe). A cada ano perdemos cerca de 1% do que resta da floresta amazônica. Se nada for feito teremos perdido mais da metade da floresta nos próximos 30 anos. Eu não autorizei. Você autorizou? Estamos apenas medindo a febre e não combatendo as causas da doença. A febre em um doente alerta que algo vai errado, é apenas um índice. Há grande comoção quando os índices de desmatamento são expostos ao vexame público, e pouco interesse em discutir as verdadeiras razões de seu crescimento. São os grandes fazendeiros! - apontam uns! É a expansão da soja! - sugerem outros. É a abertura de estradas, a ineficácia e ausência do poder público, o aumento das fazendas, os madeireiros, os garimpos, e assim por diante... Será que não continuamos na periferia do problema? Será que estamos apontando apenas as conseqüências de atos que praticamos em nosso dia-a-dia, de forma relapsa, impensada e, digamos, irresponsável? Os responsáveis somos nós! Será que estamos fazendo as perguntas certas? Quem é responsável pela maior parte dos desmatamentos? Não será difícil responder: as propriedades rurais dedicadas à pecuária. Trata-se apenas das grandes fazendas? Não, as pequenas e médias têm na pecuária bovina e bubalina (de búfalos) sua principal atividade. E por que expande a pecuária na Amazônia? Certamente um fazendeiro tradicional irá comentar: "porque é mais barato produzir carne na região, a terra tem pouco valor, a mão de obra é barata, há pouca fiscalização dos órgãos ambientais, trabalhistas e da receita federal". Esta, no entanto é uma resposta insatisfatória. Afinal, esta carne vai para algum lugar. Alguém consome este produto. Os dados são claros: mais de noventa por cento da carne produzida na Amazônia é consumida no próprio Brasil, a maior parte nas regiões de maior poder econômico – Sul e Sudeste. O crescimento do consumo de carne bovina é significativo. A cada dia mais e mais pessoas querem a sua picanhazinha e a sua maminha. Em quarenta anos, de 1964 a 2004, o rebanho bovino da Amazônia saltou de 1,5 para 60 milhões de cabeças. Parte deste rebanho é clandestino. Este lote de animais prontos para morrer para saciar o desejo de comer carne bovina representa 1/3 do rebanho brasileiro. Três cabeças de boi para cada habitante da Amazônia. No Brasil já há mais bois que gente! A pecuária é a principal atividade econômica rural da Amazônia. Não se trata apenas de grandes e médios propriedades (estes são 25 mil famílias com áreas acima de 500 hectares). A maior parte dos 400 mil pequenos proprietários rurais da Amazônia tem na pecuária a sua principal fonte de renda (seja pelo fracasso das demais atividades econômicas, seja pela completa incompreensão do que seja a natureza amazônica ou impaciência com a Natureza, preferindo carboniza-la a conduzir a dança da sustentabilidade). Lembremos que estamos em um país onde a maioria vive em grande carestia. Se não fosse devido o baixo poder aquisitivo do brasileiro o consumo de carne seria pelo menos o dobro. O brasileiro come, em média, um bife pequeno por dia (100 gramas) - 36kg de carne/ano. Um boi de 16 arrobas tem em média 240 kg de carne. Se você comer carne bovina durante sua vida (72 anos – a idade média do brasileiro), isto significa um boi a cada 6,6 anos, 11 bois inteiros durante a vida – 2,6 toneladas de carne! Destes 11 bois, pelo menos 4 terão vindo da Amazônia, ou seja, a cada três dias o brasileiro come um bife da Amazônia. Sabe-se que este é um índice médio. O consumidor da classe alta e média chegam a comer mais de 3 vezes esta cifra - 108 kg/carne bovina/ano. Ou seja, um caminhão com 32 bois, mais de 7,5 toneladas de carne em sua vida! Quanto custa para a Humanidade este bife? A insistência do modelo mundial de ocupação do solo, que privilegia a pecuária é o principal responsável pela fome e desigualdade na área rural do Planeta. A quantidade de água, solos e recursos utilizados para produzir um quilo de carne seria suficiente para alimentar pelo menos 50 pessoas. A expansão da pecuária é responsável por pelo menos 2/3 dos desmatamentos das florestas tropicais do planeta. Estas já ocuparam 16% do planeta. Hoje ocupam menos de 9%. Da II Guerra Mundial até hoje perdemos mais de 3% das florestas tropicais do planeta. Por quê? Principalmente porque há gente querendo comer carne bovina. A pergunta que fazem os fazendeiros é: quanto o bife custa no seu prato? A pergunta que deve inquietar o cidadão deste planeta é: "quanto custa de esforço à Humanidade para você ter o luxo de um bife em seu prato?" A pecuária é o pior empregador que existe no planeta. A miséria brasileira no campo pode ser resumida a uma frase: a pecuária bovina expulsou o homem do campo. Numa grande fazenda na Amazônia, emprega-se diretamente uma pessoa a cada setecentos bois, que ocupa uma área de 1 mil hectares. A mesma área com agricultura familiar empregaria pelo menos 100 vezes mais, com agro-floresta em permacultura empregaria 250 pessoas! A pecuária gera pouca renda e esta é praticamente transferida para fora das regiões produtoras. A ilha do Marajó, uma área do tamanho da Suíça, após duzentos anos de pecuária (bovina e bubalina), tornou-se uma das áreas mais pobres da Amazônia - e do planeta – com índices de desenvolvimento humano (IDH) equivalentes aos de Bangladesh. Em Chaves, no Marajó, um quarto das crianças está fora da escola e 77% das crianças não tem luz em suas escolas! A pecuária é altamente concentradora de renda. Inexiste uma única região do Brasil onde a pecuária promoveu o desenvolvimento com justiça social. Pior, a maior parte dos fazendeiros perde dinheiro com a atividade. Como não sabem fazer contas não percebem que estão ficando mais pobres a cada dia e que pouco poderão oferecer a seus filhos e netos. Os estudos científicos do Imazon apontam que a pecuária é tão ineficiente que, em média, não oferece uma renda superior à da caderneta de poupança. Ou seja, seria mais negocio ao pecuarista vender tudo o que tem e viver do dinheiro aplicado. Por quê, então, optamos pelo boi? Porque não pensamos, somos tão bovinos quanto a ilustre e inocente criatura. Não medimos conseqüências. Pautamo-nos pelo passado. Não questionamos se o que nossos pais e avós fizeram seria o melhor para nós, para nossas famílias e para a Humanidade. Nem sempre a Humanidade fez escolhas certas. Em sua maioria são escolhas cômodas. Não medimos as conseqüências. No entanto, estamos diante de uma encruzilhada – ou transformamos a Amazônia em um imenso pasto ou iremos entregar às futuras gerações a mais diversa e bela floresta tropical do planeta. A escolha é sua. E de mais ninguém. Quinhentos anos de atraso Não há por que se assustar com esta responsabilidade. O Brasil é o campeão da falta de percepção ambiental e social. A pecuária bovina é sinônimo da história da ocupação do Brasil. Desde que o primeiro europeu colocou seus pés no Brasil, foi seguido pela pata do boi. O vírus da gripe, o boi, a bíblia e a arma de fogo modificaram este continente – difícil saber o que causou mais danos. O boi é uma fonte de proteínas de baixíssima eficiência energética (converte em carne meros 7% do que come). Com sua pata compacta o solo, causa erosão e destrói as micro-bacias e o seu consumo traz sérias conseqüências à saúde. O boi é um trator funcionando 24 horas. E por quê? Para saciar a vontade de comer picadinho, hambúrguer e estrogonofe. Para transformar o Brasil no maior pasto do planeta foi preciso "abrir" espaço para este animal. "Mato" (leia-se: floresta tropical com grande diversidade biológica) não alimenta boi. As florestas tem que ceder lugar ao pasto. Poderíamos resumir a história do desaparecimento da Natureza do Brasil em uma única lápide: "virou bife". Em 500 anos reduzimos os 1,5 milhões de hectares da Mata Atlântica (floresta tropical atlântica) a meros 7% de sua área original, a Caatinga para menos de 20% e o Cerrado para menos de 25% de sua área. Pior: a degradação continua, de maneira acelerada. Insistimos em ocupar novos pastos na Amazônia ao invés de melhor a produtividade do que já se transformou em pasto no Sul, Centro-Oeste e Sudeste. O Brasil continua um país irresponsável em termos de produtividade na pecuária. Dos 850 milhões de hectares do Brasil, há no país cerca de 250 milhões de hectares de pasto(cerca de 30% do pais). Deste total, cerca de 30% está na Amazônia - 75 milhões de hectares. A produtividade na Amazônia é pífia – 0,7 cabeças/hectare - símbolo da incompetência em compreender e tratar o meio físico amazônico. Vamos lembrar que o Brasil todo possui cerca de 50 milhões de hectares em área plantada! Neste ritmo, em duas décadas teremos mais bois na Amazônia do que a totalidade do rebanho brasileiro atual (170 milhões de cabeças). No Brasil já há mais bois que brasileiros. Resumo de nossa história: o Brasil virou pasto e nossa grande contribuição à humanidade foi substituir a maior floresta tropical do planeta em churrasquinho. Carne com gosto de fumaça, violência e extinção de espécies. Apesar da ditadura militar ter se desmilinguido nos anos 1980 a Amazônia continua sob o domínio do medo, da lei do mais forte, do coronelismo, da grilagem de terra, da corrupção e do incentivo fiscal a quem dele não necessita. Quem manda é o revólver e a motoserra. Um boi vale mais que uma vida. Por quê? Porquê insistimos em incorrer nos mesmos erros que nossos antepassados europeus, para quem a "pata de vaca" era sinônimo de progresso. O boi é celestial. O mato é o demônio. O arame farpado é progresso. A floresta calcinada é progresso. O mugido do boi é progresso. O pasto, que pode ser medido e contabilizado é celestial. O país continua a tratar a Amazônia como uma área ainda não conquistada, um imenso estoque de terra pronto para virar pasto. E mais, a Amazônia como fonte inesgotável de madeira, peixe, ouro, alumínio, energia elétrica etc. As políticas públicas e a maior parte das empresas despreza os 10.000 anos de convivência com a floresta tropical. Desta aprendizado passo a passo, de descoberta do ser e viver. O Brasil trata as comunidades indígenas e a caboclas como culturas "primitivas", "bárbaras" e "demoníacas". O mato, o espaço do desconhecido, do que não pode ser controlado, é o antro do medo, da escuridão. É no mato que estão os piores horrores. Não haverá aqui uma inversão de valores? Estamos prontos a reconhecer este erro? Ou continuaremos a nos ufanar que temos o maior rebanho comercial do planeta? Que nossos bois são "bois verdes", comem só capim? Vamos continuar a nos enganar? Seremos honestos com as futuras gerações? Quem está disposto a pensar um novo Brasil? Seremos os bois-de-presépio da vez, que sentam-se na lanchonete e devoram silenciosos seus hambúrgueres? O desafio Cabe a nós, e tão somente a nós todos, sermos diligentes e eficientes em propor um novo pacto civilizatório para a Amazônia, capaz de diminuir a pressão sobre as populações nativas e o meio ambiente. Seus 23 milhões de habitantes, com amplas necessidades de consumo, inclusive de proteínas, demandam respostas rápidas. Afinal, come-se a Amazônia três vezes ao dia, no café-da-manhã, no almoço e no jantar. Deste total há 7 milhões de habitantes na zona rural, dos quais cerca de 2 milhões vivem em trinta mil comunidades tradicionais, em sua maioria com acesso precário a serviços públicos de educação, saúde, água, esgotos, energia, segurança e assistência técnica agrícola. Não estará na hora de nos transformarmos de destruidores em enriquecedores da natureza. Será que não bastam os 75 milhões de hectares já desmatados da Amazônia (área superior a toda área agrícola do país) para revolucionarmos nossa compreensão de floresta tropical produtiva? Não será a hora de formarmos agricultores da sustentabilidade (permacultores), criadores de peixe, guarda-parques, guias de ecoturismo, artesãos, madeireiros cuidadosos, cientistas e estudiosos do saber local? E nós, continuaremos a ser meros telespectadores? Corrigindo, na verdade, somos mais que telespectadores, somos os que financiam este processo, silenciosamente, nas gôndolas de supermercado, nos espetinhos, nos pastéis de carne...Mais do que rebanhos de consumidores, de cabeça baixa, nossa ignorância alimenta a injustiça e a destruição. Aceitamos, silenciosamente, que as coisas continuem como estão. Medidas práticas para o dia de hoje Você pode mudar a Amazônia a partir de agora. A sua decisão de consumo afetará profundamente o que se produz na Amazônia. Ao nível individual: - se você come carne, pergunte a quem lhe vende, de onde vem a carne para saber se você está comendo ou não a Amazónia? - Se você mora fora do Brasil – pergunte se é mesmo imprescindível vir carne da Amazônia e das outras florestas tropicais (muitas vezes você come a Amazónia na forma de soja, que ao invés de alimentar pessoas é dado a porcos, galinhas e vacas)? - Que medidas o poder público pode tomar agora por meio de decreto: aumentar a taxa do imposto territorial rural das áreas de pastagens, modificar a fórmula de cálculo do imposto de renda dos fazendeiros, fiscalizar com seriedade as questões ambientais, trabalhistas e tributárias da cadeia produtiva da carne na Amazônia. Ao nível coletivo nacional: - Não seria oportuno discutir uma moratória de alguns anos, digamos, quatro anos, onde nenhuma autorização de desmatamento fosse concedida. Não seria este um tipo de compromisso que um novo presidente da República deveria assumir? - Não seria oportuno organizar um amplo programa de reeducação para fazendeiros e suas famílias, permitindo que fossem capacitados em técnicas sustentáveis de convivência com a floresta? Afinal, eles são pessoas como nós, que só querem ter uma vida digna para si e seus familiares. A pecuária é apenas o meio de vida que se lhes coube e que sabem trabalhar. Ao nível coletivo internacional: - Não está na hora de efetivamente discutir a relação entre a destruição das florestas tropicais do globo e a pecuária e o consumo de madeiras tropicais? Teremos que olhar a Amazônia de outra forma, não através dos olhos bovinos que esmagaram o futuro nos últimos cinco séculos. É preciso que aceitemos que não somos bois-de-presépio nem bois-de-piranha. Somos seres capazes de decidir o que queremos. E queremos justiça social, ambiente saudável, emprego e renda com equidade. Queremos entregar às futuras gerações a Amazônia com a etnodiversidade, a biodiversidade e a diversidade cultural melhor ou igual àquela que recebemos. maio de 2006.

* João Meirelles Filho (autor) vive em Belém, Pará, na região do estuário do rio Amazonas. Trabalha numa entidade sem fins lucrativos, o Instituto Peabiru – http://www.peabiru.org.br/ e se dedica ao fortalecimento institucional de organizações sem fins lucrativos da Amazônia. É autor do Livro de Ouro da Amazônia (3 a edição, Ediouro, Rio de Janeiro 2.004). Décima geração de pecuaristas que abriram as fronteiras pioneiras do Brasil, deixou de comer carne bovina em 2.000.

quinta-feira, 30 de agosto de 2007

Além do bem-estar físico

Matéria sobre VEGetariANISMO que saiu no Jornal de Brasília.


Com o pensamento nos direitos dos bichos, os vegans optaram por não consumir carne e alimentos derivados de animais.


Grasielle Castro

Eles são pessoas como você. Não há nenhuma diferença visível. Porém, o incomum ocorre na hora de comer. Adotaram como estilo alimentar o veganismo: não come carnes, ovos ou derivados de origem animal. Geralmente, esta opção surge seguida da conscientização de libertação animal.
No início, para quem está inserido em uma cultura que tem tradição de comer carne, é difícil até ser vegetariano. O estudante de Ciências Sociais, Daniel Kirjner, 22 anos, é vegan há dois anos e esclarece logo. "No início, as pessoas acham graça. Antes de me interessar pela libertação animal, eu até zoava meus amigos que são vegans, mas com o tempo aquilo passou a fazer sentido para mim. Senti-me incoerente comendo carne e achei que o certo fosse parar com derivados também".
Mas logo as dificuldades aparecem. A primeira surge quando o vegan vai comer fora de casa. As opções são poucas e quase não há cultura de alimentos de origem vegetal. Daniel esclarece que as poucas alternativas estão relacionadas à nutrição, saúde ou estética e que à noite, o momento de diversão, de alguma maneira, exclui estes princípios. Porém ele ressalta que, o sacrifício que o vegan pode fazer é bem menor que o dos animais. "Esse é o meu jeito de se virar, ter um estilo prazeroso e coerente".
No entanto, a restrição à cultura de alimentos de origem vegetal ainda faz com que o termo vegan seja alvo de preconceitos. O assistente social Leonardo Ortegal, 22 anos, diz que para evitar confusão, considera-se um vegetariano estrito. "É um termo mais próximo do vocabulário brasileiro e evita polêmicas". Para ele, esta é uma forma de não consumo consciente. Tanto, quanto sua namorada Natália Dantas e a filha do casal Luísa Ortegal, quatro anos, são vegetarianos. Para saber mais sobre o veganismo, Leonardo faz parte de um grupo de estudos vegetariano. "No grupo a gente estuda toda matemática vegetariana. Desde culinária a tratamentos de animais, porque eles merecem o mesmo tratamento que devia dar ao nosso próximo, tratamento ideal de direito à vida. No momento, estamos lendo o livro Jaulas Vazias, de Tom Regan, principal filósofo e ativista dos direitos animais.
Em prol dos animaisA luta pela conscientização alimentar não está restrita aos estudos. Existe ainda o Madu, um grupo de ação que começou com uma série de manifestações contra o uso de animais em circos. O nome veio de uma elefante fêmea de circo, que matou três treinadores. Ela sofria da Síndrome do Elefante, que a tornava agressiva devido os maus-tratos e falta de alimentação adequada.
Segundo o estudante Júnior Pereira, 18 anos, um dos organizadores do grupo, as ações são interligadas com outras cidades. Ele adianta que entre os planos estão a Verdurada, um mutirão de reflorestamento em áreas degradadas, um ciclo de palestras e debates nas escolas do DF. "E já temos agendado vários eventos para o próximo dia 4 de outubro, que é o dia mundial dos animais", completa.


Straight edge: o xis da questão
Existe, ainda, uma ideologia que vai além do pensamento vegan. O Straight edge engloba a raiz vegan e adiciona a ela ingredientes relacionados ao comportamento. Por exemplo, o sXe não usa qualquer tipo de droga, acredita que o rock é possível sem drogas e sexo promíscuo. Embora o modo de vida straight edge não incluir nenhuma idéia política ou social, muitos dos adeptos a este estilo de vida defendem a anarquia, o socialismo ou a sustentabilidade.
A marca clássica do sXe é o X, geralmente, tatuado na mão. Em 1980, quando começou o sXe, que é completamente relacionado à música, os jovens iam a shows e, para que não consumissem bebidas alcóolicas, era feito um X na mão dos menores. O X acabou se tornando uma forma de negação, como quem diz eu não quero beber, eu quero me diverti. Uma das bandas que deu o primeiro passo no movimento foi o Minor Threat com os versos: "I Don't Drink, I Don't Smoke, I Don't Fuck - At Least I can fuckin' think! [...]" (Eu não bebo, eu não fumo, eu não fodo - Pelo menos eu consigo pensar, porra!).
VerduradaNo Brasil, o sXe está em constante crescimento. Bimestralmente, desde 1996, em São Paulo ocorre a Verdurada, o evento mais importante do calendário hardcore-punk-straightedge brasileiro. Os objetivos de quem organiza a verdurada são basicamente dois: mostrar que se pode fazer com sucesso eventos sem o patrocínio de grandes empresas e sem divulgação paga na mídia e levar até o público a música, as idéias e opiniões de pensadores e ativistas divergentes.
Em Brasília, uma das bandas que usam a música como mídia para disseminar a idéia é a Linha de Frente (foto). Segundo Frederico Galeno, baterista da banda, a intenção é fazer com que as pessoas reflitam sobre o que acontece. "Neste ano, tocamos no Porão do Rock e quando nós falamos, as pessoas pararam e escutaram. Com certeza, pelo menos, uma parou para pensar e isso já vale", anima. Frederico completa e diz que nas músicas da banda costuma falar sobre veganismo, que agrega valor ao sXe e é algo maior. O mote da banda é ser a favor da vida, dos animais, da libertação da terra, do ser humano em geral e contra o aborto.
Apesar de o sXe, ser um modo de vida mais intenso que o veganismo, não é necessariamente preciso que os adeptos sejam vegan. É comum dizer que os sXe que ainda não são vegan, serão com tempo. Mas isso ainda é muito pessoal, Frederico conta que não considera sXe uma pessoa que não é vegan.

Link da Fonte:
http://www.clicabrasilia.com.br/impresso/noticia.php?IdNoticia=303118&busca=veganismo

segunda-feira, 2 de julho de 2007

terça-feira, 13 de março de 2007

Nike lança tênis de pele de crocodilo por R$ 5,7 mil


A Nike deve comprar briga com as entidades de defesa dos animais. Tudo porque a fábrica de calçados lançou um modelo especial de comemoração com pele de cobras e crocodilos. O modelo, segundo o jornal The Sun, custa 1,4 mil libras (R$ 5,7 mil).

A linha especial de tênis conta, ainda, com detalhes de ouro 18 quilates no cadarço. O modelo foi criado em comemoração aos 25 anos da linha de tênis Air Force 1.
O tênis conta com pele de crocodilo de água salgada e de cobras anacondas, as maiores do mundo.

O novo modelo está à venda em lojas especializadas. Em Londres, de acordo com o The Sun, o calçado está em exposição em uma caixa de vidro, especialmente iluminada para o lançamento da Nike.

Grupos de defesa dos animais já se levantaram contra o novo tênis da fábrica. "Quem compra esse tipo de tênis apóia a crueldade", disse um porta-voz da ONG People for the Ethical Treatment of Animals (Peta).

CONFIRA AS FOTOS DO PRODUTO NO SITE DA FONTE

FONTE: http://br.invertia.com/noticias/noticia.aspx?idNoticia=200703121547_INV_30421462&idtel=

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2007

Ato aqui em Brasília (pelo dia internacional contra os casacos de pele)

Em Brasília, realizaremos um ato na frente da Embaixada apartir das 10h da manhã (amanhã, terça-feira 13/02).
A Embaixada da CHINA fica na Quadra 813 Lote 51 Av. das Nações, Asa Sul - Brasília - DF

Telefone: 3346-4436/3346-1880 (Você pode ligar para deixar a sua opinião)

Carta aberta à Embaixada da China

Peles de Raposas, Guaxinins, Chinchilas, Martas, Cães e Gatos criados e mortos cruelmente, expostos a realidades arrepiantes, em quintas de peles na China são comercializadas e usadas na Europa e nos Estados Unidos.

Na China, a criação e morte de animais para extração da sua pele não obedece a quaisquer regras, uma vez que não há legislação que regulamente esta atividade.
Recentes investigações comprovam os métodos chocantes de criação, transporte, confinamento e matança dos animais destinados à confecção de peças de pele.

Nestas quintas, raposas, martas, coelhos e outros animais exibem distúrbios comportamentais, como movimentos repetitivos e constante abanar das cabeças, em jaulas de arame, em que os animais estão expostos à chuva, ao frio gélido, ou, noutros momentos, ao calor extremo. As mães, que ficam altamente perturbadas pelo tratamento agressivo, assim como pela impossibilidade de, ao terem as suas crias, não poderem esconder-se para o parto nem poderem protegê-las, acabam por matar os seus próprios bebês, de tão afetadas que estão. Doenças e ferimentos são comuns nestes animais, que não têm qualquer espécie de assistência nem recebem qualquer cuidado, acabando estes animais por roerem as suas próprias patas e atirarem-se constantemente contra as grades das jaulas em que estão fechados.

A globalização do comércio de pele faz com que seja impossível saber qual a origem desses produtos. As peles dos animais são artigos leiloados internacionalmente e distribuídos por fabricantes de peças de vestuário e acessórios de pele em todo o mundo, com os produtos finais a serem vulgarmente exportados.

A China fornece mais de metade das peças finais de acessórios de pele importadas para comercialização nos Estados Unidos da América. De igual modo, se uma etiqueta de um casaco ou acessório com pele diz que esse artigo foi feito num país da Europa, os animais cuja pele compõem essas peças foram provavelmente criados e mortos numa parte diferente do mundo – possivelmente, numa quinta de peles da China. Além disso, as quintas de peles nos Estados Unidos da América e na Europa, mesmo com cenários não tão extremos como os das quintas de peles da China, são unidades onde os animais, depois de terem tido vidas miseráveis, são mortos por quebra do pescoço, asfixia, afogamento, envenenamento com gás ou eletrocussão anal ou vaginal.Quem usa um casaco de pele ou qualquer acessório que tenha pele de algum animal, é cúmplice deste comércio horrivelmente cruel. Quem comercializa estas peles e as promove é primeiramente responsável por esta barbaridade inimaginável.

Hoje, 13 de fevereiro, em várias localidades do mundo, ativistas pela causa animal reúnem-se frente a órgãos chineses protestando pelo segundo ano contra a indústria de peles na China.
Nós, na capital do Brasil, viemos à Embaixada chinesa exigir às autoridades competentes que revejam tais práticas e não as associem apenas ao caráter econômico mas no que caracteriza a prática moral e racionalmente.

MADU Libertação animal

Dia Internacional de Protesto Contra o Uso de Peles de Animais13 de Fevereiro (terça-feira) às 10h

No próximo dia 13 de fevereiro, ativistas de várias organizações deproteção e defesa animal, estarão concentrados em frente às embaixadase consulados da China em mais de 37 cidades ao redor do mundo,protestando pelo segundo ano consecutivo contra a indústria de pelesda China. Em São Paulo o protesto está sendo organizado pelos grupos"Pelo Fim do Holocausto Animal" membro da International Anti-FurCoalition ( http://www.antifurcoalition.org/ ) em parceria com oVeddas (Vegetarianismo Ético, Defesa dos Direitos Animais eSociedade).
Para elaborar este casaco foram utilizados mais de 20 GATOS DOMÉSTICOS. A importação e comércio de peles de cães e gatos foram proibidas naFrança por decreto, segundo informações da agencia AFP. Modifica-se assim a lei anterior de 2003 e se amplia a proibição ao comércio detodos os "produtos derivados" das peles de ambas espécies.
Na Europa,ainda é possível vestir-se com as peles destes animais, apesar dos ecologistas lutarem para conseguir sua proibição total alegando quegatos e cãoes são despelados vivos na Ásia para suprir o continenteeuropeu. Alguns países como Bélgica, Dinamarca, França, Itália e Grécia proibiram a exportação de peles de gatos e cães, mas a falta defiscalização nas alfângegas fazem com que as peles destes animais acabem chegando a todos os países membros da UE. E também há países que ainda não proibiram o comércio e um deles é a Espanha.
A China é o maior produtor e exportador de peles de animais que continuam vítimas das mais extremistas formas de crueldade. Recentes investigações comprovam osmétodos chocantes de criação, transporte, confinamento e matança dosanimais. Entre as espécies sendo utilizadas estão incluídas não somente as tradicionais fornecedoras de pele como a raposa, coelho, guaxinim mas também cães e gatos que tem suas peles arrancadas e comercializadas de maneira fraudulenta como sendo pele de outros animais. Anualmente, mais de 2 milhões de cães e gatos são mortos na China para retirada de suas peles. Somando-se às outras espécies, mais de 40 milhões de animais são mortos todos os anos para o uso de suaspeles.
Neste dia de ação internacional, os ativistas pretendem chamar a atenção do mundo ao barbarismo da indústria de pele chinesa, conclamar as pessoas para que rejeitem produtos de origem chinesa bem como oboicote aos jogos olímpicos de Pequim que serão realizados em 2008, até que o governo chinês se pronuncie e promova uma mudança radical no tratamento dispensado aos animais daquele país.
Chegou a vez de nós, brasileiros, nos unirmos a esta luta eparticiparmos que não concordamos com o massacre.
Envie você também sua opinião às autoridades chinesas.
Local 1 - São Paulo/SPConsulado da China - R. Estados Unidos, 1071, Jd. América - Tel 113082-9877 e 3082-9084 - consuladodachina@terra.com.br -http://www.saopaulo.china-consulate.org

Local 2 - Rio de Janeiro/RJConsulado da China - R. Muniz Barreto, 715 - Botafogo - Tel 212551-4578 - chinaconsul_rj_br@mfa.gov.cn -http://www.consulado-china-rj.org.br

Uma vez que existem poucos consulados é uma sugestão que enviem tambémpara as regionais da Câmara Comercial Brasil/China:http://www.ccibc.com.br/pg_dinamica/bin/pg_dinamica.php

Mais informações:http://www.holocaustoanimal.org/

terça-feira, 30 de janeiro de 2007

Protesto em Goiânia contra o Le Cirque

Depois de uma série de protestos em Brasília contra o Le Cirque, chegou a vez de Goiânia realizar seu ato de repúdio, com cerca de 50 manifestantes, em 28/01/2006, um domingo. Veja a notícia sobre o protesto no site http://www.dm.com.br/impresso.php?id=171584